Vicky Farfus estreia na F4 Brasil em Interlagos e conta como concilia escola em Mônaco e viagens
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Aos 15 anos de idade, Vicky Farfus tem dado os primeiros passos com monopostos: estreou em corridas de Fórmula 4, liderou o teste de novatas da F1 Academy na Espanha em setembro e, agora, vai ter um novo desafio: disputar a prova da Fórmula 4 Brasil em Interlagos, no mesmo fim de semana do GP de São Paulo de Fórmula 1, marcado para o dia 8 de novembro.
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Vicky Farfus vai disputar corrida da Fórmula 4 Brasil em Interlagos
Divulgação
Filha do piloto Augusto Farfus, campeão da Copa do Mundo de GT em 2018 e do International GT Challenge em 2020, a brasileira vai correr pela TMG Racing. Augusto estará em outra competição e não vai poder acompanhar a estreia de Vicky em carros de fórmula em solo brasileiro, mas ela terá o apoio da mãe e de um sócio do pai no Autódromo José Carlos Pace.
Nascida em Curitiba, Vicky vive em Mônaco atualmente e vai ter não só a oportunidade de vivenciar o ambiente de Interlagos na Fórmula 1 pela primeira vez, mas também de conduzir carros de fórmula na pista. Em entrevista concedida ao ge, a jovem disse estar empolgada com a chance de pilotar em um dos principais palcos do automobilismo mundial.
– Eu estou muito animada e superfeliz com essa oportunidade de poder correr no meu país, onde eu nasci. Minha identidade é lá, minha cultura é lá. É tudo lá. Eu sou muito orgulhosa e eu estou muito animada para correr lá.
Vicky Farfus disputou campeonato de Fórmula 4 na Europa Central
Divulgação
A piloto contou que só consegue acompanhar as corridas em Interlagos pela televisão e revelou uma curiosidade: como mora em Mônaco, tem o privilégio de assistir às provas da Fórmula 1 em Monte Carlo sem sair de casa.
– Interlagos eu sempre acompanhei pela TV. Porque ou eu estava correndo mesmo no fim de semana, ou eu não pude estar no Brasil. O único GP que eu assisti foi lá em Abu Dhabi, onde a Fórmula 1 Academy também correu, e aqui em Mônaco, porque eu moro em Mônaco. Então, eu consigo assistir da minha sacada – explicou.
Enquanto dá os primeiros passos no automobilismo, Vicky concilia a cansativa rotina de viagens e preparação para as corridas com as tarefas escolares. Ainda adolescente, ela recebe apoio do colégio para realizar as tarefas em meio às etapas mundo afora.
– Quando eu estou em Mônaco, vou para a escola todo dia e tento me focar mais nos estudos. E eu também sempre tenho um pouquinho da minha cabeça pensando no automobilismo, então todo dia eu faço alguma coisa para me preparar, para melhorar. Mesmo que seja 1%, tento melhorar todo dia como piloto fora das pistas. Daí quando eu chego nas pistas eu já estou um pouquinho mais preparada. Eu ando viajando muito, então acaba sendo difícil eu ir para a aula. A escola me ajuda muito, eles me mandam tudo online. Então eu consigo fazer tudo nas corridas – afirmou.
Em seguida, Vicky explicou como funciona esse apoio e disse que estuda com filhos de David Coulthard e Mika Hakkinen, ex-pilotos da McLaren na Fórmula 1:
– Eles têm um programa para atletas. Tem outros atletas de alto nível que estão na escola, então eles têm um programa feito para nós. (…) Tem o filho do Coulthard, se chama Dayton Coulthard. E tem também a Ella Hakkinen. Nas matérias que eu faço eu sou uma das melhores alunas da escola – explicou.
Sonho da Fórmula 1
Vicky Farfus tem acumulado bons resultados recentes em diferentes competições. Ainda no kart, terminou em quarto lugar no Mundial, na categoria OK-Junior; desta forma, se tornou a primeira mulher a ficar nas cinco primeiras posições em uma final da competição organizada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Neste ano, participou de provas da GInetta Júnior, no Reino Unido, da E4 Championship e da Fórmula 4 da Europa Central.
Vicky Farfus no pódio em prova da Fórmula 4 da Europa Central
Divulgação
Para o ano que vem, a brasileira pretende concluir uma temporada inteira de F4. O sonho, por outro lado, é muito maior: chegar à Fórmula 1 e se tornar a primeira piloto mulher na categoria em 50 anos. A última a disputar uma corrida oficial foi a italiana Lella Lombardi, em 1976 – ela também é a única a pontuar na história.
Ao longo dos anos, outras competidoras têm tentado trilhar esse caminho, e Vicky revelou se inspirar em duas delas: uma é Susie Wolff, atual diretora da F1 Academy e ex-piloto de testes da Williams na Fórmula 1. As duas chegaram a se conhecer quando a brasileira participou de corridas de kart sob a chancela da F1 Academy, em Abu Dhabi.
A outra é Rafaela Ferreira, que corre na categoria 100% feminina com apoio da Racing Bulls e, assim como ela fará na semana que vem, disputou (e venceu) na F4 Brasil em Interlagos no ano passado. Mas a maior influência, claro, é o pai e mentor Augusto Farfus.
– Eu treinei algumas vezes junto com ela, na mesma equipe também. Eu acho ela uma inspiração pra mim. Chegar na F1 Academy, conseguir tudo que ela conseguiu já na vida dela é uma inspiração para mim. Ela é muito gentil, gosto muito dela. A minha inspiração maior é meu pai, porque ele saiu lá de Curitiba para chegar aqui em Mônaco, sendo piloto da BMW. É sempre uma inspiração muito grande a dedicação dele, a disciplina, a motivação que ele tem todo dia.
Vicky Farfus ao lado do pai, o piloto Augusto Farfus
Reprodução/Redes sociais
Em meio ao sonho, Vicky sabe das dificuldades que os pilotos encontram para tentar chegar à Fórmula 1, especialmente quando se trata das mulheres no esporte. Enquanto alguns pilotos que chegam à elite começam no kart com quatro ou cinco anos de idade, ela só competiu pela primeira vez aos 12.
Ao ser questionada pelo ge sobre o que acha que falta para que uma mulher chegue à Fórmula 1, Vicky disse acreditar que as competidoras precisam estar mais bem preparadas desde cedo, o que poderia acontecer com uma entrada mais precoce das meninas nas competições de base:
– Eu acho que a Fórmula 1 sempre só teve homens. Então a maioria das pessoas no mundo pensam que é uma categoria só para homens. Mas esse esporte é um dos poucos esportes no mundo que a força física não é predominante. Futebol, por exemplo, uma mulher contra um homem é quase impossível, porque um homem tem uma força física maior que uma mulher e acaba sendo melhor que uma mulher.
– Mas no automobilismo você precisa ter a força física suficiente para durar a corrida, 70 voltas, mas não é o fator limitante. Talvez, vou ter que treinar três vezes mais que um homem para conseguir ter a mesma força física que ele. Mas eu consigo chegar lá. Então eu acho que falta isso. Falta mais preparação das meninas, mais dedicação, mais motivação. E elas estarem mais preparadas no alto nível.
Vicky Farfus vai participar da F4 Brasil em Interlagos
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Outro fator limitante é o alto custo exigido para que os competidores cheguem à Fórmula 1. Na visão de Vicky, este é o maior desafio para entrar na elite do automobilismo mundial no futuro – mesmo os pilotos já consolidados na F1 costumam levar marcas para aumentar o poderio financeiro das equipes.
– É muito caro o automobilismo e as ajudas dos patrocinadores ajudam muito. A Solare, ArcelorMittal e a Ademicon ajudam muito a conseguir chegar no meu sonho e me ajudam a crescer. Eu acho que esse é o desafio maior que eu tenho.
Desafios à parte, Vicky Farfus terá no próximo fim de semana a oportunidade de dar mais um passo rumo a esse sonho e deixou um recado duplo: para as jovens que desejam entrar no mundo do automobilismo e para os torcedores que poderão acompanhar a prova em Interlagos.
– Para os mais novos, meu pai sempre me falou desde pequenininha, tudo o que você quer, você consegue. Então, essa é uma frase que está sempre na minha cabeça, que eu estou um pouquinho menos motivada, um pouquinho para baixo. Eu sempre lembro que tudo o que eu quero, eu consigo. E para os torcedores de São Paulo, me acompanhem, me sigam, porque vocês vão ver eu lá no topo – concluiu. geRead More


