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As porradas de Scaloni na seleção brasileira: dentro e fora de campo

As porradas de Scaloni na seleção brasileira: dentro e fora de campo

Ainda pior do que o constrangedor abismo entre as seleções é acordar e lembrar que a ameaça de violência veio do Brasil, enquanto o banho de bola e de elegância vieram da Argentina Argentina 4 x 1 Brasil | Melhores momentos | 14ª rodada | Eliminatórias da Copa 2026
Ações e reações dos jogadores argentinos antes, durante e depois da irrefutável vitória sobre o Brasil elucidaram o efeito da conversa entre Romário e Raphinha. Ao invejável desfrutar do jogo que marca este time campeão mundial, foi acrescentado o ingrediente do desejo de calar o adversário, fardo que a Seleção, em eternas formações e reformulações, não precisava carregar em Buenos Aires.
Raphinha, felizmente, não cumpriu a inadmissível promessa feita ao senador. Não houve porrada nem dentro nem fora de campo. Ferida está a seleção brasileira, pela reeleição unânime de uma terrível gestão, a incapacidade da comissão técnica de planejar e interpretar o maior dos jogos, a insegurança que domina cada jogador em cada gesto, e, como se não fosse suficiente, pelo banho de bola e classe dado por Lionel Scaloni.
Ao contrário do que se pode imaginar, Scaloni não é produto de um projeto, e sim do acaso. A AFA compete em desorganização com a CBF. Quando ele herdou o comando, a seleção tentava superar a ressaca de tempos difíceis com Jorge Sampaoli, vivia pela enésima vez o risco de perder Lionel Messi e amargava longos 28 anos sem títulos.
Lionel Scaloni canta o hino argentino antes do clássico entre Argentina e Brasil
Daniel Jayo/Getty Images
Em quase sete anos, Scaloni construiu a identidade exibida na terça-feira, que o Brasil parecia desconhecer. O jogo argentino estava todo ali, mesmo sem Messi e Lautaro Martínez. Saída de bola apoiada, aproximação dos meio-campistas por dentro, uso dos lados para triangulações, ataque à área. Comprovou-se um erro de Dorival Júnior a tentativa da manutenção de uma suposta estrutura forjada nas partidas anteriores.
Primeiramente porque essa estrutura, apesar de até então invicta, não era sólida o bastante para um desafio deste porte. Dois volantes, um com mais participação na saída de bola e outro de mais aproximação da construção ofensiva, e quatro jogadores mais agudos, entre eles um centroavante – nato ou não – de maior mobilidade.
Jogadores da Argentina comemoram com minuto de silêncio: “Brasil está morto”
Mas, principalmente, porque a diferença de estágio de formação entre as equipes clamava para que o Brasil tivesse como prioridade tentar anular os pontos fortes da Argentina. E enfrentar esse vaivém da bola dos pés de Paredes para os de De Paul, para Enzo, para Almada, para Álvarez, para o lateral, para o goleiro, para o outro lado… com apenas André e Joelinton soou demasiadamente pretensioso. Irreal.
O gol brasileiro, presente de Romero, jamais esteve próximo de acontecer por qualquer ação coletiva. Mérito da iniciativa e da precisão de Matheus Cunha, que igualou o número de gols de Romário pela seleção principal contra a Argentina. E marcando em Buenos Aires, onde o Baixinho, um dos maiores centroavantes da história deste esporte, jamais atuou.
O segundo gol argentino, por sua vez, poderá ser exposto em qualquer museu. Por um minuto e 33 segundos de posse de bola até o golpe final de Enzo, o uso de todas as suas virtudes e a exploração de todas as fragilidades do adversário. Uma porrada de Lionel Scaloni num futebol que, ao mesmo tempo em que se diz saudoso de uma identidade ofensiva e capaz de produzir encanto a todos os olhares, agora se orgulha de ameaçar bater no rival.
A porrada definitiva foi desferida diante do microfone. Ovacionado por seu povo, campeão mundial e dono da maior goleada sofrida pelo Brasil na história das eliminatórias, Scaloni até poderia, mas fez questão de não descer a este nível. Desculpou Raphinha, garantiu que o grande jogador – porque Raphinha é, sim, um grande jogador – não teve intenção de dizer o que, de fato, disse; enalteceu o pentacampeonato e, sorrindo, falou dos seus muitos amigos brasileiros.
Para quem gosta de aplicar rótulos a si mesmo e aos rivais, ainda pior do que o 4 a 1 e o constrangedor abismo entre as seleções, é acordar e lembrar que a ameaça de violência veio do Brasil, enquanto o banho de bola e de elegância vieram da Argentina. geRead More

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