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Entenda por que a dívida trabalhista da Ponte Preta pode aumentar mesmo com acordos

Entenda por que a dívida trabalhista da Ponte Preta pode aumentar mesmo com acordos

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A Ponte Preta regularizou os pagamentos de acordos trabalhistas, mas o passivo do clube pode chegar a R$ 50 milhões. A estimativa considera novas ações judiciais e cobranças de processos em andamento, mesmo com as parcelas dos compromissos firmados pela Macaca em dia.
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Quando o clube aderiu ao Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT), em agosto de 2023, a dívida trabalhista era estimada em R$ 34 milhões. O plano prevê pagamentos mensais de aproximadamente R$ 190 mil, com duração inicial de seis anos. Diante do surgimento de novas ações, o departamento jurídico avalia a possibilidade de estender o período de pagamento no médio ou longo prazo.
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A regularidade das parcelas, porém, não significa que todos os credores recebam valores mensalmente. A liberação dos recursos depende dos procedimentos da Justiça do Trabalho. Segundo apurou o ge, o clube tem quase 200 processos trabalhistas ativos.
Bandeira Ponte Preta; Moisés Lucarelli
Marcos Ribolli
Além do PEPT, a Ponte tem compromissos com credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à CBF que trata de conflitos envolvendo clubes, atletas, treinadores, agentes e outros profissionais do futebol.
O pagamento mensal previsto no acordo passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil. O clube também assumiu parcelas adicionais de R$ 300 mil em janeiro e julho. A lista inicial tinha 98 credores e atualmente reúne cerca de metade desse número.
A regularização dos pagamentos foi viabilizada por medidas jurídicas e pela entrada de recursos de diferentes fontes, entre elas valores relacionados à parceria com o Boavista e premiações da Copa do Brasil.
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Previsão de novas ações
Mesmo com o pagamento recente de parte dos acordos, novas cobranças aumentam a pressão sobre as finanças da Ponte. Entre os casos recentes está o do lateral Diego Porfírio, que cobra cerca de R$ 257 mil e pede o reconhecimento de uma rescisão indireta do contrato. O jogador alega falta de pagamentos e solicita que dirigentes sejam responsabilizados por suposta gestão irregular.
O goleiro Douglas Marques e o zagueiro Diogo Silva também acionaram a Justiça e reivindicam, juntos, aproximadamente R$ 385 mil. O departamento jurídico da Ponte informou que ainda não havia sido formalmente citado nesses três processos e que se manifestaria após receber as notificações oficiais.
Eberlin (esquerda), atual vice-presidente da Ponte, ao lado do técnico Hélio dos Anjos, em 2023
Diego Almeida/PontePress
Outro impasse envolve o técnico Hélio dos Anjos. O acordo firmado após sua saída do clube contém uma cláusula que, segundo a discussão judicial, permitiria cobrar o crédito fora do PEPT. A Ponte recorreu e argumenta que a exceção poderia dar ao treinador tratamento privilegiado em relação aos demais credores.
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A dívida trabalhista faz parte de um cenário financeiro mais amplo. Durante as conversas com investidores para a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), posteriormente rejeitada pelos associados, uma auditoria apontou uma dívida total próxima de R$ 320 milhões, sem incluir débitos de IPTU estimados em outros R$ 20 milhões. O déficit mensal foi calculado em aproximadamente R$ 2,8 milhões.
José Henrique Specie, diretor jurídico da Ponte, fala sobre as pendências do clube
As demonstrações financeiras de 2025 registraram resultado negativo de R$ 33,5 milhões. O período corresponde ao último ano de Marco Antonio Eberlin na presidência. Ele passou a ocupar a vice-presidência na gestão de Luiz Alves Torrano, além de exercer a função de diretor de futebol.
A falta de recursos também provocou atrasos recorrentes nos salários de jogadores, integrantes da comissão técnica e funcionários desde 2025. Em agosto, atletas paralisaram as atividades por uma semana e relataram que alguns estavam havia cerca de seis meses sem receber. Na ocasião, o ge apurou casos de atrasos próximos de um ano entre jogadores e profissionais do futebol. Desde o início da Série B, quase 30 atletas deixaram o clube.
Dados apresentados em ações judiciais de jogadores apontam que a Ponte foi alvo de 210 processos trabalhistas desde 2022, quando o atual grupo político assumiu o comando do clube. Desse total, 55 foram registrados em 2026 até 24 de setembro.
Luiz Torrano, presidente da Ponte, ao lado do vice Eberlin
Marcos Ribolli
O diretor jurídico José Henrique Specie classificou a situação financeira da Ponte como de “quase insolvência”. Em campo, o clube foi rebaixado no Campeonato Paulista e na Série B do Brasileiro em 2026. Na competição nacional, chegou a acumular 22 partidas consecutivas sem vitória.
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