Aborto, atletas trans e taxa para bilionários: veja resultados de referendos polêmicos nos EUA
Aborto, armas, direitos trans: eleições nos EUA tem referendos em 39 estados
Eleitores de diferentes estados dos Estados Unidos aprovaram medidas para restringir a participação de mulheres e meninas trans em equipes esportivas femininas, enquanto rejeitaram propostas que ampliariam ou restabeleceriam proibições ao aborto.
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Os resultados fazem parte de cerca de 150 consultas populares realizadas em mais de 30 estados durante as eleições de meio de mandato, na terça-feira (3).
As propostas, conhecidas como “ballot measures”, permitem que a população vote diretamente sobre mudanças nas leis e nas Constituições estaduais. Neste ano, os temas incluíram também regras eleitorais, impostos, justiça criminal e direitos das pessoas trans.
Veja os principais resultados:
👉 Alguns estados ainda não têm os resultados consolidados e portanto aparecem com “tendência de aprovação” ou “tendência de reprovação”.
Resultados dos referendos nos EUA
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Divulgação
Eleitores do Arizona e de Nebraska aprovaram medidas que restringem a participação de meninas e mulheres trans em equipes esportivas femininas. Em Washington, os primeiros resultados também indicavam apoio à proposta. No Colorado, a apuração apontava maioria favorável a uma medida semelhante.
As propostas ganharam destaque durante a campanha eleitoral. Candidatos republicanos exploraram o tema, depois que estrategistas políticos atribuíram parte da vitória de Donald Trump em 2024 aos ataques do presidente aos direitos das pessoas trans.
Defensores das restrições afirmam que elas protegem meninas e mulheres. Já os críticos argumentam que as medidas discriminam estudantes transgênero.
No Arizona, a proposta amplia uma lei que já impedia meninas e mulheres trans de participar de equipes esportivas de acordo com sua identidade de gênero. Com a mudança, a restrição também passa a valer para escolas particulares.
A medida ainda determina que banheiros e vestiários escolares sejam utilizados apenas por atletas cujo sexo registrado na certidão de nascimento corresponda ao destinado àquelas instalações.
Em Nebraska, os eleitores aprovaram a inclusão da proibição na Constituição estadual, o que torna mais difícil uma eventual reversão da regra pelos parlamentares.
Em Washington, a proposta exige que atletas que queiram integrar equipes femininas tenham o chamado “sexo biológico” verificado por um profissional de saúde. Críticos afirmam que a exigência pode resultar em exames desnecessários e invasivos.
As consultas também trataram de tratamentos médicos de afirmação de gênero para menores de idade.
No Colorado, os primeiros resultados indicavam apoio à proposta que proíbe cirurgias relacionadas à transição de gênero em menores.
No Missouri, por outro lado, os eleitores rejeitaram uma proposta que incluiria na Constituição estadual a proibição desses tratamentos para crianças. O estado já tem uma lei que impede a realização dos procedimentos.
E sobre aborto?
Eleitores de Idaho e Missouri rejeitaram propostas que poderiam ampliar ou restabelecer restrições ao aborto.
Em Idaho, a população votou contra uma iniciativa que estabeleceria o direito ao procedimento até a viabilidade fetal, período geralmente situado em torno da 24ª semana de gestação. O estado proíbe praticamente todos os abortos desde 2022, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a proteção constitucional que garantia o direito em todo o país.
No Missouri, os eleitores também rejeitaram uma proposta que restabeleceria a proibição do aborto, dois anos depois de terem aprovado uma medida para derrubar essa restrição.
Diferentemente da consulta de 2024, que partiu de uma iniciativa popular, a proposta deste ano foi apresentada pelo Legislativo estadual, controlado pelos republicanos. O texto também previa a proibição de tratamentos médicos de afirmação de gênero para menores de idade.
Estados querem mudar o voto nos EUA
Eleitores da Califórnia e do Colorado rejeitaram propostas que exigiriam informações adicionais de identificação para votar pelo correio. A medida previa a apresentação dos quatro últimos números de um documento oficial, como o número do Seguro Social — equivalente à identificação previdenciária americana — ou da carteira de motorista.
Em Nevada, os eleitores apoiaram uma proposta semelhante.
No Arizona, os primeiros resultados indicavam que a população também rejeitaria uma medida que exigiria documento com foto para votar pelo correio. A apuração ainda não havia sido concluída na manhã de quarta-feira (4).
O texto da proposta, no entanto, não especificava como a exigência seria aplicada.
Um novo mapa eleitoral
Votação das midterms no Maine, EUA
ANGELA WEISS/AFP
Eleitores do Missouri rejeitaram um novo mapa eleitoral elaborado por republicanos que dividiria um dos dois distritos do estado com tendência democrata. Em Maryland, por outro lado, a população aprovou uma mudança constitucional que facilitará o redesenho dos distritos pelos parlamentares.
A disputa faz parte de uma ofensiva republicana liderada por Donald Trump desde 2025 para redesenhar os mapas eleitorais em diferentes estados e transformar distritos controlados por democratas em áreas com maior possibilidade de vitória republicana.
O tema deve continuar no centro da disputa política até 2028.
No Missouri, a Justiça havia determinado que o novo mapa só poderia entrar em vigor se fosse aprovado pelos eleitores. A proposta acabou rejeitada.
Em Maryland, a mudança aprovada abre caminho para que o Legislativo estadual, controlado pelos democratas, elimine, em 2028, o único distrito do estado com tendência republicana.
Imposto sobre bilionários
Na Califórnia, a proposta que criaria o primeiro imposto sobre bilionários do mundo caminhava para ser rejeitada na manhã de quarta-feira (4).
A chamada Proposição 40 previa uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio mundial de cada um dos cerca de 250 bilionários residentes no estado.
Apesar do apoio popular à tributação dos mais ricos, especialmente entre os democratas, a proposta dividiu o partido na Califórnia. O governador Gavin Newsom, apontado como possível candidato à Presidência em 2028, se opôs à medida.
Ele alertou que a cobrança poderia levar empresas de tecnologia bem-sucedidas a transferir suas operações para outros estados.
Em Montana, os eleitores aprovaram uma proposta para proibir que empresas gastem dinheiro em campanhas eleitorais. A medida busca contornar uma decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos, de 2010, conhecida como Citizens United.
Na ocasião, a Corte decidiu que empresas e sindicatos têm direito constitucional de gastar quantias ilimitadas em campanhas, desde que atuem de forma independente dos candidatos.
A decisão abriu caminho para a criação dos chamados super PACs, organizações que arrecadam e gastam grandes quantias para influenciar eleições, e de grupos conhecidos como dark money, que não precisam divulgar a identidade de seus financiadores.
No Alasca, os primeiros resultados apontavam uma pequena vantagem para a manutenção do sistema eleitoral conhecido como voto por escolha ranqueada.
Nesse modelo, os eleitores classificam os candidatos em ordem de preferência. Se nenhum deles alcançar mais de 50% dos votos, o menos votado é eliminado, e seus votos são transferidos para a segunda opção indicada pelos eleitores. O processo se repete até que um candidato alcance a maioria.
O sistema ganhou destaque neste ano por causa da disputa acirrada por uma vaga no Senado entre o republicano Dan Sullivan, que tenta a reeleição, e a democrata Mary Peltola. Outro candidato republicano na mesma cédula também tem o nome de Dan Sullivan.
O jornal The New York Times informou que integrantes da equipe de Peltola trabalharam com advogados da campanha e funcionários graduados do braço de campanha dos democratas no Senado para recrutar o outro Dan Sullivan, um professor aposentado. A Reuters afirmou que não conseguiu verificar a informação.
No Alabama, os eleitores aprovaram uma proposta que obrigará as escolas a tocar a primeira estrofe do hino nacional pelo menos uma vez por semana.g1 > Mundo Read More


