Dólar sobe e fecha a R$ 5,75, de olho no ‘tarifaço’ de Trump e em falas de Haddad; Ibovespa cai

A moeda norte-americana subiu 0,61%, cotada a R$ 5,7517. O principal índice da bolsa de valores recuou 0,77%, aos 131.321 pontos. Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters
N
O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (24), a R$ 5,75, com o mercado repercutindo o “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as novas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aqui no Brasil.
Uma reportagem do site americano Bloomberg News apurou que Trump planeja anunciar, no início de abril, novas tarifas de importação sobre determinados itens, países e blocos econômicos. A medida se junta às taxas recíprocas já prometidas pelo presidente para o próximo dia 2.
Regiões com as quais os EUA têm um superávit comercial (quando os norte-americanos vendem mais para o país do que compram dele), no entanto, podem ser poupadas dessas taxas.
Nesse sentido, nesta manhã, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, disse que “o Brasil não é um problema para os EUA” e lembrou que o país norte-americano tem superávit comercial com o Brasil.
Mesmo assim, o mercado brasileiro teme que as taxas americanas possam ser mais duras e que atinjam as indústrias brasileiras — tendo em vista que os EUA são o principal importador de produtos com alto valor agregado do país, como máquinas e aviões, por exemplo.
Por aqui, declarações de Fernando Haddad sobre o arcabouço fiscal (a regra para as contas públicas do país) pesaram para a alta do real.
O ministro da Fazenda afirmou que, quando o país tiver estabilidade da dívida pública, além de Selic e inflação comportadas, será possível mudar parâmetros que balizam o arcabouço, mas não a arquitetura baseada em limite de gasto e meta de resultado primário.
Os comentários estressaram as cotações, com parte do mercado enxergando certo risco na declaração, ainda que Haddad não tenha sugerido, de fato, mudanças que possam enfraquecer o arcabouço.
Mais tarde, o ministro fez uma publicação no X (antigo Twitter) esclarecendo as afirmações — o que ajudou a aliviar a tensão nos mercados.
Diante do cenário, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em baixa, na contramão de Wall Street.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
Dólar
O dólar subiu 0,61%, cotado a R$ 5,7517. Na máxima do dia, atingiu os R$ 5,7722. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
recuo de 2,78% no mês; e
perda de 6,93% no ano.
Na última sexta-feira (21), a moeda americana teve alta de 0,73%, cotada a R$ 5,7171.
a
Ibovespa
O Ibovespa caiu 0,77%, aos 131.321 pontos.
Com o resultado, o Ibovespa acumulou:
avanço de 6,94% no mês; e
ganho de 9,18% no ano.
Na sexta, o índice teve alta de 0,30%, aos 132.345 pontos.
O que está mexendo com os mercados?
As tarifas de Trump voltaram a ocupar um espaço central nas atenções dos mercados financeiros globais na semana seguinte à reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que manteve os juros dos EUA inalterados entre 4,25% e 4,50% ao ano.
Trump prometeu impor uma enxurrada de tarifas recíprocas na próxima semana, cujos detalhes não estão claros. O que se sabe é que as taxas devem ser calculadas para refletir o impacto das tarifas estrangeiras, bem como impostos estrangeiros de valor agregado sobre importações.
Várias reuniões diplomáticas entre os países são esperadas nas próximas semanas para entender como as tarifas vão funcionar. Nos encontros, também deverão ser negociadas isenções ou medidas mais flexíveis.
Enquanto o ambiente for marcado por incertezas, o mercado deve continuar buscando “refúgios seguros” para o dinheiro, conforme afirmou Bob Savage, chefe de estratégias macro do BNY, em uma nota enviada aos clientes.
O principal “refúgio seguro” do mercado são as Treasuries, os títulos públicos norte-americanos. Em momentos de incertezas, os investidores migram seus investimentos para esses ativos considerados seguros, o que valoriza o dólar e outras divisas tradicionais em detrimento de outras moedas, principalmente as de países emergentes.
Os temores são de que, com as tarifas, uma guerra comercial possa se acentuar. E taxas elevadas entre os países tendem a encarecer os preços dos produtos, elevando a inflação e impactando o consumo e a atividade econômica.
Nesta segunda-feira, Trump também afirmou que qualquer país que compre petróleo ou gás da Venezuela pagará uma tarifa de 25% sobre negociações feitas com os EUA. Essa “tarifa secundária” entrará em vigor em 2 de abril, informou o republicano em publicação na rede Truth Social.
O presidente declarou ainda que irá, “em um futuro muito próximo”, anunciar taxas sobre automóveis, alumínio e produtos farmacêuticos.
Tarifas altas sobre a importação de produtos nos EUA podem elevar os preços de bens e serviços dentro do país, pressionando a inflação e diminuindo o consumo. Com essas perspectivas, o mercado segue mais pessimista em relação à maior economia do mundo e aos possíveis impactos globais.
Além disso, o aumento das tarifas pode reduzir o nível de exportações dos países que vendem seus produtos aos EUA, como o Brasil, o que pode impactar a força da atividade econômica do país.
Apesar dos temores, há uma expectativa de tarifas mais amenas sobre setores que podem impactar grandes empresas americanas. Assim, ações da montadora de veículos elétricos Tesla, de Elon Musk, vivem um dia de forte alta, com salto de quase 12%.
Os principais índices de ações norte-americanos tiveram ganhos nesta segunda. O S&P 500 avançou 1,76%, enquanto o Dow Jones subiu 1,42% e o Nasdaq, 2,27%.
Além das expectativas com a política tarifária de Trump, a semana é marcada por uma série de divulgações importantes, com destaque para a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC), que elevou a Selic, taxa básica de juros, a 14,25% ao ano na semana passada, e para novos números de inflação nos EUA.
Nesta segunda, também, o BC divulgou a nova edição do Boletim Focus — relatório que reúne a média das projeções de economistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país.
Nesta edição, houve a segunda redução consecutiva nas expectativas para a inflação de 2025, que passaram de 5,66% para 5,65%. Mesmo com a queda, se essas projeções se concretizarem, a inflação brasileira encerrará mais um ano acima da meta, que é de 3% e pode oscilar entre 1,50% e 4,50% para ser considerada oficialmente cumprida.
As expectativas também caíram para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, passando de 1,99% para 1,98%.
*Com informações da agência de notícias Reutersg1 > EconomiaRead More