RÁDIO BPA

TV BPA

Campeões do primeiro Fight do Milhão revelam como usaram prêmios de R$ 500 mil

Campeões do primeiro Fight do Milhão revelam como usaram prêmios de R$ 500 mil

Fight do Milhão distribui maior premiação do MMA brasileiro
Pouco antes de conhecermos os campeões da temporada 2026 do Fight do Milhão neste sábado, em São Paulo, o Combate.com conversou com os dois vencedores do torneio no ano passado, os primeiros donos dos títulos de Rei e Rainha da Selva. Marcelo Medeiros, campeão no peso-leve (até 70kg), e Leidiane Fernandes, campeã no peso-mosca (até 57kg), relembram a primeira coisa que fizeram com o prêmio de R$ 500 mil para cada, falaram do reconhecimento, mandaram recados aos finalistas deste ano e olham para o futuro.
A TV Globo exibe no sábado (24) as duas finais do Fight do Milhão ao vivo após o Altas Horas. O Combate e o sportv 3 transmitem o Jungle Fight 156 na íntegra e ao vivo a partir de 20h (de Brasília). Os ingressos são gratuitos e podem ser reservados clicando aqui.
Finalistas do Fight do Milhão batem peso e trocam provocações em pesagem quente
De súplica ao chefe à final do Fight do Milhão: Ernane Pimenta conta perrengues da carreira
Marcelo Medeiros e Leidiane Fernandes são os campeões da primeira temporada do Fight do Milhão
Carlos Ventura/Jungle Fight
Primeiro gasto com o prêmio
Marcelo Medeiros, que passou por Bruno Sarrada, Carlos Mistoca e Arcângelo Anjo para se tornar campeão, cita promessa cumprida com mão do adversário logo que o prêmio chegou.
– A primeira coisa que fiz foi cumprir a promessa para a mãe do Arcângelo. Quando caiu, já mandei mensagem e peguei pix dela. Depois, peguei um rapaz para terminar a casa do meu pai, que tinha prometido a ele. Peguei minha família e fui para Porto de Galinhas, fiquei uma semana descansando. Eu já tinha a mentalidade de investidor, e para você ter uma ideia investi tão bem que toda essa grana que, digamos, distribuí, já recuperei de volta.
R$ 1 milhão na mesa: o que os finalistas do Fight do Milhão fariam com o prêmio?
Fabrício Bakai supera luto duplo e mira título do Fight do Milhão após cinco anos longe da filha
Marcelo Medeiros conta o que fez com prêmio do Fight do Milhão
Leidiane chegou ao título tendo perdido e sido eliminada por Yasmin Guimarães na primeira rodada. Mas como Layze Cerqueira falhou no corte de peso da semifinal, Leidiane retornou para uma revanche com Yasmin, e dessa vez venceu para ir à final. Ela bateu Brena Cardozo na decisão.
– A primeira coisa que fiz foi quitar as dívidas. Se a gente não comprar e não botar parcelado a gente não tem nada. Ainda estou me organizando para ver minha casa, vendo um lugar melhor e próximo do treino. E fui ver um carrinho para me ajudar nos treinos. Você estar todo dia no ponto esperando o ônibus, aquela correria, mas ter um carrinho pra se locomover fica até mais rápido e você consegue ter um pouco mais de descanso. Depois do treino toma um banho e entra dentro do seu carro, chega em casa e descansa. Comprei materiais que estavam faltando, suplementação, consegui dar uma respirada muito grande. Foi aquela mudança da água para o vinho.
Leidiane Fernandes conta qual foi primeiro gasto com prêmio do Fight do Milhão
Falta de patrocínios mesmo com título
Para Marcelo Medeiros, o título não atraiu tantas oportunidades de patrocínios. Na verdade, ele recusou se vincular a uma casa de apostas, regulamentadas à época. Surgiram apoiadores, mas não financeiros.
– Apareceram coisas de jogos, que não curti. Seriam patrocínios melhores do que os que tenho em valores, mas dinheiro não é tudo. São coisas que não concordo, então falei que dessa forma não funciona. “Não, você divulga, ganha uma parte, vai pagar um fixo pra você”, mas não dá. Apareceram outros apoiadores, mas é mais coisa de treino, suplemento, não monetário, mas está tudo ok.
Leidiane Fernandes lamenta falta de patrocínios após conquistar Fight do Milhão
Leidiane, que ainda trabalha como segurança numa refinaria no Rio de Janeiro, foi dura ao lamentar a falta de propostas de patrocínios, mesmo após a conquista.
– Fico muito triste em falar nessa situação. Um evento tão grande como o Jungle Fight, uma visibilidade incrível, e não consegui patrocínio ainda. Ainda continuo trabalhando. A galera fala “é um bom dinheiro”, mas acaba. A gente vai comprando, resolvendo, quitando, então não fica para sempre. O atleta de alto nível é caro, é suplemente, é uma boa alimentação, nutricionista, psicólogo, mais isso e aquilo (…). É triste falar isso de um país tão grandioso como é o Brasil. Poderia ter um apoiador, largar meu trabalhado e poder viver só da luta, mas ainda não tive esse momento. Só escuto “nossa campeã”, “a menina do Jungle”, e “a menina da Selva”, e acredito que tenham empresários que podem acreditar e ajudar um atleta.
Reconhecimentos
A menos de duas semanas de completar 41 anos, Medeiros acredita que o que conquistou numa idade mais avançada no alto rendimento o transformou numa motivação para outras pessoas.
– Percebo que muitos me têm como referência. Com quem converso, com quem me parabeniza, com atletas que estão correndo atrás, com pessoas que achavam que não era possível fazer, eles falam: “Marcelo, com 40 anos você meteu as caras, você é referência”. Fiquei muito conhecido. Nesse final de semana fui tomar um caldo de cana e o cara não quis cobrar. “Não, você é o campeão do Fight do Milhão, vamos tirar uma foto”. O pessoal tem essa visão de que consegui algo grande (…). A minha vontade de crescer só aumentou, não tenho vontade de parar.
Marcelo Medeiros relata ter passado a ser visto com referência após vencer Fight do Milhão
Leidiane destacou o reconhecimento das pessoas que moram perto dele, e que antes não acompanhavam sua trajetória na luta e agora reconhecem o seu feito. Ela ressaltou a importância que o evento teve em sua vida.
– Pessoas que nem gostam de luta, mas que tiraram um pouquinho do seu tempo para assistir. Até a galera do meu bairro que me conhecia de vista, mas nunca me acompanhou, que quando fala a “menina de Marechal” viu que eu era aqui do bairro e se animou e assistiu a luta. Sempre falo que essa luta do Jungle foi o dia mais importante da minha vida. Foi um dia que ficou marcado no meu coração, ficou marcado na minha história. Acredito que vão vir muitas bençãos na minha vida, mas essa foi uma porta aberta para tudo que vou alcançar lá na frente. O Jungle Fight abriu inúmeras portas para mim. Sou muito grata a esse evento e pela oportunidade que o Wallid me deu, e que está dando a vários atletas.
Recado aos finalistas de 2026
Neste sábado, o torneio meio-médio (até 77kg) será decidido por Ernane Pimenta e Fabrício Bakai, enquanto no peso-palha (até 52kg) a final é entre Nágila Goku e Bianca Sattelmayer.
– Quero parabenizar os quatro por estarem na final. Para ter chegado não foi fácil, é perda de peso, sparring, sofrimento… Meu respeito e admiração por todos os atletas que estão na final. Infelizmente, só vai vencer um. Sei que cada um tem sua correria, seu motivo almejando esse dinheiro, mas só dá para sair um homem e uma mulher. Ali naquela luta é inteligência, não adianta pegar e sair trocando. Não, é um jogo inteligente porque agora é uma final. Tive o prazer de conhecer a Nágila Goku, é uma menina incrível, a gente pegou um carinho grande uma pela outra. Na minha final ela foi lá só para me prestigiar. As duas estão de parabéns, mas pude conhecer e ter aquele pouco de mais apego e estou torcendo para a Nágila Goku.
Marcelo Medeiros manda recado a finalistas do Fight do Milhão de 2026
Marcelo destacou a importância de estar focado apenas no momento da luta, sem levar para o cage a pressão de tudo que está ao redor daquele momento.
– Vou falar porque participei, vivi, sei da pressão que é, sei da dificuldade que é. Sei muitas vezes da dúvida, que é do ser humano, a gente tem as nossas dificuldades, mas a gente tem que acreditar no nosso trabalho. Tem que acreditar no trabalho dos nossos treinadores, nas pessoas que estão com a gente. E a gente tem que dar tudo, é questão de vida ou morte, tem que entrar com tudo, acreditando que você pode fazer, acreditando que você pode conseguir (…). Não arriscaria dizer quem vai vencer, cada um tem uma característica mais forte, é coração, a luta é muito mentalidade. Aquele que pisar dentro do cage com o coração mais leve, com o corpo mais leve, com a mente mais focada, é quem vai vencer. Não pode entrar com peso nas costas. Quando fui lutar, entrei tranquilo, 100% focado no combate. E assim fiz uma ótima luta.
O que vem por aí?
Depois do título do Fight do Milhão, em outubro de 2025, Leidiane Fernandes passou por uma cirurgia na mão direita. Depois, quando voltou a lutar em abril passado, estreou numa luta internacional logo numa disputa de título no Oktagon. Após um bom início de luta contra Lucia Szabová, acabou nocauteada no terceiro round. No final, ficou sem o cinturão e ganhou uma nova cirurgia, agora no ombro. Ela está em fase final de recuperação para voltar a lutar na organização europeia.
– Sempre quis lutar fora do Brasil, fiquei muito feliz pela oportunidade que tive, cheguei na Europa lutando pelo cinturão. Vou ser sincera: fiquei muito triste pela minha perda, pelo meu ombro ter saído do lugar, mas prezo muito por uma coisa. Na minha vida tudo acontece com permissão de Deus. Se isso aconteceu é porque é o processo que preciso passar e entender. Quando cheguei no Oktagon, falei: estou num evento top e cheguei nesse nível. Acredito que vou voltar mais forte e vou em busca desse cinturão. É uma vontade que está dentro de mim, estou pronta para estar nesse evento.
Leidiane Fernandes revela choro no dia seguinte ao título do Fight do Milhão
Leidiane ainda se mostrou animada com a possibilidade de um novo torneio peso-mosca na temporada 2027 do Fight do Milhão. Quem sabe para defender seu título.
– Essa notícia é boa. não sabia. Pensei que fariam o GP de 61kg. Gostei dessa notícia, eu topo. com certeza!
Leidiane Fernandes no Oktagon 87
@oktagonmma
Marcelo Medeiros voltou a lutar em março, um mês antes de Leidiane, e venceu um novo encontro com Carlos Mistoca, depois que a semifinal entre eles terminou de forma polêmica. O lutador paulista dominou completamente o duelo e castigou o rival até a luta ser paralisada por ordem médico no terceiro round. Ele volta a lutar no próximo mês, novamente no Jungle Fight.
– Recebi umas propostas para lutar na Rússia, mas decidi não ir por motivos pessoais. Mas Marcelinho vai sair na porrada mês que vem, em novembro, e já estou me preparando! Falei para o Wallid arrumar uma confusão pra mim, e vai ser em 28 de novembro. Por enquanto, esse ano é o compromisso que tenho. Fu convidado também para fazer uma luta de boxe, mas já descartei porque quero focar nessa luta. Não conheço meu adversário, deve sair no início do mês. Estou me preparando forte, com aquela cabeça boa, e vou fazer esse combate e pensar em novas coisas no começo do ano que vem. Vamos defender esse cinturão porque é muito importante.
Jungle Fight 156
24 de outubro de 2026, às 20h (de Brasília), em São Paulo
CARD DO EVENTO:
Peso-palha: Bianca Sattelmayer x Nágila Goku (Final feminina Fight do Milhão)
Peso-meio-médio: Fabrício Bakai x Ernane Pimenta (Final masculina Fight do Milhão)
Peso-meio-médio: Matheus Araújo x Rafael Silva
Peso-palha: Day Monster x Regiane Martins
Peso-pesado: Wilian Roberto x Hugo Cunha
Peso-pena: Manoel Aranha x Cleiton Rocha
Peso-meio-médio: Lucas Karateca x Marcos Santana
Peso-galo: Queila Braga x Lorrany Miranda
Peso-mosca: Rafael Sanson x Túlio Macena
Peso-pena: Matheus da Silveira x Diego dos Anjos
Peso-leve: Matheus Moraes x Diogo Pink
Peso-pena: Lucas Schmidt x Hari Bhakti
Peso-médo: Ulisses Silva x Felipe Alves
Peso-pena: Augusto Machado x Luis Felipe Vieira geRead More