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Rússia e Mianmar são os únicos Estados a usar minas terrestres em 2022, diz relatório

O mais recente relatório anual da organização Campanha Internacional para a Proibição de Minas Terrestres (ICBL, da sigla em inglês) aponta que Rússia e Mianmar são os únicos dois países que usaram os artefatos explosivos neste ano. Nem Moscou nem Naipidau figuram entre os 164 Estados que integram o Tratado de Proibição de Minas, de 1997. As informações são da rede Voice of America (VOA).

Além dessas nações negativamente em destaque – uma em guerra e outra sob regime militar após golpe –, de acordo com o documento, os Estados que mais efetivamente produzem minas antipessoal são Índia, Irã e Paquistão. Nenhum supera a Rússia, que foi o lugar no mundo onde mais se desenvolveu e produziu novos dispositivos, com marcações indicando fabricação entre 2019 e 2021.

Pelo menos sete tipos de minas antipessoais foram usados desde a invasão da Ucrânia pelas tropas de Vladimir Putin, deixando pelo menos 277 pessoas mortas ou mutiladas, apontou o Monitor de Minas Terrestres 2022.

Um menino ferido depois que o carro em que viajava atropelou uma mina terrestre recebe tratamento em Lviv, na Ucrânia (Foto: Viktor Moskaliuk/Unicef)

Vastas áreas do país invadido foram minadas desde 24 fevereiro. Equipes de desminagem visitantes, que trabalharam em regiões recentemente reconquistadas ao redor de Kherson, desenterraram dispositivos explosivos.

“Entendemos que a Ucrânia é o país mais contaminado do mundo. Neste momento, temos mais de 200 mil quilômetros quadrados ainda não verificados e não desminados. Trata-se apenas de territórios libertados. Ainda temos muitos territórios ocupados que não não conta agora”, disse o vice-ministro do Interior da Ucrânia, Meri Akopyanaos.

O relatório revela que, além da Rússia, as minas terrestres serviram de armas para forças de Mianmar contra infraestruturas, como torres de telefonia móvel, empresas extrativas e oleodutos.

Os militares birmaneses fazem uso constante de minas antipessoal desde que o primeiro relatório do Monitor de Minas Terrestres foi publicado há 24 anos. Lá, segundo a ONU, ocorrem situações de crianças usadas como “escudo”. Em 2020, 15 foram forçadas a caminhar em frente de uma unidade do Tatmadaw para garantir que o acampamento estivesse livre de minas terrestres e proteger os soldados de ataques.

“Houve um aumento no uso de minas antipessoal pelas forças do governo em Mianmar em torno de torres de telecomunicações, oleodutos e outras instalações de energia, bem como algum uso por grupos armados não estatais naquele país”, acrescentou Wareham.

O Tratado de Proibição de Minas de 1997 proíbe minas antiterrestres e exige que os países destruam estoques, limpem áreas afetadas por minas e ajudem as vítimas. O relatório diz que 94 Estados destruíram um total de mais de 55 milhões de minas terrestres de seus estoques desde que o acordo entrou em vigor.

Os Estados Unidos não fazem parte do tratado. Em junho, o presidente Joe Biden sinalizou que o objetivo do ser governo era aderir. Ele também se comprometeu em restringir o uso dos artefatos ao redor do planeta.

Por que isso importa?

O Monitor reúne dados de meados de 2021 a outubro de 2022. Além da Rússia e de Mianmar, que não fazem parte do Tratado de Proibição de Minas, também foi detectado o uso por grupos armados não estatais em pelo menos cinco países: Colômbia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Índia e Mianmar.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), as baixas causadas por minas terrestres e restos de explosivos de guerra têm causado preocupação nos últimos sete anos, pelo alto número revertendo uma tendência de reduções históricas. Os civis são a maioria das vítimas, metade eram crianças.

A ONU tem observado desde 2015, um aumento de conflitos e contaminação por minas improvisadas. No ano passado, foram pelo menos 5.544 vítimas, com 2.182 mortes e 3.355 feridos. A Síria, que não firmou o tratado, registrou o maior número de baixas anuais, com1.227, pelo segundo ano consecutivo. Em seguida, vem o Afeganistão, com 1.074 atingidos. O país teve mais de mil baixas anuais por mais de uma década.

Outros Estados-Partes com mais de 100 baixas registradas em 2021 foram Colômbia, Iraque, Mali, Nigéria e Iêmen.

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Além dessas nações negativamente em destaque – uma em guerra e outra sob regime militar após golpe –, de acordo com o documento, os Estados que mais efetivamente produzem minas antipessoal são Índia, Irã e Paquistão. Nenhum supera a Rússia, que foi o lugar no mundo onde mais se desenvolveu e produziu novos dispositivos, com marcações indicando fabricação entre 2019 e 2021.

Pelo menos sete tipos de minas antipessoais foram usados desde a invasão da Ucrânia pelas tropas de Vladimir Putin, deixando pelo menos 277 pessoas mortas ou mutiladas, apontou o Monitor de Minas Terrestres 2022.

Um menino ferido depois que o carro em que viajava atropelou uma mina terrestre recebe tratamento em Lviv, na Ucrânia (Foto: Viktor Moskaliuk/Unicef)

Vastas áreas do país invadido foram minadas desde 24 fevereiro. Equipes de desminagem visitantes, que trabalharam em regiões recentemente reconquistadas ao redor de Kherson, desenterraram dispositivos explosivos.

“Entendemos que a Ucrânia é o país mais contaminado do mundo. Neste momento, temos mais de 200 mil quilômetros quadrados ainda não verificados e não desminados. Trata-se apenas de territórios libertados. Ainda temos muitos territórios ocupados que não não conta agora”, disse o vice-ministro do Interior da Ucrânia, Meri Akopyanaos.

O relatório revela que, além da Rússia, as minas terrestres serviram de armas para forças de Mianmar contra infraestruturas, como torres de telefonia móvel, empresas extrativas e oleodutos.

Os militares birmaneses fazem uso constante de minas antipessoal desde que o primeiro relatório do Monitor de Minas Terrestres foi publicado há 24 anos. Lá, segundo a ONU, ocorrem situações de crianças usadas como “escudo”. Em 2020, 15 foram forçadas a caminhar em frente de uma unidade do Tatmadaw para garantir que o acampamento estivesse livre de minas terrestres e proteger os soldados de ataques.

“Houve um aumento no uso de minas antipessoal pelas forças do governo em Mianmar em torno de torres de telecomunicações, oleodutos e outras instalações de energia, bem como algum uso por grupos armados não estatais naquele país”, acrescentou Wareham.

O Tratado de Proibição de Minas de 1997 proíbe minas antiterrestres e exige que os países destruam estoques, limpem áreas afetadas por minas e ajudem as vítimas. O relatório diz que 94 Estados destruíram um total de mais de 55 milhões de minas terrestres de seus estoques desde que o acordo entrou em vigor.

Os Estados Unidos não fazem parte do tratado. Em junho, o presidente Joe Biden sinalizou que o objetivo do ser governo era aderir. Ele também se comprometeu em restringir o uso dos artefatos ao redor do planeta.

Por que isso importa?

O Monitor reúne dados de meados de 2021 a outubro de 2022. Além da Rússia e de Mianmar, que não fazem parte do Tratado de Proibição de Minas, também foi detectado o uso por grupos armados não estatais em pelo menos cinco países: Colômbia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Índia e Mianmar.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), as baixas causadas por minas terrestres e restos de explosivos de guerra têm causado preocupação nos últimos sete anos, pelo alto número revertendo uma tendência de reduções históricas. Os civis são a maioria das vítimas, metade eram crianças.

A ONU tem observado desde 2015, um aumento de conflitos e contaminação por minas improvisadas. No ano passado, foram pelo menos 5.544 vítimas, com 2.182 mortes e 3.355 feridos. A Síria, que não firmou o tratado, registrou o maior número de baixas anuais, com1.227, pelo segundo ano consecutivo. Em seguida, vem o Afeganistão, com 1.074 atingidos. O país teve mais de mil baixas anuais por mais de uma década.

Outros Estados-Partes com mais de 100 baixas registradas em 2021 foram Colômbia, Iraque, Mali, Nigéria e Iêmen.

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