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Ucrânia prepara bunkers para receber alunos na volta às aulas em meio à guerra

O ano letivo na Ucrânia começa em setembro, e o país trabalha atualmente para permitir que crianças e adolescentes voltem às aulas em segurança. Nesse sentido, algumas cidades têm preparado bunkers para receber os alunos, a fim de dar um mínimo de tranquilidade aos pais. Ainda assim, as aulas presenciais não estão garantidas. Muitos jovens podem ser forçados a manter o sistema de ensino à distância, e há aqueles para os quais mesmo esse plano B não estará disponível. As informações são da rede CNN.

Desde que a guerra teve início, no dia 24 de fevereiro, autoridades educacionais ucranianas estimam que 2,3 mil das 17 mil escolas do país foram danificadas. A previsão é de que 59% das escolas e universidades do país não estejam prontas até o dia 1º de setembro para a retomada das aulas presenciais, segundo o ministro da Educação Sergei Shkarlet.

De acordo com Sergei Horbachov, ombudsman educacional da Ucrânia, mesmo a reconstrução não é suficiente. “Nossas escolas não foram projetadas para serem usadas como instalações defensivas”, diz ele, admitindo que os alunos correrão risco caso estudarem em salas de aula convencionais. “O ano letivo será muito difícil. Começará em condições imprevisíveis e muito difíceis, quando na verdade não há lugar seguro na Ucrânia, já que mísseis (russos) podem atingir qualquer lugar”.

Daí a iniciativa de algumas cidades de usar bunkers para abrigar os jovens. É o caso de Irpin, subúrbio de Kiev. Por lá, a Escola Número 17, uma das maiores da cidade, com 2,4 mil alunos, foi parcialmente destruída. Os buracos na paredes e nos pisos foram reparados com a ajuda do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que também contribuiu para reconstruir o abrigo antiaéreo da escola.

Meninas ucranianas que fugiram de Kiev e receberam suporte do Unicef (Foto: Antonina Latayko/Unicef)

“Fazemos com que seja seguro e confortável lá, que as crianças não tenham medo e que os pais fiquem calmos”, disse o diretor da instituição de ensino, Ivan Ptashnyk.

No caso da jovem Zlata Pavlenko, que vive e estuda em Kiev, nem mesmo o bunker garante que ela terá a oportunidade de ir à escola. O espaço não é grande o bastante para abrigar todos os alunos, e ainda não foi decidida a melhor forma de agir. Uma opção é dividir os alunos em turnos. A outra, retomar as aulas online, o que já ocorreu entre 2020 e 2021 devido à pandemia.

“Como mãe, é mais difícil para mim quando a criança está estudando em casa”, disse Hanna Kovalenko, a mãe da jovem de 11 anos. Ela afirma que o estudo à distância impede que as crianças interajam umas com as outras, o que gera prejuízo de aprendizado. “Então, gostaríamos que ela estudasse offline”, diz.

A avaliação do Unicef segue o mesmo caminho. “Em última análise, queremos ver todas as crianças de volta à escola e aprendendo no ambiente escolar”, disse Murat Sahin, representante da agência, explicando que a socialização é uma parte importante do aprendizado, desenvolvendo habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas.

Escassez de tecnologia e mão de obra

O ensino à distância, no entanto, não é uma opção viável para todos os ucranianos, devido à escassez de dispositivos tecnológicos e internet de alta velocidade. Uma pesquisa de avaliação realizada em junho aponta que o setor educacional precisa de 203 mil tablets e 165 mil laptops para que professores e alunos continuem o aprendizado online.

Não é apenas a tecnologia que está em falta durante o conflito. O corpo docente está reduzido também, vez que 22 mil dos 43 mil educadores deixaram o país. Há ainda os casos daqueles que permanecem no país, mas vivem em áreas ocupadas pela Rússia ou por forças pró-Moscou.

Horbachov diz ter recebido quase 500 mensagens de professores que se dizem “forçados a trabalhar de acordo com os programas educacionais dos ocupantes“. Ele afirma que, em situações assim, “a língua e a história ucranianas foram expulsas dos programas“, com casos de professores pró-Kiev expulsos de casa e ameaçados de prisão ou execução.

Crianças mortas

Na segunda-feira (22), o Unicef anunciou que 972 crianças foram mortas ou feridas na guerra, média de mais de cinco casos por dia. A estimativa é pouco diferente da feita pelo governo ucraniano, que fala em 361 mortos e 1.072 feridos, segundo Horbachov.

No entanto, Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, destaca que os números reais tendem a ser maiores em função da subnotificação. A maioria das vítimas infantis resultou do uso de armas explosivas, justamente o que preocupa as escolas na volta às aulas.

Uma pesquisa feita em junho pelo governo ucraniano estima ainda que 5,7 milhões de crianças em idade escolar, dos 3 aos 18 anos, que vivem na Ucrânia foram afetadas pela guerra, das quais 2,8 milhões estão deslocadas internamente. Já a ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que 6,3 milhões de pessoas deixaram o país, muitas das quais são mulheres e crianças.

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Ucrânia prepara bunkers para receber alunos na volta às aulas em meio à guerra

O ano letivo na Ucrânia começa em setembro, e o país trabalha atualmente para permitir que crianças e adolescentes voltem às aulas em segurança. Nesse sentido, algumas cidades têm preparado bunkers para receber os alunos, a fim de dar um mínimo de tranquilidade aos pais. Ainda assim, as aulas presenciais não estão garantidas. Muitos jovens podem ser forçados a manter o sistema de ensino à distância, e há aqueles para os quais mesmo esse plano B não estará disponível. As informações são da rede CNN.

Desde que a guerra teve início, no dia 24 de fevereiro, autoridades educacionais ucranianas estimam que 2,3 mil das 17 mil escolas do país foram danificadas. A previsão é de que 59% das escolas e universidades do país não estejam prontas até o dia 1º de setembro para a retomada das aulas presenciais, segundo o ministro da Educação Sergei Shkarlet.

De acordo com Sergei Horbachov, ombudsman educacional da Ucrânia, mesmo a reconstrução não é suficiente. “Nossas escolas não foram projetadas para serem usadas como instalações defensivas”, diz ele, admitindo que os alunos correrão risco caso estudarem em salas de aula convencionais. “O ano letivo será muito difícil. Começará em condições imprevisíveis e muito difíceis, quando na verdade não há lugar seguro na Ucrânia, já que mísseis (russos) podem atingir qualquer lugar”.

Daí a iniciativa de algumas cidades de usar bunkers para abrigar os jovens. É o caso de Irpin, subúrbio de Kiev. Por lá, a Escola Número 17, uma das maiores da cidade, com 2,4 mil alunos, foi parcialmente destruída. Os buracos na paredes e nos pisos foram reparados com a ajuda do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que também contribuiu para reconstruir o abrigo antiaéreo da escola.

Meninas ucranianas que fugiram de Kiev e receberam suporte do Unicef (Foto: Antonina Latayko/Unicef)

“Fazemos com que seja seguro e confortável lá, que as crianças não tenham medo e que os pais fiquem calmos”, disse o diretor da instituição de ensino, Ivan Ptashnyk.

No caso da jovem Zlata Pavlenko, que vive e estuda em Kiev, nem mesmo o bunker garante que ela terá a oportunidade de ir à escola. O espaço não é grande o bastante para abrigar todos os alunos, e ainda não foi decidida a melhor forma de agir. Uma opção é dividir os alunos em turnos. A outra, retomar as aulas online, o que já ocorreu entre 2020 e 2021 devido à pandemia.

“Como mãe, é mais difícil para mim quando a criança está estudando em casa”, disse Hanna Kovalenko, a mãe da jovem de 11 anos. Ela afirma que o estudo à distância impede que as crianças interajam umas com as outras, o que gera prejuízo de aprendizado. “Então, gostaríamos que ela estudasse offline”, diz.

A avaliação do Unicef segue o mesmo caminho. “Em última análise, queremos ver todas as crianças de volta à escola e aprendendo no ambiente escolar”, disse Murat Sahin, representante da agência, explicando que a socialização é uma parte importante do aprendizado, desenvolvendo habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas.

Escassez de tecnologia e mão de obra

O ensino à distância, no entanto, não é uma opção viável para todos os ucranianos, devido à escassez de dispositivos tecnológicos e internet de alta velocidade. Uma pesquisa de avaliação realizada em junho aponta que o setor educacional precisa de 203 mil tablets e 165 mil laptops para que professores e alunos continuem o aprendizado online.

Não é apenas a tecnologia que está em falta durante o conflito. O corpo docente está reduzido também, vez que 22 mil dos 43 mil educadores deixaram o país. Há ainda os casos daqueles que permanecem no país, mas vivem em áreas ocupadas pela Rússia ou por forças pró-Moscou.

Horbachov diz ter recebido quase 500 mensagens de professores que se dizem “forçados a trabalhar de acordo com os programas educacionais dos ocupantes“. Ele afirma que, em situações assim, “a língua e a história ucranianas foram expulsas dos programas“, com casos de professores pró-Kiev expulsos de casa e ameaçados de prisão ou execução.

Crianças mortas

Na segunda-feira (22), o Unicef anunciou que 972 crianças foram mortas ou feridas na guerra, média de mais de cinco casos por dia. A estimativa é pouco diferente da feita pelo governo ucraniano, que fala em 361 mortos e 1.072 feridos, segundo Horbachov.

No entanto, Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, destaca que os números reais tendem a ser maiores em função da subnotificação. A maioria das vítimas infantis resultou do uso de armas explosivas, justamente o que preocupa as escolas na volta às aulas.

Uma pesquisa feita em junho pelo governo ucraniano estima ainda que 5,7 milhões de crianças em idade escolar, dos 3 aos 18 anos, que vivem na Ucrânia foram afetadas pela guerra, das quais 2,8 milhões estão deslocadas internamente. Já a ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que 6,3 milhões de pessoas deixaram o país, muitas das quais são mulheres e crianças.

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