Sarinha leva sonho de Cuiabá à Copa do Mundo após mudança da família para São Paulo
Canadá 2 x 6 Brasil | Gols | 1ª rodada | Copa do Mundo Feminina sub-17
Aos 16 anos, a cuiabana Sarah Coelho, conhecida como Sarinha, disputa a Copa do Mundo Feminina Sub-17, no Marrocos, depois de uma trajetória marcada pela dedicação ao futebol e pelo apoio da família. Jogadora do São Paulo e integrante da Seleção Brasileira, ela começou a jogar bola nas ruas de Cuiabá e contou com os pais para superar as dificuldades de encontrar espaço no futebol feminino e seguir o sonho de se tornar atleta profissional.
O próximo desafio será neste sábado, contra a Noruega, pela terceira rodada da fase de grupos do Mundial. A partida está marcada para 12h (horário de Brasília), e é decisiva para as pretensões brasileiras de avançar à próxima fase.
Sarinha em treino da Seleção Sub-17 para Copa do Mundo no Marrocos
Fabio Souza / CBF
A trajetória até a Seleção começou longe dos grandes centros do futebol feminino. Em Cuiabá, os primeiros contatos com a bola aconteceram nas brincadeiras com o pai e o tio, nas ruas próximas de casa. O que começou como diversão rapidamente se transformou em objetivo.
— No primeiro toque de bola lá na rua, eu já falei: “Eu quero ser jogadora de futebol”. E eles me apoiaram muito — contou Sarinha em entrevista à CBF TV.
Sarinha com o tio Joelson Alves e pai Guilherme Cardoso
Arquivo pessoal
Primeiros passos em Cuiabá
Natural da capital mato-grossense, Sarinha começou a jogar ainda criança, por volta dos seis anos. Na época, encontrar uma escolinha que aceitasse meninas não era simples. Os pais procuraram diferentes locais, mas ouviram negativas por falta de equipes femininas.
A primeira oportunidade veio na Associação de Cabos e Soldados (ACS). Depois, a família também insistiu para que ela pudesse jogar na escola onde estudava. Sarinha era a única menina entre os garotos.
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A adaptação nem sempre foi fácil. Ela conta que, no início, alguns meninos ficavam incomodados quando eram driblados, mas a convivência melhorou com o tempo. A presença da cuiabana também passou a despertar o interesse de outras meninas pelo futebol.
— Eu me sinto orgulhosa de inspirar outras meninas. Se elas se inspiram em mim, eu também já me inspirei em outras meninas para começar a jogar futebol. É uma coisa que uma vai inspirar a outra — afirmou.
Cuiabana Sarinha em entrevista na CBF TV
Reprodução CBF TV
A busca por oportunidades levou a família a olhar para fora de Mato Grosso. Quando Sarinha tinha entre oito e nove anos, a mãe, Luanna Coelho, encontrou uma possibilidade de avaliação no Centro Olímpico, em São Paulo.
A viagem havia sido planejada para poucos dias, mas a aprovação na primeira etapa exigiu que a família prolongasse a estadia para uma segunda avaliação. Sarinha passou também nessa fase e iniciou um caminho de formação longe de casa.
Família mudou de cidade pelo sonho
Aos 12 anos, Sarinha recebeu a oportunidade de seguir para o São Paulo, após ser observada por um treinador que havia trabalhado no Centro Olímpico. Para aproveitar a chance, porém, a família precisou reorganizar a própria vida.
A mãe estava grávida na época, e a mudança foi planejada durante cerca de um ano. No início, ela se estabeleceu em São Paulo com Sarinha e os outros dois filhos, enquanto o pai permaneceu em Cuiabá para sustentar a família. Mais tarde, ele também se mudou para a capital paulista, onde conseguiu trabalho como segurança.
A adaptação exigiu esforço financeiro e emocional, mas o apoio familiar foi determinante para que a jogadora desse sequência à formação no futebol.
— Minha família toda se mudou por um sonho. Minha mãe ficou durante um ano comigo e com os meus dois irmãos, enquanto meu pai, ralando lá em Cuiabá, sustentava a gente — relembrou a atleta.
Sarinha com a família durante treino da seleção brasileira feminina sub-17
Arquivo pessoal
Sarinha vê a carreira também como uma maneira de retribuir o que recebeu dos pais e dos familiares que continuam em Mato Grosso.
— O meu propósito hoje no futebol é dar orgulho para eles, sabe? Por tudo que fizeram por mim. Meus pais e meus irmãos fizeram tudo de melhor para que eu conseguisse estar aqui hoje. Se não fossem eles, eu não estaria aqui — disse.
No futebol de base, a cuiabana conquistou títulos pelas equipes Sub-15 e Sub-17 do São Paulo. O desempenho no clube também abriu caminho para as convocações às seleções brasileiras.
Da primeira convocação ao Mundial
A primeira oportunidade na Seleção chegou em 2025, quando Sarinha foi chamada para a equipe Sub-15. A notícia foi recebida com emoção, ao lado da mãe, e marcou a realização de um objetivo que ela alimentava desde o início da trajetória no esporte.
Naquele ano, a jogadora integrou a equipe campeã da Conmebol Liga Evolución Feminina Sub-15, disputada no Paraguai. Sarinha foi capitã do Brasil na campanha que terminou com vitória sobre a Argentina nos pênaltis.
Em 2026, ela também fez parte da campanha do título sul-americano da Seleção Sub-17, resultado que garantiu ao Brasil uma vaga na Copa do Mundo da categoria.
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A convocação para o Mundial teve um significado especial porque veio após um período difícil. Sarinha passou três meses afastada dos gramados por causa de uma lesão e precisou trabalhar para recuperar a condição de jogo.
— Quando recebi a notícia de que eu estaria nessa lista para o Mundial, foi só emoção e felicidade. Saber que todo o esforço, toda a dedicação e tudo o que passei estavam valendo a pena foi muito especial — contou.
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Com a camisa 6 da Seleção no Marrocos, Sarinha também tem sido utilizada em diferentes funções pela comissão técnica. Volante de origem, ela atuou na posição na estreia, na vitória por 6 a 2 sobre o Canadá, e foi escalada como zagueira no segundo jogo, no empate por 3 a 3 com Gana, mostrando versatilidade para contribuir em mais de uma função durante a competição.
Brasil encara a Noruega em duelo decisivo
A Seleção Brasileira volta a campo neste sábado para enfrentar a Noruega, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo Feminina Sub-17. A partida está marcada para as 12h, no horário de Brasília.
Depois de duas rodadas, o Brasil soma quatro pontos no Grupo C. Canadá e Noruega têm três pontos cada, enquanto Gana aparece com um. O resultado diante das norueguesas será importante para definir a situação brasileira na disputa por uma vaga na próxima fase.
Sarinha pela seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina Sub-17
CBF
Para Sarinha, a capacidade de competir e a força mental estão entre os principais fatores para enfrentar o nível de exigência de uma Copa do Mundo.
— Os principais desafios numa Copa do Mundo são suportar o processo aqui dentro. Tem que ter uma mentalidade muito boa, uma competitividade lá em cima. Nosso maior poder é a nossa mentalidade, o jeito como a gente compete com as outras seleções. Seja na energia, na garra ou na força, a gente sempre vai competir — avaliou.
Gana 3 x 3 Brasil | Melhores Momentos | 2ª rodada | Copa do Mundo Feminina Sub-17 2026
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