Trump assina decreto que impõe tarifa de 25% a países que compram petróleo e gás da Venezuela

Mídia internacional afirmou, no entanto, que Trump pode descartar tarifas sobre setores específicos quando aplicar taxas recíprocas. Donald Trump durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em 7 de fevereiro de 2025
REUTERS/Kent Nishimura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto nesta segunda-feira (24) que impõe uma tarifa de 25% sobre qualquer país que comprar petróleo ou gás da Venezuela.
A medida, que entra em vigor no dia 2 de abril, visa pressionar economicamente o governo venezuelano e seus parceiros comerciais.
Trump afirmou ainda que a Venezuela enviou, propositalmente, “dezenas de milhares de criminosos” — incluindo membros de uma gangue venezuelana chamada de “Tren de Aragua” —, e que tem sido muito “hostil aos EUA e às liberdades” defendidas pelo país.
“Portanto, qualquer país que compre petróleo e/ou gás da Venezuela será forçado a pagar uma tarifa de 25% aos Estados Unidos em qualquer comércio que fizer com nosso país”, disse Trump em sua rede social.
O governo americano também decidiu dar mais tempo para a empresa Chevron encerrar suas operações na Venezuela.
No início deste mês, Trump emitiu uma ordem para suspender por 30 dias uma licença que os EUA haviam concedido à empresa de energia desde 2022 para operar na Venezuela e exportar seu petróleo, depois de acusar o presidente Nicolás Maduro de não progredir nas reformas eleitorais e no retorno de migrantes.
Após o anúncio de Trump, os preços do petróleo no mercado internacional subiam 1%.
Agora, o Tesouro dos EUA informou que vai esperar mais sete semanas, até 27 de maio, antes de cancelar a licença que permite à Chevron operar na Venezuela e exportar petróleo para os Estados Unidos. Essa extensão foi anunciada poucas horas depois de Trump divulgar a nova tarifa.
Essas duas medidas aumentam a pressão sobre os compradores de petróleo venezuelano que não sejam os Estados Unidos, como a China. No entanto, ainda não está claro como o governo americano vai aplicar essa tarifa.
Bolsas pelo mundo abrem em alta com sinais de flexibilidade de Trump sobre tarifas recíprocas
Sinais de flexibilidade sobre as tarifas recíprocas
Apesar da publicação sobre novas taxas impostas aos países que compram petróleo e gás da Venezuela, há sinalizações de que o presidente norte-americano pode ser mais flexível com alguns setores específicos na imposição das tarifas recíprocas, prometidas pelo republicano em fevereiro.
Nesta segunda-feira, por exemplo, Trump afirmou que pode dar descontos em tarifas a “muitos países”, reiterando que planeja anunciar mais taxas sobre automóveis nos próximos dias.
“Anunciaremos algumas tarifas adicionais nos próximos dias, relacionadas a automóveis e também à madeira”, disse o presidente norte-americano em entrevista a jornalistas, acrescentando que nem todas as taxas serão inclusas em 2 de abril.
Mais cedo, no entanto, um funcionário do governo Trump advertiu que a situação era fluida e que nenhuma decisão final havia sido tomada.
O próprio Trump determinará, em última instância, o conteúdo do anúncio de 2 de abril, que ele tem chamado de “Dia da Liberação” para a economia dos EUA. O movimento tem como objetivo reduzir o déficit global de US$ 1,2 trilhão no comércio de mercadorias, elevando as tarifas dos EUA aos níveis cobrados por outros países e contrapondo suas barreiras comerciais não tarifárias.
Trump disse em fevereiro que pretende impor tarifas sobre automóveis “na casa dos 25%” e taxas semelhantes sobre semicondutores e importações de produtos farmacêuticos, mas depois concordou em adiar algumas tarifas sobre automóveis após pressão das três maiores montadoras dos EUA para obter uma isenção.
O Wall Street Journal e a Bloomberg informaram que tarifas a setores específicos devem ser adiadas, citando também um funcionário do governo.
A turbulenta ofensiva tarifária de Trump desde sua posse em janeiro tem sido marcada por ameaças, reversões e atrasos, às vezes horas antes dos prazos de imposição, à medida que sua equipe comercial formula políticas rapidamente.
Até o momento, ele impôs novas tarifas de 20% sobre as importações chinesas, restaurou totalmente as tarifas de 25% sobre as importações globais de aço e alumínio e impôs tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e do México que não estão em conformidade com um acordo comercial norte-americano.
Duas altas autoridades de Trump — o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o principal assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett — disseram na semana passada que o governo deverá focar o esperado anúncio de tarifas recíprocas em 2 de abril em um conjunto mais restrito de países com os maiores superávits comerciais e altas barreiras tarifárias e não tarifárias.
Bessent se referiu a esses países como os “15 Sujos”, uma referência a 15% dos países, enquanto Hassett disse à Fox Business que o foco seria em 10 a 15 países.
Um porta-voz do escritório do Representante de Comércio dos EUA, que está liderando o esforço para determinar as tarifas recíprocas, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um porta-voz da Casa Branca também não respondeu.
Em uma solicitação de comentários públicos sobre as tarifas recíprocas, o escritório do Representante de Comércio disse que estava particularmente interessado nos maiores parceiros comerciais dos EUA e aqueles com os maiores superávits comerciais de mercadorias.
O escritório do Representante de Comércio indicou Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, Índia, Indonésia, Japão, Coreia, Malásia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Suíça, Taiwan, Tailândia, Turquia, Reino Unido e Vietnã como sendo de interesse particular, acrescentando que eles cobrem 88% do comércio total de mercadorias com os EUA.g1 > Mundo Read More