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Ex-pivô do Flamengo perde quase 40 quilos e é eleito MVP da final da LDB 2026; conheça Isaque Borges

Ex-pivô do Flamengo perde quase 40 quilos e é eleito MVP da final da LDB 2026; conheça Isaque Borges

São José é campeão da Liga de Desenvolvimento de Basquete pela primeira vez
“Se você assinar com a gente, vamos fazer um trabalho para você perder peso”. Isaque Borges pesava 170 quilos quando escutou essa frase da diretoria do São José Basketball, em dezembro de 2025. Era tudo o que ele queria ouvir. Desejava perder peso para voltar a ser um pivô dominante e ágil no garrafão. Aceitou a proposta.
Nove meses depois, os resultados têm aparecido. Na balança, são 37 quilos a menos. Em quadra, conquistou o título da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), principal campeonato de base do país, e o troféu de MVP (melhor jogador) da final contra o Corinthians, ao fazer 18 pontos, pegar 16 rebotes, dar três tocos e fechar o jogo com 22 de eficiência.
Isaque Borges com os troféus de campeão da LDB e MVP da final
Yuri Reuters/LNB
Com 20 anos e 2,08 metros de altura, Isaque Borges comemora os frutos da plantação feita com muito esforço. Plantio esse que começou lá atrás, quando começou a jogar vôlei com 12 anos para perder peso. No início da adolescência, conheceu o basquete, apaixonou-se pelo esporte e teve passagens por IBC, Tijuca, Flamengo, seleção brasileira de base e São Paulo antes de chegar ao São José.

– No Rio, no Flamengo, sempre fui dominante, difícil de marcar. Tinha uma certa facilidade pelo meu tamanho e pela envergadura para enterrar. Mas, com o peso que estava agora, teve um dia que eu fui dar um dunk (enterrada), o joelhão doeu muito. Eu falei: “mano, vou ter que mudar isso aqui, porque eu não consigo jogar dois meses assim”. Cheguei a um ponto em que falei: “ou eu mudo ou eu vou ter que parar de jogar”. Hoje em dia, o basquete é muito dinâmico. Não tem como jogar com 170 quilos, que era o que eu estava. Impossível. Eu não ia me tornar um jogador profissional. Não ia estar agora MVP da LDB, o que aconteceu. Tenho certeza disso – comentou em entrevista ao ge.
Isaque Borges comemora título de MVP da final da LDB
Yuri Reuters/LNB
Isaque, conhecido pelo apelido Baby Shaq (em referência ao ex-jogador Shaquille O’Neal), foi um dos destaques do São José na campanha do título da LDB e também defendeu a equipe no Campeonato Paulista Adulto. Os resultados obtidos o motivam a buscar mais. O talento e o esforço formam a receita que ele aposta para alcançar os sonhos que deseja.
– Quero jogar meus minutos no NBB. Crescer mais e me consolidar, de fato, no adulto. Estou tendo essa oportunidade que o São José está me dando e vou ter no NBB. Agora é consolidar – afirmou, antes de revelar um sonho:
– Graças a Deus, já estou conquistando coisas que eu nunca imaginei que iria conquistar. Mas todo mundo quer chegar na elite. Eu quero chegar na elite do basquete. E a elite é a NBA, não tem jeito. É um negócio às vezes muito distante, só que, dependendo do caminho, não é tanto assim. Tem muito brasileiro que conseguiu. Meu sonho, realmente, é chegar na liga. É o sonho de todo molequinho de basquete. E era o sonho daquele Isaque, com 12 anos, que começou a jogar basquete, viu os caras na TV. O sonho é chegar nesse nível – disse Isaque.
Vôlei para perder peso, basquete por amor
Isaque Borges nasceu em 17 de agosto de 2006, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Filho mais velho de Simone e Gilson, lidava com o sobrepeso desde a infância. O esporte surgiu como um meio para diminuir o peso, e o vôlei foi a modalidade escolhida já que o futebol não agradava o garoto. Mas o vôlei também não o animava tanto assim.
– Eu era central. Grande para caramba. Fazia uns bloqueios lá, às vezes. Tentava. (risos) Eu era muito criança. E criança tem que gostar para fazer a parada. Fiquei três meses no vôlei só para poder me exercitar mesmo, para parte física e a saúde. Só que quando eu achei o basquete, foi bizarro. Eu estava jogando todo dia. No vôlei não era assim – contou.
Isaque Borges, do São José, em partida contra o Corinthians na final da LDB
Yuri Reuters/LNB
Isaque começou a jogar basquete no Iguaçu Basquete Clube (IBC), de Nova Iguaçu. Depois, foi convidado para defender o Flamengo.
– Comecei com o Flamengo aos 13 anos, no Carioca. Joguei um ano no sub-13 e me transferi para o Tijuca no sub-14. Só que veio a pandemia. O sub-14 não teve campeonato nenhum. A gente voltou no 15, com as restrições, máscara e tudo. Joguei 15 e 16 no Tijuca e, com 17, eu voltei para o Flamengo. Fiz mais dois anos por lá – relembrou.
Isaque Borges, quando jogava na base do Flamengo, ao lado do ala-pivô Olivinha
Arquivo pessoal/Isaque Borges
Quando estava no Flamengo, Isaque se mudou de Nova Iguaçu e foi morar sozinho nos alojamentos do clube da Gávea. Durante esse período no Rubro-Negro, também teve passagens pela seleção brasileira de base. Disputou dois Mundiais 3×3, um Sul-Americano sub-17 e uma Copa América de base.
As convocações para a seleção são fruto não apenas do talento de Isaque, mas também da dedicação dele. Durante a pandemia, ele ficou treinando sozinho enquanto todas as competições estavam paradas.
– Foi um diferencial, o divisor de águas na carreira. Eu era grande, só que não falavam muito de mim, sabe? Só era mais um. Entrava, fazia dois, quatro pontos às vezes. Na pandemia, como não tinha nada o que fazer, eu acordava de manhã, ia para escola, meio-dia já tinha acabado. Eu ia para quadra, pegava a bola e voltava só de noite. Minha mãe louca, tá ligado? Menino não almoça, não faz nada. E era todos os dias assim – contou.
Mudança para São Paulo
Isaque vestia a camisa do Flamengo e sentiu que precisava de uma mudança para seguir evoluindo. Segundo ele, o nível dos campeonatos de base do Rio não exigiam mais tanto dele. Por isso, aceitou ir para o São Paulo.
Isaque Borges recebe troféu de MVP do CBI sub-19 das mãos de Marquinhos
Maurício Almeida
No Tricolor Paulista, defendeu a equipe de base e chegou a participar de jogos do NBB. Conquistou o vice-campeonato brasileiro de base. Porém, nesse período, também voltou a ganhar peso.
– O clube sempre deu tudo e quem faz as escolhas realmente é você, entendeu? Naquele momento, eu me perdi muito nesse quesito. Muito. Graças a Deus, eu tive, no final da temporada, a virada de chave. Falei: “Eu me perdi, eu preciso voltar”. E o São José me ajudou muito a fazer isso – afirmou.
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Perda de peso e título da LDB
Com o fim do basquete no São Paulo, Isaque Borges e outros dois jogadores da base do Tricolor foram contratados pelo São José. A intenção do time joseense era que eles integrassem o time sub-20 e, no Campeonato Paulista Adulto, também defendessem a equipe principal. A oferta para fazer um trabalho específico para perda de peso animou Isaque.
– Cheguei dia 10 de dezembro em São José dos Campos. No dia seguinte, o Paulo Nery (preparador físico), estava na academia comigo às 7 horas da manhã. A academia do time era às 9h. O cara não tinha obrigação nenhuma de estar comigo ali. Ele só estava porque eles tinham botado no contrato que iriam estar. O cara cumpriu a palavra dele comigo, entendeu? Infelizmente, tem muito clube que só vive de promessa. Você chega lá e não é isso, entendeu? Aqui, não. Aqui fazem o que estão fazendo e a gente precisa ainda evoluir. Já mudamos o nosso treino, vamos focar em outra coisa agora, hipertrofia e tudo – comentou Isaque.
Emocionado, Isaque Borges abraça o prepador físico Paulo Nery após título da LDB
Yuri Reuters/LNB
Além do trabalho específico de preparação física para perder peso, Isaque também ajustou a alimentação. Em nove meses, foram 37 quilos perdidos. Agora ele pesa 133 quilos, dois a menos que a meta que tinham colocado no início do ano. O trabalho agora está voltado para hipertrofia, que é a definição muscular.
O São José usou bastante os atletas do sub-20 no Campeonato Paulista Adulto. Isaque foi um dos que tiveram essa oportunidade e fez parte da campanha, que alcançou até as quartas de final. Depois, voltou para o time de base para a disputa da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB).
Isaque em São José x Paulistano, pelo Paulista de Basquete
Léo Lenzi/Agência NTZ
A competição sub-22 é o principal torneio de base do basquete brasileiro. O São José entrou com um time sub-20, campeão paulista da categoria, e apenas um jogador acima dos 21 anos. Com um time jovem para a competição, não era apontado como favorito ao título. Mas Isaque acredita que o fato de os atletas terem tido a experiência no Paulista Adulto ajudou o time na LDB.
– Eu vi uns três, quatro vídeos de cotados para campeão da LDB. Nem pensaram em falar o nome do São José. A gente falou isso no WhatsApp. A gente falou: “mano, os caras nem cotam a gente para nada, tá ligado? Vamos mostrar pra esses caras que a gente realmente consegue”. Isso foi antes das semis. Não sabíamos ainda se iríamos para a final. Conseguimos a vaga. O lema foi o quê? A gente conseguiu o nosso primeiro objetivo: chegar à final. Já era medalhista de um jeito ou de outro. Só que agora precisa do desafio maior, né? Que era ser campeão. E, graças a Deus, conseguimos – disse, ressaltando que o feito parecia quase inatingível:
– Eu sempre via a LDB, assistia ao campeonato. Para mim, era muito distante isso, sabe? Eu via a final de LDB e falava: “caramba, um dia eu vou chegar lá com 21, 22 anos”. A gente ganhou, tenho 20, nosso time é todo sub 20. Foi loucura para mim. A gente emocionou lá com os caras. Foi bizarro, bizarro. E também foi muito especial porque o São José já bateu várias vezes na trave, né? Graças a Deus, a gente conseguiu.
Isaque Borges, do São José, dá enterrada na final da LDB
Yuri Reuters/LNB geRead More