Paulo Autuori abandona coletiva do Fortaleza após discussão com jornalista: “Vocês vivem de likes”
Técnico do Fortaleza, Autuori abandona coletiva após discussão com jornalista
O técnico do Fortaleza, Paulo Autuori, se desentendeu com um jornalista durante a coletiva de imprensa após a partida da equipe. O treinador questionou a postura do repórter enquanto respondia a uma pergunta sobre o desempenho do time na Série B, classificou a atitude como “falta de respeito” e deixou a entrevista. A discussão continuou após a saída da mesa, quando Autuori afirmou que o profissional buscava “likes” e declarou: “vocês vivem de likes, eu não vivo”.
📲 Tudo sobre o Fortaleza direto no seu WhatsApp. Clique aqui!
Torcida do Fortaleza protesta após novo tropeço contra Atlético-go, após 36ª rodada
Esta é a segunda vez que o treinador se desentende com um jornalista na entrevista coletiva pós- jogo.
Análise: Fortaleza repete roteiro desanimador contra o Atlético-GO e liga sinal de alerta
Técnico do Fortaleza, Autuori abandona coletiva após discussão com jornalista
Reprodução/TV Verdes Mares
O diálogo entre o jornalista e o técnico na íntegra
– Diferente de todos os clubes que iniciaram a Série B, o Fortaleza é o único clube que entrou na competição não para ser premiado com o acesso. Os outros clubes estão disputando e, obviamente, se fizerem uma boa competição, subirão. O Fortaleza, não. Ele entrou com a obrigação de subir. Essa é a ideia do torcedor, foi a ideia vendida pela diretoria desde o início do ano. Eu não sei se você acompanhou o histórico do Fortaleza nos últimos oito anos, mas é um time que viveu coisas muito grandes, e a Série B, para o torcedor, não é mais o lugar desse clube. A minha pergunta para você é a seguinte, Autuori: eu queria entender, com isso, qual é o senso de urgência que você está vendendo para os atletas no vestiário, entender sobre isso e o porquê de, notadamente, alguns, pelo menos, não virem mostrando isso nos jogos, principalmente em casa. O torcedor, de maneira geral, ou pelo menos em sua maioria, enxerga muitos atletas andando em campo ou com a vontade diminuta, o que pode não ser verdade, mas é a maneira como os torcedores enxergam. E eu queria entender como o senhor está vendendo esse senso de urgência, porque o clube agora praticamente não tem mais chances de estar no G-2 e, agora, estando no G-6, ainda tem que conquistar a possibilidade ou o direito de ter a vantagem. Como funciona isso? – perguntou o jornalista Mário Teles.
– Primeira coisa é o seguinte, meu irmão: obrigação nós temos com a vida, com quem a gente acredita. Obrigação é uma coisa, dever é outra. Então, entenda isso, por favor. Não tem essa obrigação para nada, ninguém é obrigado a absolutamente nada, a não ser ser coerente com a fé que tem, se tiver fé, e com a vida. Então, enquanto existe o dia seguinte, cara, se você for um cara resiliente, cara, que entende que os momentos difíceis não são para se esconder, é para dar o peito às balas, você reage. Senso de urgência não se vende – outra má colocação sua, tá certo? Não se vende senso de urgência, isso é uma coisa que é inata. Sabe o que é inato? Vem de dentro de cada um de nós. É a mesma coisa de incentivo e motivação: incentivo é algo que vem de fora, é extrínseco; motivação é algo que vem de dentro, cara. Ninguém abre o peito de um e bota motivação lá dentro, está certo? Depois, nunca vi nenhum jogador andando dentro de campo. Alguns jogadores têm características diferentes, isso é facilmente provável com números, está certo, que vocês gostam deles em alguns momentos e deixam de respeitar eles em outros, né? Isso é uma situação em que o torcedor vai atrás daquilo que vocês colocam. Então, a opinião de vocês, as quais eu respeito – acho que isso é o lindo da vida, a diversidade, cara -, jamais entrei em debates sobre opiniões, entrei em debates em termos de fatos. E o fato é que nós, nesses jogos em casa, rateamos completamente, isso é indiscutível, entendeu? Então, duas coisas na sua questão: obrigação nós temos com a vida, porque o dia seguinte existe, e graças a Deus existe; e senso de urgência não se vende, cara. Eu não sou vendedor de nada, muito menos de ilusão. Muita gente vende ilusões, eu não vendo, eu vivo de fatos, cara. E quanto a esse aí, o que que vou fazer? Isso é uma questão minha com os jogadores, eu não vou falar aqui só porque eu tenho que falar, você está me entendendo, para dar uma… Não, eu sempre cuidei dos meus grupos de trabalho como um líder tem que ser, cuidando deles. Os problemas internos resolvemos internamente. Agora, sair atirando e falando de jogador, cara, não é, não pode ser de todos que agem dessa maneira. Agora, não vou ficar falando de jogador meu, perde completamente a possibilidade de eu falar com jogadores, botar jogadores aqui, isso é minha responsabilidade, é isso que me dá brilho nos olhos, sempre gostei de desafio. Já citei alguns aqui, então não tenho dificuldade nenhuma. Agora, esse lance de obrigação: torcedor, quando a equipe baixa de divisão, é uma tragédia, depois sobe, deixa de ser tragédia e se comemora, todos fazem isso, todos, e não vai ser diferente aqui. Você acredita que vai ser diferente, por favor? – disse Autuori, que reclamou que Mário não prestava atenção em sua resposta:
– Ah, você não tá ouvindo, meu amigo, desculpa, tá?! Tu é um cara… não tem a menor capacidade de poder discutir. Isso é uma falta de respeito, eu nunca deixei de responder. Enquanto eu estava falando, você não estava ouvindo nada – completou o treinador, antes de deixar a entrevista.
Mário retrucou:
– Eu ouvi tudo.
Logo após a resposta e a saída da mesa de coletiva, Autuori seguiu discutindo com o jornalista, que reafirma ter escutado a resposta.
– Vai atrás de likes. Vocês vivem de likes, eu não vivo, porque eu não tenho rede social. Eu já vivi com jornalistas em qualquer lugar que eu tenha ido, pode perguntar qual foi a minha relação com eles. De respeito. E não vai ser diferente aqui. Só que é o seguinte, tu fala o que quer e escuta o que não quer. Então, é o seguinte, vai atrás dos teus likes, porque você vive disso. Eu não vivo porque, se eu olho para trás, tem história, não tenho rede social. O que você fala e um zero à esquerda pra mim é a mesma coisa. Escute o que as pessoas falam. Se você perguntar, você tem a obrigação de escutar – finalizou Autuori, antes de deixar a sala.
O primeiro episódio de desentendimento do treinador com jornalista na coletiva de imprensa aconteceu ainda no dia 9 de setembro, após a vitória diante do Avaí por 1 a 0. Na ocasião, a jornalista Fernanda Alves comentou sua primeira vitória como comandante do Tricolor diante de sua torcida. O técnico, no entanto, se estressou e tratou a pergunta como “genérica”. Após esse primeiro desentendimento, Autuori aproveitou a coletiva de imprensa seguinte para se desculpar com a profissional. geRead More


