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Contingente reduzido leva Putin a pedir que empresas mantenham o emprego dos voluntários

O governo da Rússia continua trabalhando para contornar o problema da redução de contingente na Ucrânia. Preocupado com a situação, o presidente Vladimir Putin disse na segunda-feira (5) que os empregadores deveriam assegurar as vagas dos funcionários que eventualmente venham a se voluntariar para ir à guerra. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

Segundo o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, surgiram casos de cidadãos que teriam sido ameaçados pelos empregadores ao solicitarem longos períodos de férias para ir à guerra. Embora a determinação de Putin não tenha efeito legal, a intenção do governo é transformá-la em lei.

Um caso em particular teria dado início ao debate. Trata-se de um funcionário do Ministério de Situações de Emergência no Extremo Oriente que teria perdido o emprego porque decidiu se alistar nas forças armadas. Para o Kremlin, casos assim desestimulam o cidadão russo a se voluntariar,

“Putin prometeu a esse funcionário dar instruções, chamar a atenção do governo para a lacuna na legislação russa”, disse Peskov, acrescentando que “a legislação deve ser alinhada com a situação de fato”.

O caso, porém, não é isolado. Situações semelhantes vinham sendo registradas, com trabalhadores ameaçados pelo desemprego ao optarem por cumprir o contrato de três meses com as forças armadas na Ucrânia. Antes mesmo da manifestação de Putin, legisladores russos já debatiam a questão.

Militares russos em treinamento de combate (Foto: Facebook/reprodução)

Opções emergenciais

A Rússia tem enfrentado sérias dificuldade para encontrar novos soldados dispostos a combater na Ucrânia, com a guerra tendo ultrapassado a marca dos seis meses. A principal razão para Moscou buscar novos combatentes é o alto número de baixas em suas fileiras, o que levou a uma preocupante redução de contingente.

Embora o país não divulgue dados oficiais, Washington apresentou uma estimativa em 8 de agosto: entre 70 mil e 80 mil soldados russos foram mortos ou feridos na guerra. Alguns dias antes, em 20 de julho, William Burns, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), afirmou que 15 mil soldados russos haviam morrido na guerra até então.

Putin já havia determinado o aumento legal do efetivo de suas forças armadas. Um decreto assinado por ele criou 137 mil novos postos militares, aumentando em 10% o número de combatentes ativos e atingindo assim um efetivo de 1,15 milhão. Não haverá aumento nas vagas destinadas a civis, que completam o quadro das forças armadas. Atualmente, há 1,9 milhão de postos, entre civis e militares. Com o novo recrutamento, que entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2023, serão cerca de 2,05 milhões.

Enquanto o decreto não vigora, Moscou recorre invariavelmente a combatentes longe das condições ideais. Soldados que participaram do conflito dizem ter passado por um treinamento curto, com duração entre cinco e dez dias. Uma prática que contraria o Ministério da Defesa da Rússia, segundo o qual uma preparação de quatro semanas é necessária para considerar o soldado apto. 

Existe ainda a delicada situação dos conscritos, soldados recrutados pelo governo e enviados ao campo de batalha mesmo contra a própria vontade. Nessas situações, o envio à guerra só é permitido pela legislação russa após quatro meses de serviço militar. O tema é sensível porque o governo teme insatisfação generalizada no país caso obrigue os cidadãos a combater.

Desde o início do conflito, Moscou afirma que apenas soldados profissionais fazem parte do que o governo classifica como “operação militar especial“. Em março, porém, o Ministério da Defesa admitiu que alguns conscritos foram enviados por engano, mas já teriam sido levados de volta à Rússia. Inclusive, houve a promessa de punições aos oficiais que os enviaram à guerra contra a própria vontade.

Já a ONG de direitos humanos Gulagu.net, que monitora o sistema carcerário do país, diz que detentos também têm sido convocados para a guerra pela FSB (Agência de Segurança Federal, da sigla em inglês) e pelo Wagner Group, uma organização paramilitar que serve aos interesses do Kremlin e está ativa na Ucrânia. Os centros de recrutamento seriam colônias penais das regiões de São Petesburgo, Tver, Ryazan, Smolensk, Rostov, Voronezh e Lipetsk.

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Contingente reduzido leva Putin a pedir que empresas mantenham o emprego dos voluntários

O governo da Rússia continua trabalhando para contornar o problema da redução de contingente na Ucrânia. Preocupado com a situação, o presidente Vladimir Putin disse na segunda-feira (5) que os empregadores deveriam assegurar as vagas dos funcionários que eventualmente venham a se voluntariar para ir à guerra. As informações são do jornal independente The Moscow Times.

Segundo o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, surgiram casos de cidadãos que teriam sido ameaçados pelos empregadores ao solicitarem longos períodos de férias para ir à guerra. Embora a determinação de Putin não tenha efeito legal, a intenção do governo é transformá-la em lei.

Um caso em particular teria dado início ao debate. Trata-se de um funcionário do Ministério de Situações de Emergência no Extremo Oriente que teria perdido o emprego porque decidiu se alistar nas forças armadas. Para o Kremlin, casos assim desestimulam o cidadão russo a se voluntariar,

“Putin prometeu a esse funcionário dar instruções, chamar a atenção do governo para a lacuna na legislação russa”, disse Peskov, acrescentando que “a legislação deve ser alinhada com a situação de fato”.

O caso, porém, não é isolado. Situações semelhantes vinham sendo registradas, com trabalhadores ameaçados pelo desemprego ao optarem por cumprir o contrato de três meses com as forças armadas na Ucrânia. Antes mesmo da manifestação de Putin, legisladores russos já debatiam a questão.

Militares russos em treinamento de combate (Foto: Facebook/reprodução)

Opções emergenciais

A Rússia tem enfrentado sérias dificuldade para encontrar novos soldados dispostos a combater na Ucrânia, com a guerra tendo ultrapassado a marca dos seis meses. A principal razão para Moscou buscar novos combatentes é o alto número de baixas em suas fileiras, o que levou a uma preocupante redução de contingente.

Embora o país não divulgue dados oficiais, Washington apresentou uma estimativa em 8 de agosto: entre 70 mil e 80 mil soldados russos foram mortos ou feridos na guerra. Alguns dias antes, em 20 de julho, William Burns, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), afirmou que 15 mil soldados russos haviam morrido na guerra até então.

Putin já havia determinado o aumento legal do efetivo de suas forças armadas. Um decreto assinado por ele criou 137 mil novos postos militares, aumentando em 10% o número de combatentes ativos e atingindo assim um efetivo de 1,15 milhão. Não haverá aumento nas vagas destinadas a civis, que completam o quadro das forças armadas. Atualmente, há 1,9 milhão de postos, entre civis e militares. Com o novo recrutamento, que entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2023, serão cerca de 2,05 milhões.

Enquanto o decreto não vigora, Moscou recorre invariavelmente a combatentes longe das condições ideais. Soldados que participaram do conflito dizem ter passado por um treinamento curto, com duração entre cinco e dez dias. Uma prática que contraria o Ministério da Defesa da Rússia, segundo o qual uma preparação de quatro semanas é necessária para considerar o soldado apto. 

Existe ainda a delicada situação dos conscritos, soldados recrutados pelo governo e enviados ao campo de batalha mesmo contra a própria vontade. Nessas situações, o envio à guerra só é permitido pela legislação russa após quatro meses de serviço militar. O tema é sensível porque o governo teme insatisfação generalizada no país caso obrigue os cidadãos a combater.

Desde o início do conflito, Moscou afirma que apenas soldados profissionais fazem parte do que o governo classifica como “operação militar especial“. Em março, porém, o Ministério da Defesa admitiu que alguns conscritos foram enviados por engano, mas já teriam sido levados de volta à Rússia. Inclusive, houve a promessa de punições aos oficiais que os enviaram à guerra contra a própria vontade.

Já a ONG de direitos humanos Gulagu.net, que monitora o sistema carcerário do país, diz que detentos também têm sido convocados para a guerra pela FSB (Agência de Segurança Federal, da sigla em inglês) e pelo Wagner Group, uma organização paramilitar que serve aos interesses do Kremlin e está ativa na Ucrânia. Os centros de recrutamento seriam colônias penais das regiões de São Petesburgo, Tver, Ryazan, Smolensk, Rostov, Voronezh e Lipetsk.

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