Jaguar apresenta elétrico Type 01 em meio a polêmica de design e anúncio de demissões
Jaguar apresenta o elétrico de luxo Type 01 em Nova York.
REUTERS/Mike Segar
A Jaguar apresentou nesta quarta-feira (7) em Nova York o Type 01, seu novo carro elétrico de quatro portas, com preço inicial de US$ 130.500 (R$ 648 mil em conversão direta). O modelo tem capô muito longo, não possui vidro traseiro e concentra uma série de recursos tecnológicos.
O lançamento marca, segundo a Jaguar, o início de uma nova geração de veículos da marca e de uma nova fase para a fabricante britânica, controlada pela indiana Tata Motors.
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O preço elevado representa uma aposta no mercado norte-americano, onde a aceitação de carros elétricos tem sido menor do que na Europa.
Segundo a Reuters, a JLR, grupo ao qual a marca pertence, pretende aumentar o foco nos consumidores dos Estados Unidos enquanto enfrenta dificuldades no mercado europeu.
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Entre os desafios estão a concorrência de carros chineses com preços mais baixos, custos relacionados a tarifas e interrupções provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O desenho do Type 01 busca inspiração nos esportivos Jaguar E-Type dos anos 1960, modelos que se tornaram valorizados entre colecionadores.
O modelo tem uma arquitetura elétrica de 850 volts, o que possibilita despejar mais de 1.000 cv de potência e uma recarga ultrarrápida de 350 kW.
Segundo a Jaguar, com este recurso de recarga é possível recuperar em apenas 13 minutos mais de 320 km de autonomia. A marca declara que o alcance total do Type 01 com as baterias de 118 kW cheias é de mais de 600 km.
A apresentação ocorre depois que a Jaguar mostrou, em 2024, o conceito Type 00, usado como símbolo da reformulação da marca. O protótipo tinha pintura em tom de rosa forte e provocou críticas de entusiastas de carros e de alguns políticos.
Como parte de um plano de recuperação, a empresa anunciou no mês passado que pretende reduzir quase 10% de sua força de trabalho nos próximos dois anos, por meio de desligamentos voluntários.
A companhia também decidiu transformar toda a sua linha em veículos elétricos. A estratégia ocorre apesar de executivos do setor terem demonstrado dúvidas sobre o interesse de consumidores de maior poder aquisitivo por carros elétricos.
Nova identidade polêmica
A transformação da Jaguar começou em novembro de 2024, quando a marca abandonou o tradicional logotipo com o felino que acompanhava seus carros desde os anos 1950.
A nova identidade passou a priorizar o nome Jaguar, escrito em letras minúsculas, com tipografia mais arredondada e espaçamento maior entre as letras.
A empresa afirmou que a mudança fazia parte de um plano para tornar a marca relevante para uma nova geração.
A reformulação também estava ligada ao plano de transformar a Jaguar em uma marca totalmente elétrica.
Nova marca da Jaguar
divulgação/Jaguar
A reação nas redes sociais, porém, foi negativa. Muitos usuários questionaram a mudança e disseram preferir o retorno aos carros a combustão com motores V8.
Outros criticaram a tentativa de combinar carros elétricos voltados a um público mais jovem com referências à Pop Art dos anos 1950.
Pouco depois da mudança visual, a Jaguar apresentou o Type 00, carro conceito que serviria de base para os novos modelos elétricos da marca.
O carro chamou atenção pelo desenho. Enquanto algumas curvas remetem aos esportivos da Jaguar, a lateral apresenta linhas retas que lembram a picape Tesla Cybertruck.
Nas redes sociais, a apresentação não conseguiu reverter as críticas à nova fase da marca. Usuários compararam o protótipo a um climatizador e a uma geladeira. Também houve comentários apontando semelhanças com modelos de outras marcas, como Rolls-Royce, BMW e Porsche.
Conceito Jaguar Type 00 foi apresentado para ilustrar o futuro da marca.
divulgação/Jaguar
Cortes
Em setembro de 2026, a Jaguar Land Rover anunciou outro movimento de grande impacto. A fabricante informou que eliminará cerca de 4 mil postos de trabalho, quase 10% de seu quadro, por meio de um programa de demissão voluntária ao longo dos dois anos seguintes.
A empresa pretende economizar 1,7 bilhão de libras, cerca de R$ 12,5 bilhões, e reduzir seu ponto de equilíbrio para aproximadamente 300 mil veículos.
A JLR emprega cerca de 43 mil pessoas em todo o mundo, sendo 34 mil no Reino Unido. A empresa não informou onde os cortes serão realizados.
A medida ocorre em meio à concorrência de fabricantes chineses e aos efeitos das tarifas comerciais. A fabricante também ainda se recuperava de um ataque cibernético ocorrido em 2025, que provocou uma longa paralisação da produção e afetou sua cadeia de fornecedores.
A reportagem do g1 conversou com o CEO da JLR no Brasil, João Oliveira, sobre a situação da fábrica do grupo em Porto Real (RJ).
A planta pode produzir os modelos Evoque e Discovery e tem capacidade de montar mais de 40 mil unidades por ano usando os três turnos.
Desde julho a linha de produção está parada. O Discovery foi descontinuado globalmente e a produção do Evoque até o fim de 2026 já foi feita. Ainda será definido o futuro do modelo no Brasil.
Os colaboradores da fábrica passam desde então por treinamentos de reciclagem. Não houve demissões no Brasil até o momento.
Mesmo com o corte de empregos, a JLR afirmou que pretende lançar cinco novos produtos nos 12 meses seguintes e manter investimentos entre 15 bilhões e 18 bilhões de libras, cerca de R$ 110,5 bilhões a R$ 132,6 bilhões, nos cinco anos seguintes.
Os recursos serão destinados à eletrificação, tecnologias digitais, manufatura avançada e melhorias na experiência do cliente.
O programa de demissão voluntária deverá atingir principalmente os 26 mil funcionários das áreas administrativa e de gestão. A empresa afirmou que precisa reduzir custos e simplificar sua estrutura para tornar o negócio mais resiliente.
* Com informações da agência Reuters.g1 > EconomiaRead More


