No futebol, somos todos culpados até que se prove o contrário
Mirassol sai atrás, mas consegue a virada e rebaixa a Chapecoense
O gol contra de Anderson, da Chapecoense, e o pênalti cometido por Rodrigo Moledo, do Coritiba, coincidem no inusitado. Não é todo dia que vemos um goleiro empurrar a bola contra o próprio gol ou um zagueiro dar uma voadora dentro da área nos acréscimos de uma partida. Daí a se tornarem lances suspeitos, vai (ou deveria ir) um grande caminho.
O futebol permite algumas crueldades, talvez para compensar o tanto de beleza que nos entrega. Uma delas é a permissividade com a desconfiança sobre o caráter alheio – como se, em uma distorção da lei básica da civilidade, todos fossem culpados até que se prove o contrário.
Aos 45 min do 2º tempo – pênalti cometido de Rodrigo Moledo do Coritiba contra o Internacional
Até que se prove o contrário, Anderson sofreu um frango. Um lance constrangedor, um erro grosseiro, mas um lance, um erro – e nada mais do que isso. Até que se prove o contrário, Rodrigo Moledo fez uma escolha desbaratada, um movimento atrapalhado, mas uma escolha, um movimento – e nada mais do que isso.
Desconfiar do caráter de jogadores por falhas cometidas no mais caótico dos esportes é covardia. A característica essencial do futebol é estar o tempo todo na fronteira entre o épico e o trágico. É por isso que ele simula a vida com tamanha perfeição: a cada esquina, não sabemos se encontraremos o amor de nossas vidas ou um carro desgovernado.
Rodrigo Moledo, zagueiro do Coritiba
Paulo De Tarso
É particularmente lamentável ver ex-jogadores, muitos deles de comportamento bastante contestável ao longo da carreira, fazendo ilações sobre os erros cometidos pelos atletas. Uma coisa é a conversa de boteco entre torcedores; outra é usar um microfone para alimentar suspeitas.
Como pano de fundo, temos toda a vergonha vivida pelo futebol brasileiro nos últimos anos, com jogadores, alguns de clubes grandes, negociando com apostadores de dentro de vestiários ou concentrações. É por isso que deveriam ter sido punidos severamente: porque seus atos contaminaram a credibilidade do esporte. Eles ajudaram a criar um ambiente de paranoia, em que erros como os desta rodada já nascem com um selo de desconfiança.
Anderson é inocente. Rodrigo Moledo é inocente. Não é justo que sejam vitimados por alguma inversão insensata do ônus da prova – que deve sempre caber àquele que acusa.
Por isso, se tiverem que ser julgados, que seja tecnicamente, por seus treinadores, por seus diretores, como consequência das falhas cometidas, não pela gritaria de algum tribunal raivoso, sempre pronto para condenar alguém.
Rizek: “Acho difícil o Moledo ter paz vestindo a camisa do Coritiba” geRead More


