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Nível de radioatividade em Chernobyl é ‘anormal’, diz chefe da Agência de Energia Atômica

Chefe da AIEA afirma que mudança ocorreu após tropas russas ocuparem a área. Soldados estiveram dentro da zona de exclusão de Chernobyl, que teve maior acidente nuclear do história há 36 anos. Imagem feita em 2018 mostram a nova estrutura que envolve o quarto reator de Chernobyl, danificado durante o acidente na usina nuclear, em 1986
Reuters
O nível de radioatividade na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, é “anormal” e subiu depois que as tropas russas ocuparam a área, declarou nesta terça-feira (26) o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, durante uma visita à central.
“Sobre o nível de radioatividade, eu diria que é anormal. Houve momentos em que os níveis subiram, devido à movimentação de equipamento pesado que as forças russas trouxeram para cá e quando saíram. Temos feito monitoramento diário”, declarou Grossi.
O diretor-geral também condenou a ocupação por parte das forças russas por várias semanas da usina, como “muito, muito perigosa”.
“A situação foi absolutamente anormal e muito, muito perigosa”, disse o chefe desta agência da ONU a repórteres durante sua visita a Chernobyl, exatamente 36 anos após a pior catástrofe nuclear da História.
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Grossi está acompanhado no local por um grupo de especialistas “para entregar equipamentos vitais”, como dosímetros e roupas de proteção, e fazer “controles radiológicos e outros”.
Esses especialistas devem “reparar os sistemas de vigilância remota, que pararam de transmitir dados para a sede” da AIEA, em Viena, na Áustria, logo após o início da guerra.
Ocupação russa
Localizada a 150 quilômetros ao norte de Kiev, a central de Chernobyl caiu nas mãos dos russos em 24 de fevereiro, no primeiro dia da invasão russa à Ucrânia, e sofreu um corte de energia e das redes de comunicação. Os soldados russos se retiraram da instalação nuclear em 31 de março.
Desde então, a situação voltou gradualmente ao normal, de acordo com relatórios diários da AIEA com base em informações do órgão regulador nuclear ucraniano.
Rafael Grossi já havia viajado à Ucrânia no final de março para lançar as bases de um acordo de assistência técnica. Na ocasião, visitou a usina de energia de Yuzhno-Ukrainsk, no sul, antes de se encontrar com autoridades russas em Kaliningrado, às margens do Báltico.
A Ucrânia possui 15 reatores em quatro usinas operacionais, além de depósitos de resíduos como o da usina de Chernobyl.
Acidente nuclear
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Um reator de Chernobyl explodiu em 1986, contaminando grande parte da Europa, mas especialmente Ucrânia, Rússia e Belarus.
Conhecida como zona de exclusão, o território em um raio de 30 quilômetros ao redor da usina ainda está fortemente contaminado e é proibido firmar residência nesta área.
No momento, as forças russas controlam a enorme usina nuclear de Zaporizhzhia. No final de fevereiro, esta última foi atingida por fogo de artilharia que incendiou prédios próximos e levantou temores de um desastre.
“A agressão ilegal e injustificada da Rússia na Ucrânia mais uma vez põe em risco a segurança nuclear em nosso continente”, alertaram o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, e o comissário europeu de Energia, Kadri Simson, em um comunicado conjunto.
As duas autoridades europeias acusam as forças russas de terem “danificado de forma imprudente as instalações” nucleares atingidas.
De acordo com Borrell e Simson, a interrupção das operações normais, “incluindo o rodízio de pessoal, compromete a operação segura das usinas nucleares na Ucrânia e aumenta significativamente o risco de acidentes”.
“No aniversário do acidente de Chernobyl, de 1986, reiteramos nossa maior preocupação com os riscos à segurança nuclear causados pelas recentes ações russas no local de Chernobyl”, ressaltaram.g1 > MundoRead More

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