Quarta maior cidade do RS, Pelotas não terá representante na elite após mais de 50 anos

Com gestões ineficazes e muitos erros, Pelotas e Brasil foram rebaixados para a Série A2 de 2026 Pelotas e Brasil-Pel são rebaixados no Gauchão 2025
Depois de mais de 50 anos, a elite do futebol gaúcho não contará com um representante de Pelotas em 2026. Os erros de gestão, as escolhas equivocadas e o péssimo desempenho dentro de campo culminaram no rebaixamento da dupla Bra-Pel. A queda dos rivais juntos é a maior mancha da história de uma das praças mais tradicionais do Rio Grande do Sul.
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Quarta maior cidade do Estado com 325 mil habitantes, Pelotas sempre foi conhecida pela rivalidade apimentada entre Pelotas e Brasil. Na história dos dois clubes, a gangorra era notável. Em diversos momentos, um despontava entre as grande forças do interior, enquanto o outro amargava anos a ser esquecidos.
No entanto, essa realidade foi modificada em uma temporada de duplo rebaixamento, um reflexo dos sérios problemas que atingem tanto Lobo como Xavante nos últimos anos.
Sem ao menos um dos representantes, a cidade, localizada na região sul do Estado, colocará fim a uma sequência de 50 anos marcando presença no Gauchão. O último estadual sem ter Brasil, Pelotas ou Farroupilha foi disputado há 51 anos, em 1974.
Eternos rivais, Pelotas e Brasil caíram abraçados no Gauchão
Lucas Rhamon/Pelotas
Depois de uma primeira fase preocupante em 2025, Pelotas e Brasil ingressaram no quadrangular do rebaixamento junto a São José e Avenida. Os dois primeiros colocados após seis rodadas escapariam.
Mas dentro de campo, mesmo diante de adversários do mesmo patamar, os erros praticados durante toda a primeira fase se repetiram. No final das contas, o Lobo, com seis pontos, e o Xavante, com cinco, se despediram da primeira prateleira estadual.
O descenso também é reflexo do momento econômico na região sul. Nos últimos anos, cidades como Pelotas e Rio Grande perderam poder de investimento para munícipios situados na Serra, nos vales ou na região metropolitana. O empobrecimento da ponta de baixo do Estado bateu forte também em clubes tradicionais na história do Gauchão.
A queda livre do Xavante
Considerado na última década a terceira força do futebol gaúcho, o Brasil sucumbiu por repetidos problemas de gestão. O Xavante se manteve na Série B do Campeonato Brasileiro entre 2016 e 2021. Desde então, registra um insucesso atrás do outro.
Em um espaço de menos de cinco anos, viu o seu cenário mudar drasticamente. Depois de cair no Gauchão, disputará a Série D nacional. Se não conseguir subir para a Série C, só terá calendário na Série A2 estadual do ano que vem.
– A gente conversou, eu e o Vilmar (Xavier, presidente), de fazer um time um pouco mais pesado para tentar buscar uma Copa do Brasil e ficar entre os quatro do Campeonato Gaúcho, gastar um pouquinho mais. E deu tudo errado – comentou vice-presidente Gonzalo Russomano em entrevista coletiva após a derrota em casa para o Avenida que culminou no rebaixamento.
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Os anos amargos para os xavantes são alimentados por uma crise financeira e também institucional. Nem mesmo nos anos de Série B o clube conseguiu gerar novas receitas e criar uma cultura de profissionalizar o futebol. Nem mesmo as categorias de base engrenaram.
Além disso, em meio a gestões inacabadas, irregularidades minaram o ambiente no Bento Freitas. No ano passado, ex-dirigentes foram alvo de operação do Ministério Público por suspeita de desviar e se apropriar de recursos do clube.
De acordo com as investigações, houve a utilização indevida de parte de uma verba enviada à equipe de Pelotas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Outro ponto notável na trajetória recente foi a dificuldade em acertar as suas próprias contas. Em diversos momentos, jogadores pediram desligamento por não receber vencimentos devidamente. O cenário mudou neste ano, mas o elenco formado pela direção passou longe de ser suficiente para garantir a manutenção na elite.
Breve passagem pela elite
Depois de quatro anos na segunda divisão do futebol gaúcho, o Pelotas apenas bateu na elite e já está de volta à Série A2. Dentro de campo, deixou a desejar, principalmente na primeira fase da competição sob o comando de Ariel Lanzini.
No quadrangular do rebaixamento, com a chegada do técnico Alessandro Telles, deu sinais de que poderia garantir a permanência, mas a falta de capacidade técnica dos jogadores prevaleceu. Mesmo superior em boa parte dos jogos, foi penalizado pela pouca efetividade.
Pelotas é rebaixado no Gauchão
Quantos jogos vimos o Pelotas jogar muito melhor que seu adversário e acabar não vencendo, não colocando a bola para dentro?
– Tivemos erros em apostar em jogadores que achávamos que iriam dar resultado e acabaram não dando certo. Erros na montagem de um elenco que não supriu a necessidade da primeira divisão. Nosso maior problema foi não ter um calendário longo para negociar – afirmou o presidente Rodrigo Brito.
A intenção do Pelotas agora é não fechar as portas até a Série A2 do ano que vem. Em 2025, por exemplo, a competição começará na segunda quinzena de maio. Portanto, o Lobão deve participar da Copa da Confederação Gaúcha de Futebol, que vai de setembro a dezembro.
– Nós temos que jogar a Copinha e, a partir dela, fazer uma base para conseguir jogar a Série A2 e sair com êxito mais uma vez – finalizou Brito. geRead More