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Dor nos treinos: quando é sinal de alerta e como prevenir

Dor nos treinos: quando é sinal de alerta e como prevenir

Entenda tudo sobre dor muscular
Treinar regularmente é essencial para saúde, melhorar condicionamento físico e o bem-estar, mas nem toda dor gerada pela atividade física é sinal de evolução. Muitas vezes, o desconforto pode indicar sobrecarga, desequilíbrios musculares ou até problemas de saúde mais sérios. Especialistas de diferentes áreas explicam como diferenciar alguns dos tipos de dor, identificar sinais de alerta e adotar medidas preventivas para treinar com segurança. Confira!
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Homem sente dor no ombro durante treino na academia
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Dor muscular: natural ou sinal de alerta
Após treinos intensos ou mudanças de estímulo, é comum sentir a chamada dor muscular tardia (DOMS). Ela costuma aparecer entre 12 e 24 horas, afetando todo o grupo muscular trabalhado e melhora com movimento leve.
– Essa dor é normal e indica microlesões que estimulam o fortalecimento muscular. Ela tende a diminuir entre três e sete dias, conforme o corpo se adapta – explica o médico do esporte Lindbergh Barbosa de Souza Mendes.
Mas nem toda dor muscular é inofensiva. Quando surge durante o exercício, é intensa e localizada, ou vem acompanhada de hematomas, estalos ou perda de força, pode indicar lesão. Segundo o médico, se a dor impedir a execução do movimento, alterar a sua técnica ou não melhorar com o tempo, é sinal de alerta e deve ser avaliada.
Articulações e coluna: sobrecarga e inflamação
Dores em ombros, joelhos, quadris e coluna são comuns entre atletas e demais praticantes de atividades físicas. Na maioria das vezes, estão relacionadas a movimentos repetitivos ou desequilíbrios musculares.
– A dor mecânica tende a piorar com carga e melhorar em repouso. Já condições inflamatórias, como tendinites ou bursites, provocam dor persistente, localizada, que piora em movimentos específicos – pontua a ortopedista Juliana Munhoz Vergara.
Dor na lombar durante treino
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De acordo com a especialista, tendinopatias se manifestam com rigidez matinal curta e dor à palpação, enquanto bursites apresentam aumento de volume, calor local e desconforto ao toque. Lombalgias também podem surgir, mesmo com técnica correta, devido a fatores multifatoriais como fadiga, déficit de força ou sensibilidade nervosa.
– Programas que combinam fortalecimento, controle motor e flexibilidade ajudam a reduzir dores recorrentes e melhorar a função – complementa Juliana Vergara.
Dores musculares, articulares ou nervosas: sinais do sistema nervoso
Muito além de dores frequentes de cabeça, qualquer dor que “corre” para o braço ou perna deve ser investigada por um neurologista. Quando a dor se espalha pelo braço ou perna (a chamada dor irradiada), pode ser sinal de que existem nervos comprometidos.
– Esse tipo de dor, classicamente, está ligado a alterações neurológicas, especialmente se for acompanhada de fraqueza, dificuldade de segurar objetos ou andar – alerta o médico neurologista Lucas Ferreti, especialista em dor.
Dor no braço
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Ele ainda explica que as dores musculares e articulares costumam vir acompanhadas de “estalos” ou rigidez e melhora com exercícios. Já as dores localizadas nos nervos de nervos se apresentam com uma sensação de choque, queimação ou formigamento, que segue o caminho de um nervo. Qualquer fraqueza súbita ou alteração de sensibilidade é sinal de atenção.
– O ideal é fazer sempre um aquecimento adequado antes de qualquer atividade física e um alongamento após os exercícios para a recuperação. É importante também progredir gradualmente a carga e prezar pela técnica correta na execução dos movimentos. Além de hidratar muito e respeitar o tempo de descanso entre os treinos – destaca o neurologista.
Dor no peito e sintomas cardiovasculares
Dores no peito durante o exercício exigem atenção imediata. Conforme esclarece o médico cardiologista Daniel Petlik, do Hospital Israelita Albert Einstein, sinais típicos de alerta incluem aperto no centro do peito, irradiação para braço, mandíbula ou costas, piora com esforço e melhora no repouso.
– Se a dor aparece como um aperto no centro do peito, irradiando para o pescoço, costas ou braço esquerdo, piora com o esforço e melhora no repouso, é sinal de atenção. Ainda mais se vier acompanhada de cansaço fora do normal, palpitações ou queda repentina no desempenho – orienta Daniel Petlik.
Falta de ar desproporcional, tontura ou suor frio também indicam sobrecarga cardiovascular e devem ser investigados imediatamente.
– É normal o descondicionamento físico causar falta de ar proporcional ao esforço e melhorar com o treino progressivo. Já a sobrecarga cardiovascular causa sintomas desproporcionais: falta de ar exagerada, dor no peito, palpitações ou tontura. Isso merece investigação. Dor no peito não é sinal de condicionamento insuficiente, mas um alerta do corpo – enfatiza o cardiologista.
Dor no peito durante treino
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Antes de treinos intensos, exames como eletrocardiograma e avaliação médica completa são recomendados, principalmente para quem possui fatores de risco cardiovasculares.
Estratégias para prevenir dores e lesões
Os especialistas reforçam a importância de medidas preventivas simples e eficazes:
Aquecimento e mobilidade: preparar músculos e articulações antes do treino reduz risco de lesões;
Progressão gradual da carga: aumentos súbitos de intensidade ou volume aumentam o risco de microlesões e inflamações musculares;
Fortalecimento e estabilidade: músculos fortes e equilibrados protegem articulações e nervos, distribuindo melhor as forças;
Técnica correta: priorizar a execução adequada dos movimentos evita sobrecarga articular e compensações prejudiciais;
Recuperação: sono de qualidade, hidratação e alimentação equilibrada são fundamentais para regeneração tecidual;
Acompanhamento multidisciplinar: médicos, fisioterapeutas, educadores físicos e nutricionistas ajudam a identificar riscos, ajustar treinos e garantir evolução segura.
– O corpo precisa de estímulo correto e tempo de adaptação. Dor que persiste, altera o movimento ou limita funções não deve ser ignorada – reforça Lindbergh Mendes.
Quando parar e procurar avaliação médica
Avaliação médica ao sentir dor
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Alguns sinais indicam que a atividade física deve ser interrompida e uma avaliação médica é necessária:
Dor intensa, pontual, com estalo, hematoma ou inchaço;
Impossibilidade de apoiar peso ou perda de força súbita;
Dor noturna, febre ou outros sinais sistêmicos;
Formigamento, dormência ou dor irradiada;
Dor no peito com falta de ar, tontura ou palpitações.
– Nenhum ganho de performance compensa o risco de lesão mal tratada. Parar no momento certo garante retorno seguro e evolução adequada – frisa Juliana Vergara.
Importância da abordagem multidisciplinar
O diagnóstico precoce e a atuação integrada entre médico do esporte, ortopedista, cardiologista, neurologista, fisioterapeuta, educador físico e nutricionista aumentam a segurança nos treinos e aceleram a recuperação.
– Cada especialista olha a dor de um ângulo diferente: o médico define diagnóstico e limites biológicos, o fisioterapeuta corrige os déficits, o treinador ajusta carga e técnica, e o nutricionista otimiza recuperação. Juntos, conseguimos tratar a causa e prevenir novas lesões – explica Lucas Ferreti.
Treinar com intensidade é importante, mas respeitar os sinais do corpo é essencial. Reconhecer a dor correta, entender as suas causas e agir com orientação profissional garante evolução, performance e saúde a longo prazo.
Fontes
Daniel Petlik é médico cardiologista, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e pós-graduado em Nutrologia na mesma instituição. Membro da Sociedade Brasileira de Cardiologista (SBC).
Juliana Munhoz Vergara é médica ortopedista, especialista em cirurgia do joelho. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
Lucas Ferreti é médico neurologista e especialista em dor. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.
Lindbergh Barbosa de Souza Mendes é médico ortopedista e traumatologista. Médico do Esporte pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) e Associação Médica Brasileira (AMB). Pós-graduado em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). geRead More