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Rússia se escora no princípio da reciprocidade e expulsa 40 diplomatas alemães

O governo da Rússia anunciou nesta segunda-feira (25) a expulsão de 40 diplomatas da Alemanha, considerados a partir de agora persona no grata no país. O Ministério das Relações Exteriores de Moscou justificou a decisão com base no princípio da reciprocidade, após Berlim ter adotado a mesma medida no início do mês. As informações são da rede Voice of America (VOA).

Annalena Baerbock, ministra alemã das Relações Exteriores, disse que a expulsão dos russos é justificada, pois eles “trabalhavam sistematicamente contra a nossa liberdade e a coesão da nossa sociedade” em vez de exercerem atividade diplomática. Já os alemães em Moscou, segundo ela, atuavam arduamente em prol das relações bilaterais. “A Rússia, portanto, está se prejudicando com as expulsões de hoje”, disse.

Frente do prédio da embaixada russa em Berlim (Foto: WikiCommons)

A decisão do Kremlin surge em meio a uma enorme crise diplomática entre Moscou e a União Europeia (UE), fruto da guerra desencadeada pela invasão de tropas russas à Ucrânia. Desde o início do conflito, dezenas de diplomatas russos foram expulsos por países europeus, invariavelmente acusados de atuar como agentes de inteligência sob o disfarce diplomático.

Moscou, então, começou a retaliar. Na semana passada, HolandaBélgica e Áustria tiveram diplomatas expulsos pela Rússia, igualmente em retaliação a medidas idênticas. Novas expulsões são esperadas para os próximos dias

Por que isso importa?

A diplomacia russa tem dado enorme dor de cabeça às nações ocidentais nos últimos ano, com frequentes casos de diplomatas acusados por países europeus de desempenharem atividades de inteligência sob o disfarce do serviço diplomático.

O país mais afetado pela espionagem russa tem sido a Alemanha, dona da maior população e da principal economia da União Europeia (UE), o que a torna forte influenciadora do bloco, inclusive em assuntos ligados à Rússia.

A relação diplomática entre Moscou e Berlim é ruim desde 2014, quando da anexação da Crimeia. Desde então, o bloco europeu proibiu a venda para empresas russas de bens de dupla utilização, aqueles que poderiam também ter uso militar, e os casos de espionagem se acumulam.

O caso que mais contribuiu para estremecer as relações entre Berlim e Moscou ocorreu em 2020. Foi o envenenamento do principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, que aliados dele atribuem ao presidente russo Vladimir Putin. A vítima se recuperou na capital alemã antes de retornar à Rússia, onde está preso desde fevereiro de 2021.

A Ucrânia, agora integralmente invadida por tropas de Moscou, também detectou forte atividade de inteligência russa nos últimos anos. Um relatório divulgado pelo SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia, da sigla em inglês), no final de 2021, aponta que mais de 20 oficiais da inteligência russa operavam no país sob cobertura diplomática e foram denunciados desde 2014. O trabalho já levou aos tribunais mais de 180 réus, que foram posteriormente considerados culpados por traição e espionagem.

Até mesmo a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi alvo dos espiões, tendo anunciado, em outubro do ano passado, a expulsão de oito diplomatas russos. Como consequência, à época, a aliança ainda reduziu pela metade a equipe de Moscou dentro de seu quartel-general.

Em março deste ano, já em meio à guerra, outros países europeus anunciaram a expulsão de supostos diplomatas russos. Primeiro a Bulgária, que determinou a saída do país de dez acusados de desempenharem funções incompatíveis com o status diplomático. Uma semana depois foi a vez da Polônia, cuja lista de expulsões tinha 45 pessoas.

Dias depois, quatro países da União Europeia (UE) expulsaram 43 diplomatas russos no total. A Holanda puxou a fila, com 17 diplomatas expulsos por desempenharem “atividades secretas”. A Bélgica, em ação coordenada com o vizinho, expulsou 21 russos. O terceiro país a aderir à ação foi a República Tcheca, com um nome, enquanto a Irlanda anunciou uma lista com quatro indivíduos.

Já em abril foi a vez de a Alemanha expulsar 40 diplomatas russos, enquanto a França anunciou a saída de 25 indivíduos. A Lituânia, por sua vez, expulsou o embaixador russo em Vilnius e convocou seu principal diplomata em Moscou para retornar ao país. Na sequência, a vizinha Letônia disse estar “reduzindo suas relações diplomáticas com a Federação Russa”, sem dar maiores detalhes.

Uma nova leva de países europeus anunciaram a expulsão de integrantes do corpo diplomático russo neste mês de abril. Juntos, PortugalEspanhaDinamarcaSuécia e Itália expulsaram mais de 80 indivíduos acuados de usar as funções diplomáticas para acobertar o fato de servirem à inteligência russa. O mais recente caso foi o da Macedônia do Norte, com seis expulsões.

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Rússia se escora no princípio da reciprocidade e expulsa 40 diplomatas alemães

O governo da Rússia anunciou nesta segunda-feira (25) a expulsão de 40 diplomatas da Alemanha, considerados a partir de agora persona no grata no país. O Ministério das Relações Exteriores de Moscou justificou a decisão com base no princípio da reciprocidade, após Berlim ter adotado a mesma medida no início do mês. As informações são da rede Voice of America (VOA).

Annalena Baerbock, ministra alemã das Relações Exteriores, disse que a expulsão dos russos é justificada, pois eles “trabalhavam sistematicamente contra a nossa liberdade e a coesão da nossa sociedade” em vez de exercerem atividade diplomática. Já os alemães em Moscou, segundo ela, atuavam arduamente em prol das relações bilaterais. “A Rússia, portanto, está se prejudicando com as expulsões de hoje”, disse.

Frente do prédio da embaixada russa em Berlim (Foto: WikiCommons)

A decisão do Kremlin surge em meio a uma enorme crise diplomática entre Moscou e a União Europeia (UE), fruto da guerra desencadeada pela invasão de tropas russas à Ucrânia. Desde o início do conflito, dezenas de diplomatas russos foram expulsos por países europeus, invariavelmente acusados de atuar como agentes de inteligência sob o disfarce diplomático.

Moscou, então, começou a retaliar. Na semana passada, HolandaBélgica e Áustria tiveram diplomatas expulsos pela Rússia, igualmente em retaliação a medidas idênticas. Novas expulsões são esperadas para os próximos dias

Por que isso importa?

A diplomacia russa tem dado enorme dor de cabeça às nações ocidentais nos últimos ano, com frequentes casos de diplomatas acusados por países europeus de desempenharem atividades de inteligência sob o disfarce do serviço diplomático.

O país mais afetado pela espionagem russa tem sido a Alemanha, dona da maior população e da principal economia da União Europeia (UE), o que a torna forte influenciadora do bloco, inclusive em assuntos ligados à Rússia.

A relação diplomática entre Moscou e Berlim é ruim desde 2014, quando da anexação da Crimeia. Desde então, o bloco europeu proibiu a venda para empresas russas de bens de dupla utilização, aqueles que poderiam também ter uso militar, e os casos de espionagem se acumulam.

O caso que mais contribuiu para estremecer as relações entre Berlim e Moscou ocorreu em 2020. Foi o envenenamento do principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, que aliados dele atribuem ao presidente russo Vladimir Putin. A vítima se recuperou na capital alemã antes de retornar à Rússia, onde está preso desde fevereiro de 2021.

A Ucrânia, agora integralmente invadida por tropas de Moscou, também detectou forte atividade de inteligência russa nos últimos anos. Um relatório divulgado pelo SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia, da sigla em inglês), no final de 2021, aponta que mais de 20 oficiais da inteligência russa operavam no país sob cobertura diplomática e foram denunciados desde 2014. O trabalho já levou aos tribunais mais de 180 réus, que foram posteriormente considerados culpados por traição e espionagem.

Até mesmo a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi alvo dos espiões, tendo anunciado, em outubro do ano passado, a expulsão de oito diplomatas russos. Como consequência, à época, a aliança ainda reduziu pela metade a equipe de Moscou dentro de seu quartel-general.

Em março deste ano, já em meio à guerra, outros países europeus anunciaram a expulsão de supostos diplomatas russos. Primeiro a Bulgária, que determinou a saída do país de dez acusados de desempenharem funções incompatíveis com o status diplomático. Uma semana depois foi a vez da Polônia, cuja lista de expulsões tinha 45 pessoas.

Dias depois, quatro países da União Europeia (UE) expulsaram 43 diplomatas russos no total. A Holanda puxou a fila, com 17 diplomatas expulsos por desempenharem “atividades secretas”. A Bélgica, em ação coordenada com o vizinho, expulsou 21 russos. O terceiro país a aderir à ação foi a República Tcheca, com um nome, enquanto a Irlanda anunciou uma lista com quatro indivíduos.

Já em abril foi a vez de a Alemanha expulsar 40 diplomatas russos, enquanto a França anunciou a saída de 25 indivíduos. A Lituânia, por sua vez, expulsou o embaixador russo em Vilnius e convocou seu principal diplomata em Moscou para retornar ao país. Na sequência, a vizinha Letônia disse estar “reduzindo suas relações diplomáticas com a Federação Russa”, sem dar maiores detalhes.

Uma nova leva de países europeus anunciaram a expulsão de integrantes do corpo diplomático russo neste mês de abril. Juntos, PortugalEspanhaDinamarcaSuécia e Itália expulsaram mais de 80 indivíduos acuados de usar as funções diplomáticas para acobertar o fato de servirem à inteligência russa. O mais recente caso foi o da Macedônia do Norte, com seis expulsões.

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