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Traumas da guerra ameaçam ‘destruir uma geração’, diz diretora da ONU Mulheres

Relatos crescentes de violência sexual e tráfico de seres humanos na Ucrânia, supostamente cometidos contra mulheres e crianças no contexto de deslocamento em massa e da invasão russa em curso, estão levantando “todas as bandeiras vermelhas” sobre uma potencial crise geracional global. A afirmação foi feita pela chefe da agência de gênero da ONU, Sima Bahous, na segunda-feira (11).

A diretora executiva da ONU Mulheres disse que relatos de estupro e outros crimes estão surgindo à medida que um grande número de ucranianos deslocados continua fugindo de suas casas em meio à presença de soldados e mercenários recrutados, no contexto de assassinatos brutais de civis.

Ela relatou sua recente viagem à República da Moldávia, onde testemunhou ônibus cheios de mulheres e crianças ansiosas e exaustas sendo recebidas na fronteira ucraniana por trabalhadores da sociedade civil compassivos.

Condenando nos termos mais fortes um ataque a uma estação de trem em Kramatorsk, em 8 de abril, que matou dezenas de mulheres e crianças que aguardavam evacuação da Ucrânia, Bahous alertou que “esse trauma corre o risco de destruir uma geração”.

Por sua vez, Manuel Fontaine, diretor de emergências do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), disse que as equipes estavam descarregando suprimentos humanitários a apenas um quilômetro da estação de trem de Kramatorsk no momento do ataque de 8 de abril.

Crianças ucranianas que fugiram para a Romênia com a avó (Foto: Unicef/Ioana Moldovan)

Mortos e feridos

Crianças, famílias e comunidades na Ucrânia continuam sendo alvo de bombardeios, muitos não têm comida suficiente e os ataques aos sistemas de água deixaram cerca de 1,4 milhão sem acesso a um abastecimento seguro.

Até 10 de abril, a ONU verificou 142 crianças mortas e 229 crianças feridas, mas “sabemos que esses números são provavelmente muito maiores”. Centenas de escolas e instalações educacionais também foram atacadas ou usadas para fins militares.

Crimes de guerra

Kateryna Cherepakha, presidente da organização La Strada-Ucrânia, informou ao Conselho de Segurança da ONU que grupos locais de direitos humanos atualmente consolidam esforços para salvar vidas de civis e coletar testemunhos de sobreviventes sobre os crimes de guerra cometidos pela Federação Russa.

Apesar de indicações claras de sua condição de civis, e mesmo enquanto buscam evacuação, mulheres ucranianas desarmadas carregando crianças foram brutalmente mortas por tropas russas, disse ela, apontando para ataques à estação ferroviária de Kramatorsk, bem como a maternidades, jardins de infância e abrigos em Mariupol.

Destacando a crescente vulnerabilidade de mulheres e meninas à ameaça de sequestro, tortura e assassinato, ela, no entanto, alertou contra a visão das mulheres ucranianas como meras vítimas da agressão militar russa. De fato, ela disse, mulheres voluntárias, ativistas, jornalistas e defensoras de direitos humanos são parte integrante de seu país e de sua resistência.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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Traumas da guerra ameaçam ‘destruir uma geração’, diz diretora da ONU Mulheres

Relatos crescentes de violência sexual e tráfico de seres humanos na Ucrânia, supostamente cometidos contra mulheres e crianças no contexto de deslocamento em massa e da invasão russa em curso, estão levantando “todas as bandeiras vermelhas” sobre uma potencial crise geracional global. A afirmação foi feita pela chefe da agência de gênero da ONU, Sima Bahous, na segunda-feira (11).

A diretora executiva da ONU Mulheres disse que relatos de estupro e outros crimes estão surgindo à medida que um grande número de ucranianos deslocados continua fugindo de suas casas em meio à presença de soldados e mercenários recrutados, no contexto de assassinatos brutais de civis.

Ela relatou sua recente viagem à República da Moldávia, onde testemunhou ônibus cheios de mulheres e crianças ansiosas e exaustas sendo recebidas na fronteira ucraniana por trabalhadores da sociedade civil compassivos.

Condenando nos termos mais fortes um ataque a uma estação de trem em Kramatorsk, em 8 de abril, que matou dezenas de mulheres e crianças que aguardavam evacuação da Ucrânia, Bahous alertou que “esse trauma corre o risco de destruir uma geração”.

Por sua vez, Manuel Fontaine, diretor de emergências do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), disse que as equipes estavam descarregando suprimentos humanitários a apenas um quilômetro da estação de trem de Kramatorsk no momento do ataque de 8 de abril.

Crianças ucranianas que fugiram para a Romênia com a avó (Foto: Unicef/Ioana Moldovan)

Mortos e feridos

Crianças, famílias e comunidades na Ucrânia continuam sendo alvo de bombardeios, muitos não têm comida suficiente e os ataques aos sistemas de água deixaram cerca de 1,4 milhão sem acesso a um abastecimento seguro.

Até 10 de abril, a ONU verificou 142 crianças mortas e 229 crianças feridas, mas “sabemos que esses números são provavelmente muito maiores”. Centenas de escolas e instalações educacionais também foram atacadas ou usadas para fins militares.

Crimes de guerra

Kateryna Cherepakha, presidente da organização La Strada-Ucrânia, informou ao Conselho de Segurança da ONU que grupos locais de direitos humanos atualmente consolidam esforços para salvar vidas de civis e coletar testemunhos de sobreviventes sobre os crimes de guerra cometidos pela Federação Russa.

Apesar de indicações claras de sua condição de civis, e mesmo enquanto buscam evacuação, mulheres ucranianas desarmadas carregando crianças foram brutalmente mortas por tropas russas, disse ela, apontando para ataques à estação ferroviária de Kramatorsk, bem como a maternidades, jardins de infância e abrigos em Mariupol.

Destacando a crescente vulnerabilidade de mulheres e meninas à ameaça de sequestro, tortura e assassinato, ela, no entanto, alertou contra a visão das mulheres ucranianas como meras vítimas da agressão militar russa. De fato, ela disse, mulheres voluntárias, ativistas, jornalistas e defensoras de direitos humanos são parte integrante de seu país e de sua resistência.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News

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