Sem jogar no profissional do Santos, Matheus Oliveira vira “mais famoso que Neymar” na Coreia
Ex- Santos, meia Matheus Oliveira, se destaca na Coreia do Sul
Sem estrear pelo time principal do Santos, Matheus Oliveira precisou rodar bastante até encontrar o lugar onde se sente em casa no futebol. Hoje, do outro lado do mundo, o meia-atacante vive a melhor fase da carreira no Anyang, da Coreia do Sul, onde virou referência dentro de campo e personagem popular fora dele.
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A fama a que chegou no país asiático rende até comparação improvável. Na cidade de Anyang, localizada a 21 quilômetros de Seul, o jogador conta que a esposa costuma brincar dizendo que ele é mais conhecido ali do que Neymar em Santos.
Formado na base santista, Matheus atua no Anyang desde 2024. Nesse período, foi um dos destaques da campanha do título da segunda divisão nacional e do acesso, além de se transformar em referência em um clube fundado em 2013.
– Meus amigos acham que é exagero, mas eu falo que é surreal. Aqui me chamam de “Matequim”. Minha esposa brinca que, em Anyang, eu sou mais famoso do que o Neymar em Santos (risos) – comentou Matheus, em entrevista ao ge.
– Às vezes vou buscar meu filho na escola e as pessoas param o carro para tirar foto. No shopping acontece a mesma coisa. Eu saio na rua e começam a gritar “Matequim”. Meu filho e minha esposa já entram na onda. É um carinho muito grande, e isso é muito gratificante.
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Matheus chegou ao Santos em 2013, depois de passagem pelo Pão de Açúcar, atual Osasco Audax, para reforçar o sub-17. Na base, conviveu com jogadores como Diego Pituca, Lucas Crispim e Arthur Gomes e guarda a passagem pelo clube como um divisor de águas fora de campo.
– O Santos me ajudou muito. Consegui tirar minha família da comunidade onde eu morava, e eu brinco com meus pais que o Santos nos deu tudo. Mesmo sem ter jogado muito no profissional, mudou a nossa vida. Aprendi demais ali.
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Ex-Santos, Matheus Oliveira se destaca pelo Anyang, da Coreia do Sul
Divulgação/Anyang
No clube, ele ainda passou pelo sub-23, comandado por Kleiton Lima, e chegou a ser promovido por Dorival Júnior em 2017. A estreia no time principal, porém, não aconteceu.
– Acho que me faltou entender melhor o tamanho da oportunidade. Quando subi, eu olhava para os caras do meu lado e pensava: “Caraca, estou no Santos”. Tinha Lucas Lima, Ricardo Oliveira, Bruno Henrique, Victor Ferraz… Eu admirava muito aquilo tudo.
– Talvez tenha faltado virar a chave e pensar mais em competir por espaço. Eu trabalhava, mas hoje vejo que podia ter acreditado mais que também tinha condição de jogar.
Entre 2018 e 2023, Matheus passou por RB Brasil, Guarani, Ponte Preta, Oeste, Brasil de Pelotas, Atlético-GO, Remo, Água Santa e Mirassol antes de chegar ao São Bernardo. Foi no clube do ABC paulista que apareceu a chance de atuar na Coreia do Sul.
O primeiro contato com o Anyang foi na pré-temporada, realizada na Tailândia por causa do inverno rigoroso na Coreia do Sul. A mudança, no entanto, não foi simples. Além da diferença cultural, o meia precisou se adaptar ao frio extremo e ao estilo de jogo local.
– A diferença cultural assusta um pouco no começo. Segurança, limpeza, organização… é tudo muito diferente. E no futebol também muda bastante. O jogador coreano é muito intenso, corre muito. A gente gosta mais da bola no pé, então precisa se adaptar rápido.
– O mais complicado para mim foi o frio. A pré-temporada foi na Tailândia, no calor, então estava tudo certo. Quando cheguei à Coreia, era neve, frio e jogo. Na estreia, acho que fazia uns sete graus negativos. Pensei: “Acho que desaprendi a jogar bola” (risos).
Matheus Oliveira atua pelo Anyang, da Coreia do Sul
Divulgação/Anyang
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O começo foi abaixo do esperado, e Matheus atribui boa parte das dificuldades à distância da família. Na época, a esposa estava no Brasil, grávida de gêmeos, e a chegada dela à Coreia mudou a trajetória do jogador por lá.
– Eu sou muito família e sentia muito a distância. Minha esposa estava no Brasil para ter os gêmeos, e eu falei que precisava deles por perto. Quando ela conseguiu viajar, tudo mudou.
– No jogo seguinte à confirmação de que ela vinha, fiz dois gols. Depois que ela chegou, eu não parei mais de fazer gol e dar assistência. Virou a chave para mim.
Matheus Oliveira com a família em jogo do Anyang
Arquivo pessoal
A arrancada levou Matheus a um protagonismo raro. Ele foi o líder em assistências da segunda divisão da Coreia do Sul, com 11 passes para gol, entrou para a seleção do campeonato e ainda foi eleito o melhor jogador da competição. De quebra, ajudou o Anyang a conquistar o título e o acesso.
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Em 2026, o brasileiro voltou a empilhar bons números. Com 12 gols, aparece em quarto lugar na artilharia do Campeonato Sul-Coreano. A liderança é dividida por Patryk Klimala, do Seoul, e pelo brasileiro Yago Cariello, do Ulsan, ambos com 16.
O Anyang ocupa a oitava colocação, com 42 pontos, e também está classificado para as quartas de final da copa nacional. Recentemente, Matheus alcançou a marca de 100 jogos e 29 gols pelo clube.
Matheus Oliveira atua pelo Anyang, da Coreia do Sul
Divulgação/Anyang
Apesar da fase especial na Coreia do Sul, Matheus não descarta um retorno ao futebol brasileiro. Segundo ele, já houve sondagens, mas a avaliação é de que ainda não é a hora de voltar.
– Meus empresários me passaram que houve sondagens de clubes das Séries A e B. Mas acho que esse ainda não é o momento. Estou vivendo muito bem aqui, e quando você tem filhos pesa também a segurança, a qualidade de vida, o aprendizado.
– Eu quero voltar ao Brasil um dia, claro. Jogar em casa tem um valor muito grande. Mas, neste momento, penso em seguir mais um tempo por aqui e depois ver o que acontece.
Matheus Oliveira junto da torcida do Anyang, da Coreia do Sul
Divulgação/Anyang geRead More


