Indicada ao Bola de Ouro, Lorena tenta prêmio inédito ao Brasil: “Sempre entrei para ganhar”
Esposa de Lorena relembra trajetória da goleira e fala da expectativa por premiação
A goleira Lorena concorre, nesta segunda-feira, ao Bola de Ouro de melhor jogadora do mundo. Na lista de 30 nomes, tenta uma conquista inédita para o futebol feminino brasileiro – ela ainda foi indicada ao prêmio de melhor goleira. Em entrevista ao ge, não escondeu a ansiedade e adiantou não ser presença garantida na cerimônia. Testemunha da evolução, a esposa Carla relata como a goleira superou uma lesão no joelho e os choros da vida para construir a indicação ao prêmio.
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Brasil tem quatro indicados ao prêmio Bola de Ouro
Isso porque, Lorena disputa neste domingo a penúltima rodada da fase de grupos da NWSL, pelo Kansas City, valendo vaga aos playoffs. Em função do tempo de viagem à Inglaterra, do fuso horário e da recuperação pós-jogo, ela e a família podem assistir à premiação pela TV.
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Das cadeiras do teatro London Palladium, na Inglaterra, ou da sala de casa, o desejo é ouvir o nome de Lorena sendo anunciado em um dos prêmios. Se permanecer nos Estados Unidos, a brasileira brincou que comemorará a possível conquista pulando pela primeira vez na piscina do hotel.
Na minha vida sempre entrei pra ganhar, quero estar entre as indicadas ao The Best, ao Bola de Ouro e ganhar. Às vezes não dá. Mas quando a gente entra no talvez, já entra derrotado.
– Se pudesse escolher queria muito estar presente, mas também tenho que pensar na necessidade do meu time, tenho que estar na minha melhor forma possível – explicou Lorena em participação rápida na entrevista da esposa ao ge.
Lorena é a sexta atleta brasileira a ser indicada ao prêmio, a primeira da posição. Ao lado de Cata Coll, do Barcelona, é a única goleira que concorre ao Bola de Ouro nesta edição. Frente à concorrência do prêmio principal, a família entende ser o troféu de melhor goleira o mais alcançável.
– Eu estou mais ansiosa, ela mais com o pé no chão. Quer ganhar, mas sabe do potencial das outras meninas. Para mim ela é a melhor goleira do mundo, vai ganhar, estou bem assim. Acho mais alcançável a de goleira (prêmio), porque é uma posição onde depende só dela. E ela é incrível – contou a esposa Carla.
A caminhada de evolução da goleira da Seleção teve um início sofrido, com a lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 2023 e 11 meses afastada dos gramados. O período, muito complicado, mudou Lorena como pessoa e como atleta, na visão de Carla.
– Às vezes ela está com dor, cansada, estressada, mas eu não consigo ver ela fazer outra coisa a não ser jogar bola. Ela nasceu para isso. Foi difícil, mas o crescimento dela com a lesão também foi muito incrível. Ela mudou muito, da água para o vinho. Mudou muito como atleta e como pessoa.
– O primeiro jogo da Seleção na Copa (de 2023), ela não conseguiu assistir todo, porque ela chorou bastante. Foi complicado, foi difícil passar pela lesão. Mas ali eu vi o quanto ela é guerreira.
Lorena em amistoso da seleção em Porto Alegre
Lucas Bubols
Do susto a alegria
Carla foi a responsável por acordar Lorena e avisá-la da indicação ao prêmio de melhor goleira e, posteriormente, também da confirmação ao Bola de Ouro pela manhã, na saída do treino.
– Ficamos dentro do carro esperando. Quando ela entrou contei da indicação, que era a única brasileira (mulher) indicada. E ela, “não mentira, a Kerolin tem que estar aí”. Começou uma loucura dentro do carro. A gente gritava como doidas – contou Carla.
– Não esperava que saíssem duas indicações, pois não foi só a indicação pela atuação, pelo trabalho e posição dela, foi também por ser uma das melhores jogadoras do mundo.
Lorena, goleira da Seleção, revela como descobriu ser única brasileira indicada à Bola de Ouro
Em 2025, Lorena disputou a primeira temporada nos Estados Unidos. Vendida pelo Grêmio ao Kansas City, já estabeleceu o recorde de 14 jogos sem sofrer gols e foi eleita a melhor goleira da liga norte-americana. Teve ainda atuação decisiva no título do Brasil da Copa América, com duas defesas de pênalti na final.
– Chegar aqui (nos EUA) foi muito difícil. No começo ela chorou bastante, resmungou bastante por causa da língua, por causa das coisas serem muito diferentes do Brasil. Falei, ué, tu não é a Lorena? Ela fala “eu sou a Lorena 23” se botar assim, em terceira pessoa. E aí, foi da água para o vinho. Ela conseguiu se encaixar, foi aprendendo muito rápido a falar o inglês… Ela fica com vergonha, mas eu acho que ela fala superbem inglês já – confidenciou Carla.
Faminta por desafios
Lorena deixou o Brasil para elevar o nível de competitividade e se inserir em uma das principais ligas de futebol feminino do mundo. O gosto por desafios não é de hoje, segundo o treinador de goleiros Ceará, que acompanha Lorena desde as primeiras defesas como atleta profissional.
Hoje, no Grêmio, ele trabalhou com Lorena em 2018, no Sport, e foi citado em recente entrevista na Seleção. Quando no Corinthians, convidou a goleira para reforçar o grupo, mas ela já mirava a oportunidade no exterior.
– Precisava de uma goleira, conversamos e quando chegou a hora me pediu desculpas e disse que no Corinthians não teria os desafios que queria, porque ela ia ganhar. Ela escolheu um futebol que traria outra competitividade, fez a escolha certa – lembrou Ceará.
“Muito determinada”: ex-preparador de Lorena no Sport destaca a fome de treino da goleira
A dupla voltou a trabalhar junta em 2024, durante a preparação da Seleção para as Olímpiadas de Paris. Ceará diz ter encontrado uma atleta mais madura, mas com a mesma dedicação e o desejo de se superar.
– Ela estava na seleção, iria disputar uma Olimpíada, mudou a vida e mudou de patamar. E você encontrar uma menina ainda faminta, pensando nas coisas que queria e podia encontrar.
Saiu de uma menina cheia de dúvidas se poderia, se conseguia, para uma mulher determinada, que sabia o que queria e podia fazer.
Ceará voltou a trabalhar com Lorena na preparação olímpica de 2024
Reprodução/Redes Sociais
– Estava muito mais madura e confiante. As competições que ela fez, inclusive no Grêmio, deram a ela esse know-how. Uma menina que vinha de jogos difíceis e que naquela preparação para as Olimpíadas, com o Edson Junior, entendeu a forma que o Arthur gostava que ela jogasse – contou.
É apenas a oitava edição do Bola de Ouro voltado ao futebol feminino. Entre as brasileiras, Marta foi quem mais próxima chegou da conquista, com a quarta posição, em 2018. Desde 2021, os prêmios são entregues para atletas espanholas, sendo a meia-campista Aitana Bonmatí, do Barcelona, vencedora da última edição. geRead More


