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“Irmãos” italianos: quem são os escudeiros que coordenam a rotina de Bortoleto nos bastidores da F1

“Irmãos” italianos: quem são os escudeiros que coordenam a rotina de Bortoleto nos bastidores da F1

Rodrigo França mostra quem são as pessoas que acompanham Bortoleto nos GPs
A vida de um piloto de F1 é cronometrada não apenas na pista, mas também fora delas: a agenda lotada de compromissos em um final de semana de GP exige que eles tenham profissionais cuidando de cada área e acompanhando cada passo no paddock para garantir que tudo saía como o planejado. Nessa função de confiança, o brasileiro Gabriel Bortoleto pode contar com dois italianos que estão ao lado do brasileiro em praticamente todos os momentos importantes na temporada: o preparador físico Paolo Gargiulo e a assessoria de imprensa Elena Rovelli.
Gabriel Bortoleto dá vácuo para o Nico Hulkenberg durante Q2
A presença italiana na Audi não é novidade, a começar pelo próprio líder de projeto, Mattia Binotto, que chegou em 2024, quando a equipe ainda se chamava Sauber, para trazer a experiência de décadas de automobilismo na Ferrari, time no qual trabalhou como engenheiro de motores até chegar ao cargo de chefe.
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Também responsáveis pela presença italiana na Audi, Elena e Paolo ajudam Bortoleto a administrar cada minuto de um GP, seja nos momentos finais antes de entrar no carro no grid de largada, quando Paolo cuida dos detalhes da preparação, ou no momento em que o brasileiro sai da pista e vai direto para o local de entrevistas, devidamente acompanhado por Elena.
Para o sucesso da parceria, a primeira palavra é confiança, como explica a assessora de imprensa, que trabalha na F1 desde 2022 e é natural de Monza, justamente o palco tradicional do GP da Itália.
Elena Rovelli acompanha Bortoleto nos compromissos com a imprensa durante os fins de semana de F1
Rodrigo França
— A confiança é fundamental. Passamos a maior parte do tempo lado a lado, enfrentando tanto bons momentos quanto situações difíceis. É importante que ele se sinta “seguro” comigo e saiba que eu jamais o colocaria em uma situação complicada. Também nos divertimos bastante: costumo dizer que ele é o irmão mais novo que nunca tive, e, junto com o preparador físico dele, o Paolo, formamos uma dinâmica que lembra muito a de irmãos.
Paolo começou a parceria com Bortoleto em 2024, ainda na F2. Desde então, acompanha o piloto em todos os GPs, iniciando a carreira na F1 com o brasileiro na Sauber e, agora, com a Audi. É ele quem se encarrega de cuidar dos últimos detalhes antes de Gabriel entrar no carro, além da preparação física e nutricional em cada corrida. Os dois se deram bem desde o início, e o temperamento parecido de brasileiros e italianos ajudou.
Preparador físico de Bortoleto, Paolo cuida da preparação do piloto dentro e fora das pistas
Rodrigo França
— Italianos e brasileiros são muito parecidos: temos empatia, somos emotivos e extremamente leais. Gostamos de coisas simples e, recentemente, descobri que os brasileiros, assim como nós, napolitanos, possuem uma palavra específica para descrever o sentimento de estar longe de casa: “saudade”. Em napolitano, usamos o termo “pocondria”. Esse sentimento nos permite viver em qualquer lugar do mundo, mantendo sempre a nossa terra natal em nossos corações e mentes.
A relação de Bortoleto com a Itália também é antiga. Além da ascendência italiana, o brasileiro morou por muito tempo no país europeu, desde os 12 anos, quando ainda corria de kart, até chegar à F1. Por morar no exterior, o piloto teve que ter um processo de amadurecimento muito rápido, e isso é destacado por Paolo como um grande diferencial.
— Minha primeira impressão sobre o Gabriel foi a de que ele era um jovem muito maduro, altamente motivado, ansioso por evoluir e determinado a provar o seu valor. Nós nos conhecemos no paddock da F2 e, mais tarde, realizamos uma sessão de treinamento em Milão para avaliar se havia potencial para trabalharmos juntos. Também fiquei muito impressionado com a curiosidade dele em relação aos exercícios que proponho. Sempre quer entender o que estamos fazendo e por quê. Acredito que isso acrescenta uma dimensão extra à relação entre treinador e atleta.
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Paolo Gargiulo acompanha brasileiro desde 2024, quando ele ainda disputava a Fórmula 2
— Foto: Rodrigo França
O final de semana de um grande prêmio de F1 é normalmente intenso e bastante estressante para qualquer profissional envolvido, mas os pilotos não podem falhar — são justamente a última ponta de um trabalho em equipe que envolve mais de mil pessoas. O trabalho de Paolo é garantir que Bortoleto consiga aproveitar o máximo de sua energia para focar em uma boa performance na corrida, que dura entre 1h30 e 2h.
— Procuro sempre garantir que o Gabriel esteja se sentindo da melhor forma possível. É fundamental que ele se sinta tranquilo, confortável e confiante. Lidar com as exigências de um fim de semana de corrida, mantendo o estresse sob controle e evitando o desperdício de energia com questões desnecessárias, não é uma tarefa fácil. Busco assegurar que ele descanse o suficiente e permaneça focado. Meu papel principal é garantir que ele consiga manter todos os aspectos no mais alto nível possível, simulador, treinar na academia, mas também cuidar de aspectos fora das pistas, como dormir o suficiente, controlar o estresse e manter uma rotina saudável.
O entrosamento com os irmãos italianos pode ser percebido para quem convive no paddock da F1 e observa de perto o trabalho dos três. E o impacto já ultrapassa as fronteiras da F1: Elena, por exemplo, está aprendendo a falar português.
Natural de Monza, Elena trabalha na F1 desde 2022 e acompanha Bortoleto desde a chegada à categoria
— Foto: Rodrigo França
— Sempre fui fascinada pelo Brasil, pela cultura e pelo idioma, muito antes de trabalhar com um piloto brasileiro. Passar bastante tempo ouvindo as entrevistas do Gabi para a mídia brasileira me ajudou muito a me familiarizar com a língua. No final do ano passado, eu conseguia entender a maior parte do que ele dizia. Comprei livros de gramática este ano e tento manter em dia as minhas lições em um aplicativo. Além disso, tenho a sorte de contar com o apoio de um pequeno grupo de jornalistas brasileiros que são muito gentis e pacientes com as minhas tentativas, e também com o apoio da família do Gabriel.
Na sexta-feira (6), a partir de 12h30 (horário de Brasília), o sportv3 transmite ao vivo o primeiro treino livre do GP Brasil. O canal exibe também, às 16h, a segunda sessão. Já a transmissão do terceiro treino livre, é no sábado (7), às 11h30.
Ainda no sábado, às 15h, a TV Globo, o sportv3 e o ge exibem ao vivo a classificação para a corrida em Interlagos. No domingo (8), a TV Globo exibe a corrida ao vivo a partir de 13h30, e a prova também terá transmissão do sportv3 e do ge, que acompanhará todas as atividades de pista em tempo real. geRead More