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Aos 28 anos, técnico se destaca ao conduzir o Tijuca até a disputa por inédita vaga na Superliga A

Aos 28 anos, técnico se destaca ao conduzir o Tijuca até a disputa por inédita vaga na Superliga A

Mais jovem entre os treinadores das Superligas A e B, Matheus Bieler tenta ajudar sua equipe a garantir mais uma vitória e a classificação para a elite; comandar a seleção brasileira é um sonho Pinhalense 0 x 3 Tijuca | Melhores momentos | Jogo 1 | Semifinal | Superliga B feminina de vôlei 2024/2025
Tijucano, de 28 anos, e tendo o pai e Bernardinho como principais inspirações, o técnico do Tijuca Tênis Clube, Matheus Bieler está diante do maior desafio da sua carreira. O mais jovem entre os técnicos da Superliga A e B tem pela frente a segunda partida pela semifinal da Superliga B, neste domingo, às 11h, contra o Pinhalense, com transmissão ao vivo do sportv2. Após vencer o primeiro jogo, o time está a uma vitória da classificação inédita para a Superliga A. Em um dos treinos preparatórios para o confronto decisivo para assegurar uma vaga na elite do vôlei nacional, o treinador, que começou em 2017 como estagiário na equipe da Zona Norte do Rio de Janeiro, contou sobre sua trajetória, características de jogo e o sonho de comandar a seleção brasileira.
— Estamos vivendo um momento de muita expectativa, a um jogo de conseguirmos o acesso para Superliga A. Ainda não ganhamos nada e eu sempre friso isso. Precisamos concretizar em casa, com mais uma vitória. Óbvio que a expectativa é muito alta. Ansiedade grande das atletas, do clube e nossa da comissão técnica, mas estamos com o pé bastante no chão, pois sabemos que vai ser duro — relata o treinador, um dos primeiros a chegar ao ginásio e a puxar o grito de guerra do clube para iniciar as atividades.
Matheus Bieler é o técnico do Tijuca Tênis Clube.
Thiago Mendes
O Tijuca, que só foi derrotado nesta temporada uma única vez, precisa somente de mais uma vitória para assegurar um feito inédito: jogar a Superliga A, visto que os dois finalistas conseguem a vaga. Se perder neste domingo, o Pinhalense forçará o terceiro e decisivo jogo da semifinal, que também acontecerá no Rio de Janeiro. Em uma possível final, a equipe carioca vai lutar pelo título com quem avançar do duelo entre Sorocaba e São Caetano.
Para Matheus, será um jogo muito difícil contra a equipe tida como a mais complicada de enfrentar na temporada, que virá com menos peso e mais solta. No lado tijucano, a equipe estabeleceu um planejamento para que as jogadoras chegassem neste momento do campeonato no melhor nível físico e técnico. Além disso, vão apostar em algo presente desde a primeira rodada: organização do time, a partir da relação saque-defesa-bloqueio. Aliás, é essa organização tática que é considerada o principal motivo pelo retrospecto de somente oito sets perdidos na primeira fase e oito vitórias por 3 sets a 0.
— Eu acredito muito e acho que sem isso você não consegue jogar. Você pode ter o melhor ataque do mundo, mas se você não conseguir organizar sua defesa, na minha cabeça, não consigo jogar. Para o feminino, o jogo funciona muito mais à base disso, do que propriamente ataque só. Meu time precisa estar organizado. Tiveram jogos que ganhei, mas fiquei insatisfeito porque senti que o time estava desorganizado. Passe, que é um fundamento muito individual, vai ter dias que poderá estar ruim, mas a questão de organização, sistema de jogo, defesa e bloqueio é uma coisa que eu friso muito — destacou.
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Ao analisar a temporada, o técnico observa que mesmo em meio a momentos de baixo nível técnico, a equipe venceu. Ele cita, inclusive, os dois jogos das quartas contra o Chapecó, quando fez mais substituições do que o habitual. As trocas surtiram efeito e elevaram o grau de atenção e, sem desespero, mantiveram a estratégia programada. Resultado: duas vitórias, a primeira por 3 sets a 1 e a segunda, 3 a 0.
Matheus Bieler é o técnico do Tijuca Tênis Clube.
Thiago Mendes
— Eu acredito muito nelas e sempre falo com as jogadoras que vamos jogar da seguinte forma: quando a gente jogar mal, vamos ganhar. Quando a gente jogar bem, vamos atropelar. E foi isso que a aconteceu. Quando a gente jogou o vôlei bem jogado, atropelamos o adversário. Também ganhamos jogando mal. Independente de jogar bem ou mal, temos que ganhar o jogo. Com certeza, o que fez ganharmos jogos jogando mal, foi ter um grupo organizado e elenco forte. Organização e grupo. Vai ter dias que o ataque pode estar ruim, o passe não vai sair legal, mas a organização é o que vai segurar a onda — pontuou, também citando contratações que considera assertivas, como jovens com potencial.
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O Tijuca conta com um grupo heterogêneo, na visão de Bieler. Atletas mais experientes como Neneca e Vivian convivem com Nátalia e Bia, com idade na casa dos 25 anos, junto com jogadoras da geração a partir de 2005. Apesar de sentir a diferença e dificuldades na maneira de tratamento, o técnico diz comandar uma equipe especial e unida, que gosta muito de trabalhar e treinar. Está aprendendo, inclusive, a perceber e a lidar com as consequências do ciclo menstrual das jogadoras.
— Isso acontece junto todo mês, geralmente. Elas falam que, como convivem juntas, acaba que sempre vem junto. Tem semanas que está todo mundo virando a cara… (risos) Mas é uma questão que a gente vai aprendendo e já sabe como lidar — contou.
Vôlei no sangue e no sobrenome
Aos nove anos, Matheus começou na escolinha de vôlei no próprio Tijuca. Antes disso, as brincadeiras também já envolviam o esporte, que domina o ambiente familiar. O pai Marcos Vinícius Medeiros jogou no time profissional do América, o irmão mais novo Gabriel Bieler, de 22 anos, é levantador do Suzano, e na partida da última quinta, contra o São José, recebeu o troféu Viva Vôlei como melhor em quadra. Já a irmã Natália, também vestiu o uniforme vermelho e branco do Tijuca e cursou faculdade e pós-graduação nos Estados Unidos, através do esporte.
Gabriel Bieler, do Suzano, é irmão mais novo do treinador
Pedro Teixeira/Vôlei Renata
Como atleta, tal como o irmão, Bieler foi levantador e passou pelas categorias mirim, infantil e sub-15, 17, 19 e 21. Depois destas experiências e de atuar como “braço” — uma espécie de auxiliar em treinos — na seleção brasileira, decidiu se graduar em Educação Física, sempre tendo o vôlei como plano de fundo. O objetivo era estar preparado, assim que surgisse uma oportunidade, que apareceu mais rápido do que ele imaginava.
— Fiz uma escadinha. Comecei bem lá de baixo, em 2017, quando iniciei o processo como estagiário, passando pelo mirim, infantil, categorias mais novas. Fui galgando espaço, mostrando e trabalhando bem feito, junto com o Mário, que até hoje é o treinador do mirim e infantil. Fizemos um trabalho bom, gerações vencedoras, conseguimos vários títulos para o clube. E depois de um bom tempo teve a possibilidade de assumir uma categoria. Até então, eu assumiria uma categoria mais a baixo, a mirim-infantil, mas acabou que o clube confiou e me colocou em uma categoria mais acima, que na época era a infantojuvenil, e agora é sub 19 e sub 21 — relatou.
Em 2023, o time comandado por Matheus foi campeão estadual. Na oportunidade, publicou um agradecimento em uma rede social, em que citava um “ano de reconstrução, mudanças, muitos problemas, mas no fim valeu muito a pena”. Sobre o posicionamento, ele conta que atuou para profissionalizar o vôlei do clube.
— Quando eu entrei aqui em 2023, eu falei com o Marcos, que na época era diretor de vôlei e hoje é vice-presidente de esportes terrestres: “Cara, a gente tem que entrar para fazer alguma coisa diferente. O Tijuca tem 110 anos, nunca teve um projeto e nunca conseguiu dar um passo à frente. Temos que entrar para fazer algo diferente”. Por isso, citei mudanças, pois vi que precisávamos mudar algumas coisas para chegar onde precisávamos. E realmente a gente conseguiu mudar visões, tornar cada vez mais profissional — disse.
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Depois da conquista no sub-19, Matheus assumiu o projeto com adultos, seguido da conquista da Superliga C, que selou o acesso para a Superliga B, onde o Tijuca joga por duas temporadas.
Inspirações de respeito e liderança
Da experiência como levantador, Matheus relata que aproveitou todos os treinadores. Segundo ele, foi uma vivência crucial para aprender o que funciona ou não e entender o que passaria adiante com as jogadoras que comandasse.
— Gilberto foi meu técnico no Tijuca por seis anos, em grande parte da minha carreira. Ele me ensinou muitas coisas para a vida. Ele me mostrou que a vida não é muito fácil, da importância do treinamento, comportamento, disciplina e postura. Era algo que cobrava muito da gente e eu cobro muito das meninas. Ele passou isso: “Tem que ser sempre bom”. Talvez na minha época como jogador, eu não via esses aspectos como questões determinantes, mas hoje em dia como técnico sei que sem ter isso, é difícil e não dar para chegar em lugar nenhum.
Matheus Bieler é o técnico do Tijuca Tênis Clube.
Thiago Mendes
O treinador carioca contou que também observa constantemente comandantes da Superliga. Foi assim que Bernardinho despontou como inspiração, ao ser, para ele, exemplo de dedicação, disciplina, comportamento e liderança. Bieler já participou de palestras, leu livros e estuda jogos do treinador do Sesc-Flamengo.
— É um cara que gosto muito. Ele me inspira demais, até pelas conquistas, por tudo o que conseguiu fazer, por gostar de treinar e trabalhar. Ele fala muito de disciplina e coloca em prática. A liderança que ele tem sob o grupo é muito interessante. Quem vê o jeito dele pela televisão e, depois vê ele treinando, sabe que não é bem assim. É um cara que tem o respeito do grupo sem ser um cara ruim. Isso é algo que eu acredito. Você não precisa tratar as pessoas mal, você tem que respeitar. Quando você faz isso, perde o respeito — declarou.
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Antes de terminar a resposta sobre sua maior inspiração, Matheus cita o pai como maior incentivador. Mesmo desejando que o Bieler atuasse como jogador, o apoio paterno é contínuo desde então.
— Eu sempre falei que quero trabalhar com vôlei porque acho que consigo fazer uma carreira boa. Meu pai nunca falou algo diferente, sempre me deu muita força para seguir — disse.
Sendo um representante da nova geração de treinadores, Bieler acredita que trará ao vôlei brasileiro sua vivência acerca do respeito no tratamento com as atletas. Ele considera que cobranças fazem parte da rotina, mas “você não precisa ser odiado pelo grupo para ter respeito”. Com relação a esquema tático, a opinião é que o estilo de jogo está em constante mudança.
— Tem gente que pensa que o jogo deve ser de uma forma e acha que o do outro está errado. Eu tento ver todos os lados dos vários estilos. O Brasil joga de uma forma, os EUA, os times asiáticos e europeus de outra. Eu tento sempre estar estudando para saber o que tem de mais interessante e que posso trazer para o meu time, como questões táticas, ataque, levantamento, velocidade. Eu não acredito em inventar uma maneira de jogar. Acho que ninguém vai inventar. Todo mundo vai mudando, pegando uma característica e colocando a sua cara — comentou.
Matheus Bieler é o técnico do Tijuca Tênis Clube.
Thiago Mendes
Comandar seleção brasileira é um dos objetivos
Sobre os planos na carreira, Matheus reforça que o objetivo imediato é vencer o jogo de domingo, que terá transmissão do sportv 2. Quanto à permanência no Tijuca, ele brinca: “Se não me mandarem embora… (risos)”.

— Acredito que sim. Minha vontade sempre é continuar. Estamos começando ainda o projeto, que é totalmente orgânico, com uma grana minúscula. Seremos os estreantes na Superliga A, algo que não tem há muito tempo — afirma.
Entretanto, as perspectivas de Bieler não param por aí. Na elite do vôlei do Brasil, ele almeja se consolidar como técnico de alto nível.
— Também tenho o sonho, lógico, que é chegar na seleção. Quero um dia chegar lá, fazer o caminho que tem que fazer — finalizou. geRead More

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