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Tifanny celebra vitória na Justiça por Supercopa e desabafa: “Brigar para se provar”

Tifanny celebra vitória na Justiça por Supercopa e desabafa: “Brigar para se provar”

Viva Vôlei, Tifanny comemora título e chora ao falar do esporte: “Vou lutar sempre”
O Osasco dominou o Praia Clube na noite de sexta-feira e faturou o título da Supercopa. O troféu teve um gostinho ainda mais especial para Tifanny, que recebeu uma liminar da Justiça que garantiu a participação dela na partida ao derrubar o veto da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A atleta foi um destaques da vitória da equipe paulista, se emocionou ao celebrar as conquistas e desabafou sobre a situação.
— Fiquei esperando essa resposta [da liminar] o dia inteiro. Quando recebi a notícia pouco tempo antes do jogo, eu caí aos prantos. Fui para a quadra com calça, mas levei todas as minhas coisas de jogo na mala. É muito difícil, porque a gente, atleta, tem que brigar todo dia para se provar dentro de quadra. Tem que brigar todo dia treinando, malhando, cuidando do físico. Eu perdi um pouco do foco, um pouco por causa da ansiedade. Mas eu não perdi a minha fé. Ao mesmo tempo, tenho que me provar também como atleta fora de quadra. É muito difícil. — desabafou a oposta do Osasco.
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A Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma liminar que determinou que a CBV permita a participação de Tifanny Abreu na partida contra o Praia Clube, na noite desta sexta-feira, e nos demais jogos da Superliga. A CBV poderia ser multada em caso de veto e prometeu recorrer à decisão para a competição nacional que começa em breve.
Tifanny Abreu é a primeira atleta transgênero na elite do vôlei brasileiro
Reprodução/Redes Sociais
— A medida deverá ser cumprida imediatamente, de modo a viabilizar a participação da autora na partida desta data, sob pena de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por partida em que a autora for impedida de atuar em razão do descumprimento — afirma o juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese, da 44ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, no documento que concede a liminar.
As inscrições das atletas do Osasco Vôlei foram aceitas pela CBV no fim da tarde de quinta-feira, com exceção de Tifanny, que ficou com a oficialização do registro pendente. Diante disso, a assessoria jurídica da atleta e do clube acionou a Justiça Desportiva com um mandado de garantia para o pedido de liminar a fim de garantir que ela possa participar da Supercopa e da Superliga enquanto o caso é analisado definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
No fim da manhã desta sexta-feira, a Justiça Desportiva negou a liminar e, a partir disso, a assessoria jurídica que cuida do caso da oposta com o clube apresentou um recurso ao Tribunal Pleno do STJD e entrou com o pedido de liminar na Justiça comum. A liminar, então, foi concedida uma hora e meia antes do jogo contra o Praia Clube que acontece em São Luís do Maranhão.
A Justiça concedeu a autorização provisória ao entender que Tifanny já disputa competições femininas no Brasil há quase uma década (desde 2017) com a autorização da própria CBV. O magistrado também viu uma transição injusta, compreendendo que a CBV mudou a regra no meio do caminho, sem dar um período de adaptação para atletas profissionais que já estavam competindo, nem deu chance de defesa/recurso prático antes da partida.
A defesa de Tifanny apresentou todos os estudos técnicos e científicos que asseguravam a participação da atleta nas competições com o Osasco há cinco anos.
Praia Clube 0 x 3 Osasco | Melhores momentos | Final | Supercopa feminina de vôlei 2026
Posicionamento da CBV
Em comunicado enviado à imprensa, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) afirmou que “apresentará os recursos cabíveis e adotará as medidas necessárias para a reversão da decisão”. Confira na íntegra o posicionamento da entidade:
“A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) foi comunicada de decisão do Juízo da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, proferida às 19h12 de hoje, que deferiu em parte pedido de tutela formulado pela atleta Tifanny Pereira de Abreu.
Em cumprimento à ordem judicial, e por força dela, a atleta terá, em caráter excepcional e provisório, condição de jogo na partida da Supercopa Feminina 2026 de hoje, e na Superliga Feminina 2026/2027.
A medida é provisória e o próprio Juízo consignou que a questão permanece submetida à Justiça Desportiva, onde tramita o Mandado de Garantia nº 002/2026, e que reapreciará a tutela tão logo seja noticiado o julgamento definitivo daquele processo.
A CBV apresentará os recursos cabíveis e adotará as medidas necessárias para a reversão da decisão.
A CBV reitera seu compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas e repudia qualquer manifestação discriminatória.”
1º set – Praia Clube (0) 0 x 2 Osasco – Ace de Tifanny
Relembre o caso
No início de outubro, Tifanny Abreu fez um forte desabafo no evento de lançamento da Superliga 2026/27, sobre nova regra que bane atletas trans de competições femininas de vôlei. Mesmo sem saber se poderá disputar a competição por causa da nova política de elegibilidade adotada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), a oposta representou o Osasco na cerimônia. Na saída, se emocionou ao comentar a situação. Ela afirmou que lutará pelo direito de voltar às quadras.
— Quero terminar a minha carreira de atletas com o pé direito, digna de uma aposentadoria, digna de falar eu comecei, eu terminei, eu inspirei e agora vou começar a ajudar outras pessoas fora de quadra. Não assim expulsa, não assim proibida, jogada na sarjeta como se nada tivesse acontecido. Eu espero que algo possa mudar. Se não for uma boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça. E que a justiça possa estar do meu lado, porque não faço nada de errado, só estou trabalhando — afirmou Tifanny.
A jogadora de 41 anos disputa a Superliga desde 2017 e está em sua sexta temporada pelo Osasco. Ela foi afetada pela decisão da CBV, anunciada em agosto, de adotar a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a elegibilidade de atletas na categoria feminina. Pela nova regra, as jogadoras deverão apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento masculino. A atleta que não comprovar a elegibilidade ficará impedida de disputar as competições
Veja o último ponto e a comemoração do título paulista do Osasco
Primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro, Tifanny teve sua continuidade no esporte afetada pela mudança. Desde o anúncio, ela recebeu apoio de diversas jogadoras e integrantes da comunidade do vôlei. Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira feminina, chegou a fazer um discurso antes do Pré-Olímpico criticando a decisão da CBV e defendendo a permanência de Tiffany na Superliga.
— É saber que eu poderia estar aqui sorrindo e representando meu esporte e não lutando por ser quem eu sou. É muito difícil porque são sonhos. Eu vou lutar até o final para que a história de Tifanny Abreu não termine desse jeito, que a história de pessoas trans não termine desse jeito e que eu continue inspirando pessoas. Quando eu terminar de jogar e estiver ocupando outros espaços, atletas no futuro falem que se inspiraram em Tifanny, que foi atleta e se aposentou com dignidade e não expulsa das quadras — falou Tifanny.
Campeã paulista, Tifanny evita falar em despedida do vôlei: “Ainda vou lutar”
Na última terça-feira, Tifanny liderou o Osasco na conquista do 19º título do Campeonato Paulista feminino de vôlei diante do Sesi-Bauru. Foi um misto de sentimentos para a jogadora, que evitou falar em despedida. Ela prometeu lutar para jogar a Superliga pela última vez, mesmo depois de a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ter mudado a política de elegibilidade para as competições nacionais femininas, impedindo a participação de mulheres transgênero.
– É uma felicidade muito grande poder fazer parte desse grande clube, o Osasco. Pode ser meu último jogo, né!? Meu primeiro jogo foi em Bauru, e o que pode ser o último também foi em Bauru. Se eu terminar agora, vou terminar muito feliz. Mas eu ainda vou lutar, porque eu quero jogar a Superliga este ano antes de me aposentar – disse a jogadora ao sportv.
Na tarde de quarta (14), Tifanny voltou a falar sobre o assunto em uma publicação nas suas redes sociais. Ele retificou que não vai desistir de lutar para seguir jogando.
– O esporte sempre foi a minha vida. E acredito profundamente que ele deve ser um espaço de respeito, inclusão, oportunidades e igualdade para todas as pessoas. Essa conquista também representa a força de quem segue lutando para existir, pertencer e ser respeitada. Não vou desistir! Não vou abrir mão da minha história e muito menos do meu direito de continuar exercendo a profissão que escolhi e à qual dediquei tantos anos da minha vida – escreveu a oposta. geRead More