Pedro Emanuel se diz orgulhoso do Vasco e minimiza erro de Léo Jardim: “Não vou abandonar”
O Vasco foi eliminado pelo Boca Juniors com derrota por 3 a 1 no Maracanã e deu adeus à Copa Sul-Americana nas semifinais do torneio. Apesar da queda, o técnico Pedro Emanuel se disse orgulhoso da equipe e ressaltou a campanha na competição, considerada, nas palavras dele, “descartada” quando assumiu o comando do time.
+ Veja como foi o jogo
+ Rivais provocam o Vasco após eliminação
+ Atuações: Léo Jardim é o pior, e Puma se salva; dê suas notas
— Eu acho que vocês começam a me conhecer. Não dou respostas emocionais, e sim racionais. Em razão da minha racionalidade, analisarei esse jogo de uma forma autocrítica. Mas temos muitos jogos ainda, muito trabalho pela frente. Levo dessa competição uma coisa que essa equipe conseguiu: quando chegamos há três meses, essa era uma competição desacreditada, descartada. E hoje essa equipe mostrou algo que deve deixar nossa torcida, nosso clube e a mim, principalmente, orgulhoso.
Pedro Emanuel em Vasco x Boca Juniors
André Durão
— Hoje enfrentamos o Boca, que tem muitas competições ganhas internacionalmente na América do Sul. O fato de termos ganhado na Bombonera não é nada. Chegamos a esse jogo com uma expectativa enorme, e compreendo a torcida, porque estávamos envolvidos nesse espírito. Tínhamos a expectativa que voltaríamos a uma final — destacou o treinador português.
O comandante do Vasco também fez questão de defender o goleiro Léo Jardim, destaque negativo no terceiro gol dos argentinos. No lance, Leandro Paredes chutou com efeito de fora da área, enganando o goleiro vascaíno.
— Quando nós chegamos a moral estava baixa, sequência de derrotas. Ainda bem que o nosso torcedor ficou desiludido quando estamos nessa semifinal com essa importância. Podem criticar os jogadores, mas sei que o erro individual pode ser superado com ajuda coletiva. Isso vamos ter que fazer. Sofremos um gol aos 88 minutos, em que Léo poderia fazer mais. Estamos aqui para apoiar. Já nos salvou muitas vezes. Não vou abandonar o Léo, e digo que é quem vai jogar no sábado. Isso faz parte do jogo. Protegemos uns aos outros. Ele é um grande profissional, um grande homem, um dos capitães da equipe, uma referencia que tem correspondido. Junto com o Léo, temos todos os outros que cometeram erros e tiveram força de dar a volta e mostrar uma segunda fase que poderíamos ter feito um resultado épico, com uma remontada. Tiveram coragem e vontade contra um adversário que tem uma história muito rica que não fomos capazes de superar — concluiu.
Pedro Emanuel em Vasco x Boca Junior, pela semifinal da Sul-Americana
André Durão
Além de Léo Jardim, Sosa e Saldivia também cometeram erros no segundo gol do Boca Juniors, marcado por Merentiel. Pedro Emanuel destacou a falha de recomposição do sistema defensivo e o gol de Di Lollo, que abriu o placar com apenas dois minutos, como fatores determinantes para a eliminação.
— Sofremos um gol com dois minutos, fruto de erros individuais, que faz parte do futebol. Por isso esse jogo é tão interessante, feito de erros. Sei que na primeira parte fomos quem mais erramos, e fomos penalizados. O Boca não fez uma partida extraordinária, mas aproveitou nossos erros técnicos, nossas falhas emocionais. Um gol aos dois minutos altera a estratégia. No minuto seguinte tivemos uma oportunidade clara para empatar o jogo e não conseguimos concretizar. Tudo isso pesa. O Boca teve o trabalho facilitado na primeira parte. Nos três erros que cometemos, foram dois gols. Vimos que o Boca ganhou outro jogo com dois erros de transição — completou o português.
Veja outras respostas de Pedro Emanuel
Desenrolar do jogo:
— O que levo deste jogo é que na segunda parte, a equipe não desistiu. Mesmo não jogando bem, tentamos. Quem entrou introduziu uma nova energia, uma nova dinâmica. Na segunda parte, honestamente não vi o Boca ser aquilo que pretende. Conseguimos ser mais agressivos e chegar perto do gol. Por isso fizemos um gol, pudemos tentar. O jogo estava em aberto. Respondendo objetivamente: ninguém está em fim de ciclo. Hoje é um dia doloroso para todos nós. Para quem tem expectativas altas como nós temos. Mas em uma competição que era terciária, lutamos. Estou aqui para receber críticas, refletir sobre elas, e fazer com que a equipe amanhã lute, depois de todo o espetáculo que proporcionamos no Maracanã. Perdemos. Custa aceitar, mas perdemos e temos que dar os parabéns para o adversário, que conseguiu aproveitar aquilo que não conseguimos, que foram as oportunidades.
Ausência de Andrés Gómez:
— O Andrés tem características diferentes daqueles que jogaram. Dá uma dinâmica diferente a nossa equipe quando joga. Quando começamos a perder no minuto 1’30”. Tudo que esperávamos que iria acontecer, foi adulterado. O adversário conquistou por mérito. Os jogadores que entraram acreditei que pudessem corresponder… a culpa também é minha. Aquilo que pretendia com a entrada do Adson e DVD acabaram por não ser aproveitado por nós. Na primeira fomos muito precipitados, muitos erros técnicos, falhas de passe. As bolas também não chegaram em boas condições aos homens da frente. O Andrés podia ter posto a partida com comportamento. Nós ficamos surpresos. Conseguimos ser valentes o suficientes para sair com uma vitória na Bombonera. Tentamos duas formas diferentes, na segunda parte mais objetivos. Foi uma pena no final. Não é fácil entrar num jogo com o Boca, perder por 2 a 0 em nossa casa e fazer a segunda parte que fizemos. Não há justiça ou injustiça, há o resultado. Acho que merecíamos mais. Senti um orgulho enorme, e toda nossa torcida também. Fizemos uma boa prova. Queríamos estar na final.
Moral da torcida e próximo jogo:
— Sem dúvida é um jogo fundamental para nós. Para nós e para o Corinthians. Estamos os dois na mesma situação. Jogamos em casa e a favor da torcida. Eu tenho certeza absoluta de que a nossa torcida não vai nos abandonar. O apoio que temos desde que cheguei, não tenho o que reclamar. Ganhamos e perdemos jogos, mas eles estiveram sempre presentes e, como acontece no final, tanto quando ganhamos como quando perdemos, eles têm todo o direito de se manifestar. Mas, durante o jogo, eles mandam uma energia, uma força enorme. Contamos com eles para serem um dos fatores para elevar a nossa moral e nossa capacidade de sermos competitivos, como fomos hoje. Ficamos todos tristes, não tem o que fazer. Isso faz parte da vida; às vezes as coisas não saem como nós planejamos, e temos que ter a sagacidade, perseverança e, acima de tudo, acreditar no nosso trabalho. E eu sinto que o que demonstramos hoje é de uma equipe muito competitiva. Temos que voltar a ser competitivos no sábado, porque sabemos que vamos ter um desafio árduo contra uma equipe que precisa bastante, mas estamos aqui para preparar bem. Hoje não. Hoje temos que chorar, temos que derramar as lágrimas por tudo aquilo que tínhamos expectativas e que não aconteceram.
O que faltou?
— Toda gente sabe… é uma trajetória da bola, que estava escorregadia, o gramado é novo… mas poderia ter feito melhor. Poderíamos ter começado melhor no escanteio. Tem jogadores fortes, um deles fez gol. Erro nosso. Vem uma situação nossa que podemos empatar, não fazemos. Começamos a precipitar, com e sem bola. Pressionamos mais alto, o Boca começou a lançar nas alas. Começamos a precipitar na tomada de decisão e permitimos o adversário a ser melhor do que era na realidade. Faltou mais acutilância para agredir o gol do adversário. Tínhamos remates que poderíamos ter enquadrado melhor. No final, merecíamos mais qualquer coisa desse jogo, pelo menos marcar mais um gol. Na segunda parte o Boca fez menos finalizações. Ainda nessa questão do Paredes… sabemos que o Boca é diferente com Paredes e sem Paredes. O Boca quer mais a bola quando tem Paredes por dentro, e no único momento que libertamos o Paredes, faz o gol que decide uma semifinal. Temos humildade para reconhecer que não fomos fortes na primeira parte como devemos ser como equipe. Temos que olhar para o que foi a capacidade que tivemos como equipe para nos reoarnzia e continuar nossa caminhada. Não posso dizer o contrário… mostra meu orgulho. Não minto a dizer que não está tudo bem. Não está. Poderíamos ter feito mais, mas alguém tem que perder e hoje fomos nós.
Administração da vantagem:
— De fato nós só ganhamos maturidade jogando esse tipo de jogo. Há alguns anos não estávamos presentes em fases como esse. Alguns jogadores não vivenciaram. Se calhar, a partir de hoje começam a crescer e a perceber o que é alta competição e o que é jogar para ganhar títulos. Temos mantido uma cultura de vitória. É importante o Vasco voltar a ter. O Vasco é clube com tradição e história riquíssima, mas que tem estado longe disso. Temos que voltar a ter esse tipo de mística dentro do clube para lutar por troféus. Apenas competindo como competimos hoje… temos que voltar a criar dentro do Vasco. Hoje senti orgulho do que foi vivenciar um jogo no Maracanã tão cheio e tão vibrante como foi. Amo futebol… a paixão e energia que senti hoje é inigualável. Isso valeu a minha vida para conhecer o futebol brasileiro. Merecíamos mais, mas não fomos capazes.
Jogadores sentiram o peso do jogo?
— Não. Não concordo. Antes do gol foi o que? Um minuto e meio? Não deu nem para sentir. Jogar no Maracanã, com 60 mil, as expectativas grandes, não é para qualquer um. É preciso daqueles jogadores que fazem a diferença. O gol é sempre um fator determinante, mas tão cedo de um segundo jogo… mentalmente condiciona mais. É uma sequência de pensamentos. Concedemos dois momentos em que o adversário poderia ter feito, e acaba por fazer o 2 a 0. Não é que tivéssemos melhorado muito o jogo, mas fomos mais serenos. Nossos remates foram superiores na segunda parte porque fizemos nosso jogo, mas não foi suficiente. A reação foi boa. Da forma que foi… remate de fora da área, de longe, mas acabou por ditar a eliminatória um jogador que sabíamos que era importante para eles.
Sobre não fazer a quinta substituição do Vasco:
— As alterações que nós fizemos no intervalo logo deram resultado. Depois tivemos a situação do PH, que estava desgastado por um choque que teve e estava um pouco debilitado, e procurávamos mais atacar, e fazia mais sentido o Puma entrar, e ainda bem que entrou, porque ele nos devolveu a esperança no resultado. Senti que a equipe estava bem. Ter cinco substituições num jogo dessa natureza pode ser benéfico em determinado momento, e, a partir de outro momento, pode deixar de ser. Por exemplo, trocar o Jair pelo Sosa, que até faz um jogo extraordinário e que estava um pouco desgastado. Ou o Lescano, como aconteceu no final, mas em uma situação de desespero. Não pareceu ser fundamental porque estávamos bem no jogo, estávamos controlando. Aconteceu aquilo que não esperávamos, um chute de, sei lá, 40 metros, e o gol surgiu ali. Porque até ali nós reequilibramos novamente; os jogadores que entram, entram bem. Mesmo o Cuiabano, que tem sido um dos jogadores mais desgastados, foi muito bem até o final. Faltavam 4, 5 minutos, e em seguida teríamos os pênaltis. E teríamos jogadores com capacidade de poder, se não conseguíssemos marcar o segundo gol, ter a capacidade de poder ter dentro de campo 5, 6, 7 jogadores com capacidade. Não é que os outros não tivessem, mas era um momento difícil. Achei que não seria determinante para o desfecho do jogo.
Próximos jogos:
— Eu quando fui apresentado disse que tínhamos três frentes e íamos jogar as três frentes. O mais difícil era o Campeonato Brasileiro, e era isso que iriamos dar mais importância entre aspas. Damos importância para conquistar troféus e temos o campeonato que temos que fazer a nossa parte. Se quisermos ser minimamente positivos, nos últimos cinco jogos fizemos 10 pontos. Se essa média continuar, naturalmente que isso dá uma noção do trabalho que estamos fazendo. Isso que vamos valorizar jogo a jogo. A tomada de decisão para quem joga esse jogo não tem relação com quem joga no sábado. Não vou tirar a ambição daquilo que queremos. Somos uma das poucas equipes tão sacrificadas nesse sentido. Mostramos que, independentemente de tudo, fomos competitivos. Portanto, acho que tem que ser motivo orgulho. Temos a noção de que as coisas são difíceis. Vai ser uma luta até o final, mas não só para nós. Sabemos o que queremos e o que temos que fazer, mas tem muita gente com esse pensamento.
Duelo contra o Corinthians:
— Quem não quiser pressão, não pode estar no Vasco. Já estivemos na zona de rebaixamento… quem não quiser pressão, não venha para o Vasco. A pressão não é só do torcedor, é a capacidade que temos para demonstrar que com a qualidade de jogo que temos apresentado. Mesmo com o São Paulo acho que criamos situações para empatar o jogo, fizemos um jogo competitivo contra uma equipe forte em casa. Olhando para isso, vamos olhar jogo a jogo. O mais importante é o Corinthians, porque é o próximo.
Faltou um homem de área?
— Olho para o Bruno Duarte como sendo homem de área. O posicionamento dele pode não parecer, mas chegamos. Não é só o camisa 9… é muito mais que um 9 para chegar na área. Minha intenção quando chegamos a área é ter o 8, 11, o 7, o 10 na área. Não é só Bruno Duarte que tem feito, faz Gómez, faz Colidio, faz DVD, faz Thiago, faz Lescano. Se quiser voltar a ver e rever, te dá perspectiva do que é jogar, que foi contra o Coritiba. Muitas equipes tem um camisa 9 que faz quatro gols quando ganha de 5 a 0. Nós temos cinco jogadores que fazem gols quando ganhamos de 5 a 0.
Qualidade na finalização:
— Acho que estas estatísticas estão desvirtuadas em relação ao que foi o jogo. Tivemos uma situação com Adson, depois igual a do Boca em um escanteio. Thiago aparece sozinho na área. Foram as situações na primeira parte. Faltou o que falamos: serenidade, personalidade, experiência para pausar o jogo com bola. É nesses grandes jogos que ganhamos essa capacidade. Não ser precipitados. Mesmo na Bombonera, que é difícil, no Morumbis, tivemos na casa de um dos melhores mandantes, tivemos mais 50% remates que tiveram. Hoje foi um jogo diferente, um espetáculo diferente. Merecíamos um final melhor, ou um final mais emocionantes do que foi o jogo todo. Não ganharíamos nos 90 mais acréscimos, mas ganharíamos nos pênaltis. Conseguimos alimentar essa expectativa na nossa torcida.
+ ✅Clique aqui para seguir o canal ge Vasco no WhatsApp
🗞️ Leia mais notícias do Vasco
🎧 Ouça o podcast GE Vasco 🎧
Assista tudo sobre o Vasco no ge, na Globo e no SporTV: geRead More


