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Ericsson e Nokia deixam de operar na Rússia e comprometem o futuro da rede 5G no país

As gigantes das telecomunicações Nokia e Ericsson anunciaram nos últimos dias que deixarão de operar na Rússia, o que coloca em risco a implantação da futura rede 5G no país. Enquanto a empresa finlandesa anunciou sua saída definitiva do mercado russo, a sueca disse que suspenderia suas operações por tempo indeterminado, ambas motivadas pela agressão russa à Ucrânia. As informações são da rede CNN.

“Nas últimas semanas, suspendemos as entregas, interrompemos novos negócios e estamos transferindo nossas atividades limitadas de P&D (pesquisa e desenvolvimento) para fora da Rússia”, disse a Nokia em comunicado. “Agora podemos anunciar que sairemos do mercado russo”.

Contribuiu para a decisão das duas empresas a série de sanções impostas a Moscou pelos países ocidentais. Entre outros desenvolvimentos, tais sanções restringem a importação de itens de tecnologia avançada, o que levaria a sérias limitações na atuação das telecoms.

Por outro lado, os mesmos países que impuseram as sanções dizem que, por uma questão humanitária, é necessário manter as redes de telecomunicações operantes no Rússia, a fim de atender à população local. Nesse sentido, a Nokia afirmou que respeitará as sanções, sem deixar de “fornecer o suporte necessário para manter as redes”.

Ericsson anunciou a suspensão de suas atividades na Rússia (Foto: Kārlis Dambrāns/Flickr)

A Ericsson, que no final de fevereiro já havia interrompido todas as entregas para clientes na Rússia, agora confirmou a suspensão de seus negócios, mas diz que continuará a pagar os funcionários.

A posição da Huawei

Com dois dos maiores provedores de serviços e infraestrutura 5G do mundo fora do mercado russo, restam as chinesas Huawei e ZTE para atuar nesse seguimento, vez que ambas são responsáveis por cerca de 40% e 60% dos equipamentos de rede do país, respectivamente.

Entretanto, o cenário pode mudar, tornando o problema ainda maior para os russos. Isso porque a Huawei não descarta seguir o passo das companhias europeias. A empresa chinesa, que já não é bem vista no Ocidente devido às acusações de atuar a serviço do governo chinês, teme se distanciar ainda mais desse importante mercado caso venha a desobedecer as sanções lideradas por EUA e União Europeia (UE).

Embora o governo chinês seja forte aliado de Moscou e venha contestando as sanções impostas à Rússia, o site da revista Forbes, na sua edição em russo, disse que a empresa concedeu um mês de férias a diversos funcionários e suspende temporariamente o recebimento de novos pedidos no país.

Prédio da Huawei no Canadá:rejeição ocidental (Foto: Raysonho/Wikimedia Commons)

Êxodo de empresas

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, mais de 600 empresas ocidentais deixaram de operar na Rússia, seja de maneira temporária ou definitiva, parcial ou integral. O levantamento foi feito pela Universidade de Yale, nos EUA.

A debandada custará caro ao consumidor russo, privado de produtos em setores diversos, como entretenimento, tecnologia, automobilístico, vestuário e geração de energia. Mas que também pode afetar o Ocidente, sobretudo nos casos do gás e do petróleo.

Pensando na Rússia, o maior impacto será causado pelo êxodo das empresas do setor de geração de energia, que já começaram a suspender sua atuação no país, cuja economia é fortemente dependente desse mercado. Destaque para a BP, empresa britânica de gás e petróleo que cancelou um investimento de US$ 14 bilhões na empresa estatal russa Rosneft, segundo a rede Voice of America (VOA).

Seguindo o mesmo caminho da tradicional rede de lanchonetes, a Coca-Cola também confirmou a saída da Rússia. “Nossos corações estão com as pessoas que estão resistindo a efeitos inconcebíveis desses trágicos eventos na Ucrânia”, disse a empresa em comunicado. A PepsiCo, por sua vez, deixa de vender bebidas na Rússia, mas mantém as linhas de produtos essenciais, como leite e comidas para bebês. O Starbucks fechou as lojas e interrompeu o fornecimento de produtos a parceiros.

Nessa área, as sanções já anunciadas por EUA e Reino Unido, que deixaram de comprar petróleo e gás da Rússia, tendem a causar problemas inclusive ao Ocidente, com a perspectiva de grande aumento global nos preços dos combustíveis. E pode piorar, vez que Moscou ameaça suspender o fornecimento de gás natural à Europa como represália e tem afirmado só aceitará vender esses produtos se o pagamento for feito em rublos russos, a fim de fortalecer sua moeda.

No setor de alimentação, alguns gigantes mundiais suspenderam suas operações na Rússia. Um deles é o McDonald’s, que fechou todos seus restaurantes. Ao final do ano passado, a rede tinha 847 lojas no país. Diferente do que ocorre no resto do mundo, onde habitualmente atua no sistema de franquias, 84% das lojas russas são operadas pela própria companhia. Somado ao faturamento na Ucrânia, a operação responde por 9% da receita global da empresa.

Loja do McDonald’s na Rússia (Foto: Wikimedia Commons)

A indústria automobilística também começou a deixar a Rússia, puxada pelas decisões das japonesas Toyota e Nissan de suspenderem a produção em suas fábricas em São Petesburgo. Ambas também anunciaram que deixam de exportar veículos ao país, decisão que foi acompanhada por outras gigantes do setor como HondaJaguarFerrariGM e Volkswagen. Na área de aviação, a Boeing diz que não mais compraria titânio russo para usar na produção de aviões.

Outra decisão que tende a impactar na rotina dos russos é o fim dos serviços das companhias de cartões de crédito Mastercard e Visa. O maior banco estatal da Rússia, o Sberbank, disse que o impacto na rotina doméstica dos cidadãos seria pequeno. A instituição financeira assegurou que ainda é possível “sacar dinheiro, fazer transferências usando o número do cartão e pagar em lojas russas offline e online”, de acordo com a rede britânica BBC.

A tendência é a de que os consumidores russos possam usar os cartões normalmente até que percam a validade, e depois disso não recebam novos plásticos. Entretanto, os cartões emitidos na Rússia já deixaram de ser aceitos no exterior. Isso criou problemas, por exemplo, para turistas russos que ficaram impedidos de deixar a Tailândia, por problemas com voos cancelados e cartões bloqueados.

No setor de vestuário, quem anunciou estar deixando o mercado russo é a Levi’s, sob o argumento de que quaisquer considerações comerciais “são claramente secundárias em relação ao sofrimento humano experimentado por tantos”. Nike e Adidas também suspenderam todas as operações no mercado russo. A sueca Ikea, gigante do setor de móveis, é outra que decidiu deixar a Rússia em função da guerra.

Nas áreas de entretenimento e tecnologia, alguns gigantes também optaram por suspender as vendas de produtos e serviços no país de Vladimir Putin. A Netflix interrompeu seus serviços e cancelou todos os projetos e aquisições na Rússia, enquanto WarnerDisney e Sony adiaram os lançamentos de suas novas produções no país. Já a Apple excluiu os aplicativos das empresas estatais russas de mídia RT e Sputnik e disse que não mais venderá seus produtos, como iPhonesiPads e afins, em território russo. PanasonicNokiaMicrosoft e Samsung são outras que optaram por encerrar as operações no país.

Duas importantes cervejarias da Europa, a holandesa Heineken e a dinamarquesa Carlsberg, também anunciaram que venderão seus negócios e deixarão de atuar na Rússia. Os planos da empresa da Holanda incluem manter o pagamento de seus funcionários até o final do ano, período no qual buscará um comprador, bem como vender o negócio sem margem de lucro. Já a companhia da Dinamarca diz que seguirá em funcionamento, mas com uma operação em pequena escala, até ser vendida.

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