Ídolo do Grêmio revela bastidores do Gre-Nal eternizado como “Danrlei 0x0 Inter”
Danrlei 0 x 0 Inter: goleiro ídolo do Grêmio conta bastidores da atuação histórica
Véspera de Gre-Nal é momento de trazer à memória clássicos que marcaram. Em entrevista ao podcast do ge nesta semana, Danrlei de Deus revelou bastidores do empate entre Grêmio e Inter pelo Brasileirão de 2003. A partida entrou para a história pela grande atuação do então goleiro gremista, eternizada pela manchete de capa do jornal Zero Hora: Darnlei 0x0 Inter.
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Capa de Zero Hora eternizou atuação de Danrlei no Gre-Nal
CDI RBS
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Para Danrlei, atualmente deputado federal reeleito, aquele clássico começou a se tornar difícil semanas antes. Em conversa flagrada pelo repórter Luís Henrique Benfica, de Zero Hora, dirigentes do Grêmio classificaram Anderson Lima, Rodrigo Fabri e Luís Mário como “ovelhinhas” do técnico Tite.
O presidente Flávio Obino não desligou o celular após conversar com o jornalista, que ouviu a confabulação com o vice-presidente de futebol Luiz Eurico Vallandro e o diretor Luís Onofre Meira. Questionados, os atletas seriam os preferidos do treinador, segundo os cartolas.
– (O Gre-Nal) Aconteceu logo depois da questão das ovelhinhas lá, que não sei se vazou ou se foi vazado por gosto pela direção. Aquilo acarretou a perda da Libertadores. Nós tínhamos time para ganhar. Aí o time mudou, houve uma desconfiança com a direção, uma desconfiança do treinador. O Tite pediu para ir embora logo depois do áudio. Convencemos ele a não ir e ficar até o fim da Libertadores – contou Danrlei.
– Muitos disseram: “professor, se o senhor for agora, nós queremos sair, se o senhor ficar, a gente fica contigo até o fim”. Mas já não era mais a mesma coisa. O time caiu da Libertadores, o Tite pediu para ir embora e ali saíram sete atletas junto, que pediram também, aqueles que se sentiram ofendidos da mesma forma também saíram, no início de Brasileiro. Tivemos que montar uma nova equipe com um treinador que estava chegando. Ele chegou exatamente dois dias antes do Gre-Nal – acrescentou.
Danrlei projeta o Gre-Nal de domingo
A reportagem de Zero Hora sobre a conversa vazada foi publicada em 30 de abril. Em 29 de maio, o Grêmio foi eliminado nas quartas de final da Libertadores pelo Independiente Medellín, da Colômbia. Em 3 de junho, Tite, campeão da Copa do Brasil dois anos antes, pediu demissão.
Seis dias depois, o Grêmio contratou o uruguaio Darío Pereyra para o cargo. A estreia dele coincidiu com o clássico no Olímpico no dia 15. Danrlei lembra que os jogadores alertaram o novo técnico sobre o perigo de começar em um Gre-Nal, mas o técnico preferiu não adiar o início do trabalho.
O que se viu foi um Grêmio dominado pelo adversário, comandado pelo técnico Muricy Ramalho. Danrlei foi obrigado a fazer ao menos 16 defesas, parte delas consideras milagrosas, e evitar a derrota em casa.
– A gente fala com ele: olha, professor, não vai para esse jogo, é um Gre-Nal. Isso aí pode ser ruim, porque não conhece o time, não conhece os atletas. E, como era um uruguaio, ele disse: eu não tenho medo de nada, eu vou assumir, a responsabilidade é minha. Lindo, maravilhoso para a gente ouvir, mas, na prática, no banco de reserva, estava uma pessoa que não conhecia ninguém, nenhum de nós.
– No meio do jogo, teve uma substituição, onde ele chamou o Luís Fernando, lateral-direito, e botou no meio de campo. Cara, o jogo está ruim, complicado, provavelmente seja para fechar bem, não ser tão atacado, mas no fim do jogo a gente soube que ele achou que o Luís Fernando era o Bruno. O Bruno que era pra ser o novo Ronaldinho. Ele chama o Luís Fernando achando que era o Bruno, porque eles eram parecidos – contou Danrlei.
Defesa de Danrlei no empate com o Inter em 15 de junho de 2003
Arivaldo Chaves / Grupo RBS
Darío Pereyra acabou demitido em 21 de julho, após oito jogos. O Grêmio lutou contra o rebaixamento no Brasileirão de 2003 e terminou o campeonato na 20º posição entre 24 times. A queda veio no ano seguinte.
O jogo também entrou para a história como o último Gre-Nal de Danrlei, que se despediu do Grêmio naquela temporada após quase uma década de titularidade. O ex-goleiro, hoje com 53 anos, traça um paralelo entre aquela partida e o Grêmio de 2026, que tem em Weverton o melhor jogador da temporada.
– Eu nunca quis ser o melhor em campo. Sempre quis ser um dos coadjuvantes, ajudando o meu time a ganhar, porque aí eu sabia que o meu time era melhor. Quando a gente é o melhor em campo, é o caso do Grêmio hoje, o melhor jogador do time é o nosso goleiro. E isso não é bom, eu não gostaria. É meu amigo (Weverton), jogou comigo no Remo, eu ali no fim da minha carreira, ele começando. Foi meu reserva. Ele é extraordinário goleiro, um dos melhores que o Brasil tem na última década, mas eu não queria que ele fosse o melhor do time, queria que ele estivesse ali defendendo de vez em quando – analisa Danrlei.
Danrlei em entrevista ao podcast do ge na última quinta-feira
Rafael Favero / ge.globo
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