Vinícius fala sobre reta final da Série B, lesão, saída de Hélio dos Anjos e bastidores do Náutico
Vinícius fala dos bastidores do Náutico, Série B e saída de Hélio dos Anjos
Na reta final da Série B, o Náutico está próximo de confirmar o principal objetivo traçado para a temporada: garantir a permanência na competição. Chega a esse cenário após passar por um momento turbulento, com a queda de rendimento que levou à demissão dos técnicos Hélio e Guilherme dos Anjos.
Aos 46 min do 1º tempo – gol de cabeça de Vinícius do Náutico contra o Sport
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Em meio à campanha de recuperação, Vinícius confirmou seu posto como um dos destaques da equipe, contribuindo com gols e boas atuações. Em entrevista ao ge, o jogador avaliou o momento do time, falou sobre a briga na parte de cima da tabela, a mudança no seu papel em campo, a chegada de Bruno Pivetti e a recuperação após uma lesão grave.
Tudo o que ronda o Náutico neste fim de temporada, contado por um dos líderes do elenco alvirrubro, que avisa: não jogou a toalha ainda e sonha com algo a mais na Série B.
– O mesmo trabalho que dá de olhar para baixo é o de olhar para cima. Então eu prefiro olhar para cima, para as posições de cima, e sonhar.
Vinicius, atacante do Náutico, comemora gol
Marlon Costa/AGIF
O Náutico está muito próximo de atingir o objetivo traçado para a Série B. Como é chegar a esse ponto do campeonato?
VINÍCIUS: É muito importante não só para nós, mas para o clube. É um objetivo que foi traçado desde o início. Estamos lutando muito forte em cima disso, com as dificuldades que o futebol apresenta, mas firmes, unidos e fechados. A gente sempre sonha e quer algo a mais, mas é importante ter humildade e traçar os objetivos colocados pela diretoria.
Você também vem atingindo objetivos individuais. Como equilibra as duas coisas?
Vinícius: É muito gratificante. Eu sempre falo que a instituição é o maior, sobre todos. Conquistar o objetivo para o clube é muito gratificante. E traçar objetivos individuais também é uma grande alegria, porque é uma resposta para todo o trabalho que venho desenvolvendo.
“Há uns dez anos venho focando muito forte na minha carreira. Isso significa abrir mão de férias, de muitas coisas e, às vezes, até de estar com a família. Hoje é a recompensa que venho recebendo. Não acabou ainda. Eu quero mais. Vou até o final.”
Seu jogo mudou? Você passou a pisar mais na área e fazer mais gols.
Vinícius: Eu estou pisando mais na área. Kuki sempre me ajudou muito e pegava no meu pé. Ele sempre falou: “Vinícius, você é um dos caras que mais finaliza bem na equipe. Se você está perto da área, você vai sempre estar fazendo gol”. E eu fui ouvindo ele. Também fui ouvindo os professores Hélio e Guilherme. Eles falavam que eu e Paulo (Sérgio) éramos os que melhor finalizavam no elenco e que eu tinha que estar mais perto da área. Mudaram os jogadores e o sistema de jogo também. Muda muita coisa. Deixei de dar um pouquinho de assistência, mas estou fazendo mais gols. Então está compensando.
Aos 59 seg do 1º tempo – gol de dentro da área de Vinícius do Náutico contra o Operário-PR
Como foi viver o desgaste envolvendo Hélio e Guilherme?
Vinícius: É difícil, mas faz parte do nosso dia a dia, faz parte do futebol. Um trabalho de um ano e meio, ainda mais no Náutico, que é pressão, é clube de camisa, é clube de massa, vai ter desgaste. É normal. Para mim foi difícil porque todo mundo sabe o respeito e o carinho que tenho pelo professor Hélio e pelo Guilherme. Logo quando eles saíram, fiz questão de ligar para eles, bater aquele papo e conversar. A gente fica chateado porque é uma quebra de ciclo, mas, como diz o professor, a vida segue. Segue para eles e segue para nós. Nós temos que continuar defendendo a instituição.
O que mudou com a chegada de Bruno Pivetti?
Vinícius: Eu já tinha trabalhado com o Pivetti no Goiás e já conhecia mais ou menos o modelo de jogo dele. Claro que ele tem muitas variações. Muda porque são outras ideias de jogo, de sistema, é outra pessoa, outro jeito de lidar com as pessoas. E mudou o ambiente para alguns. Alguns que não vinham jogando começam a ter chances, outros que eram muito aproveitados começam a não ser tanto. É assim com qualquer mudança de treinador.
Jean Carlos e Vinícius comemoram gol do Náutico contra o Sport
Rafael Vieira/AGIF
E como está o entrosamento com Jean Carlos?
Vinícius: O melhor possível. A gente está mais entrosado fora do que dentro de campo, estamos saindo para almoçar e jantar. E, graças a Deus, a primeira assistência dele para mim foi logo contra o nosso rival (Sport). Eu gosto muito do Jean, ele é um amigo pessoal que fiz no futebol. Fiquei muito feliz com a volta dele e com os gols dele. Espero que ele continue me dando assistência e que eu também possa dar assistência para ele. No final de tudo, quem ganha é o Náutico.
O quanto a sequência de bons resultados foi importante para a união com a torcida?
Vinícius: É muito importante. É o dever de casa. Você vai fora de casa, faz um grande jogo, ganha, e todo mundo espera que agora vai engatar. Aí você tropeça em casa e fica complicado. É muito importante voltar a ter um clima. A torcida já vai confiante, nós já vamos confiantes. O jogo dentro de casa começa a te dar tranquilidade para fazer um grande jogo fora. Temos que buscar esse equilíbrio e manter até o final do campeonato.
Com dois jogos em casa pela frente, o quanto é importante continuar sonhando com algo maior?
Vinícius: É extremamente importante. São grandes jogos, contra grandes equipes. São esses jogos que nós sonhamos em jogar.
O professor Pivetti falou uma coisa interessantíssima: o mesmo trabalho que dá de olhar para baixo é o de olhar para cima. Então eu prefiro olhar para cima, para as posições de cima, e sonhar.
É muito difícil, mas primeiro a gente vai sonhar para alcançar o objetivo que está muito próximo, que é se manter, e depois vamos continuar sonhando. Quem sabe morder uma vaguinha ali em cima e ir para a briga.
Vinícius sai dos Aflitos machucado em Náutico x Goiás
Marlon Costa/AGIF
Como você está física e mentalmente depois da lesão?
Vinícius: Eu não quero nunca machucar. Mas me preparo muito para, se acaso passar por esse processo, meu corpo reagir rápido e recuperar rápido. Quando machuquei, o pessoal falava em 60 dias, talvez um pouco mais. Consegui voltar para o campo com 40. O difícil de um atleta como eu é que, quando a gente lesiona, o primeiro que o pessoal fica é: quando vai voltar? E quando volta, a galera quer ver o Vinícius que estava antes da lesão. É difícil porque o corpo ainda não está adaptado. A cobrança é de mim mesmo. Eu já quero entrar no primeiro jogo, principalmente se o clube está em uma fase difícil. Quero decidir, quero ajudar. Mas é sempre equilíbrio.
“Tive uma lesão grave, uma lesão grau 3, e, após dois ou três jogos que tinha voltado, já era o primeiro de novo em sprint e em alta intensidade do elenco. Fico muito feliz e vejo que o trabalho está sendo muito bem feito.”
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