RÁDIO BPA

TV BPA

Análise judô: Brasil tem campanha frustrante no Mundial e se apega a histórico de ressurgimentos

Análise judô: Brasil tem campanha frustrante no Mundial e se apega a histórico de ressurgimentos

Mundial de Judô: favorito, Daniel Cargnin fica fora do pódio
Principal fonte de medalhas olímpicas do Brasil, o judô nacional encerrou o Campeonato Mundial da modalidade, em Baku, no Azerbaijão, sem ter ido ao pódio nenhuma vez. Por um lado, é apenas a quarta vez no século que o país sai zerado da competição, por outro, o histórico é de ressurgimentos após campanhas decepcionantes.
Beatriz Freitas judô
IJF
Em 2001, o Brasil ficou sem medalhas no Campeonato Mundial mas, na edição seguinte, em 2003, foram três pódios. Em 2009, outra edição sem sucesso. Em 2010, foram quatro medalhas. Por fim, meses após sair zerado do Mundial de 2024, a seleção fez a melhor campanha da história em Olimpíadas, com quatro medalhas.
Bia Souza se emociona após derrota no Mundial de Judô
A expectativa para o Mundial deste ano era de três medalhas. Os resultados obtidos no Circuito Mundial e nos Campeonatos de categoria de base encheram a seleção de expectativa. Mas, o que se viu em Baku, foi uma série de derrotas.
É frustrante sair de um Mundial de mãos abanando, mas a verdade é que esse resultado não preocupa tanto quanto outras modalidades tradicionais. A natação, por exemplo, não foi ao pódio no Mundial do ano passado, mas chegou a apenas duas finais, o pior resultado do século. A vela, esporte com mais medalhas de ouro na história olímpica do Brasil, não vai ao pódio em um grande evento há cinco anos. O resultado do judô parece mais um acidente de percurso do que uma tendência para os próximos anos.
Mundial de Judô de Baku – Tulkinbek Turdiev x Gennaro Pirelli
Algumas medalhas escaparam por pouco. Daniel Cargnin, segundo do ranking mundial, foi até a semifinal, e perdeu o bronze nas punições do golden score na categoria até 73kg. Nauana Silva estava melhor na disputa do bronze do peso até 70kg, quando, em um vacilo, acreditou que a luta tinha sido parada pelos árbitros, se desconcentrou e foi derrubada pela rival.
Foi interessante ver novas promessas do judô fazendo boas campanhas. Clarice Ribeiro, de 18 anos, venceu a campeã asiática antes de perder para duas medalhistas olímpicas e ficar em sétimo na categoria até 48kg. Sarah Souza, 22, só parou diante da campeã mundial na categoria 57kg. Raphaela Rodrigues, 21, perdeu para medalhista olímpica no peso 52kg. Bia Freitas, 24 anos, avançou bem na chave e ficou em sétimo lugar no peso 78kg.
Mundial de judô: Nauana Silva perde disputa pelo bronze
Beatriz Souza venceu uma japonesa campeã olímpica e uma chinesa cabeça de chave, até perder nas quartas de final e sentir uma lesão no joelho. Terminou em sétimo lugar e com a certeza que, 100% fisicamente, estará entre as melhores da categoria.
Tivemos derrotas que realmente não estavam no planejado. Casos de Rafael Macedo, Guilherme Schimidt e Leonardo Gonçalves, todos cotados ao pódio, mas que sequer avançaram às quartas. Jovens do judô masculino, como Michel Augusto e Ronald Lima, venceram lutas, mas não surpreenderam favoritos.
Mundial de Judô de Baku – Hifumi Abe x Garcia Torne
As medalhistas olímpicas Rafaela Silva e Larissa Pimenta deram muito azar na chave. Rafaela perdeu para uma medalhista olímpica na primeira luta e, se vencesse, enfrentaria uma hexacampeã mundial. Larissa Pimenta perdeu na estreia para uma japonesa que se tornou hexacampeã mundial.
A campanha é frustrante e tem que ser estudada para que os erros não se repitam nos próximos anos. Mas o judô brasileiro não vive uma crise, longe disso. A seleção tem atletas capazes de manter a modalidade como carro chefe do Brasil no quadro de medalhas nos Jogos de Los Angeles 2028.
Guilherme Costa
Reprodução geRead More