Palmeiras e Flamengo: não será “a maior final da Libertadores”, mas é um jogo destinado a entrar para a história
Quando Palmeiras e Flamengo entrarem no gramado do estádio Monumental, em Lima, no próximo sábado, estará prestes a começar uma das finais de Libertadores mais aguardadas dos últimos tempos. Os ingredientes transbordam: os dois elencos mais fortes e vencedores do continente, repletos de jogadores cobiçados por todos os adversários, e dois clubes que nos últimos anos passaram a alimentar forte rivalidade — esportiva, financeira e política.
Talvez seja precoce colocar um rótulo que defina o jogo. Não é a maior final da Libertadores, visto que já tivemos confrontos memoráveis envolvendo esquadrões que praticamente moldaram o futebol — por exemplo, é muito difícil superar (hoje e sempre) Pelé desfilando sua majestade na Bombonera, em 1963. Também, para ser a maior decisão do século, mesmo que o desfecho tenha sido um vergonhoso jogo em Madrid, precisaríamos esquecer La final del mundo, entre Boca e River, em 2018, envolvendo uma das maiores rivalidades do futebol, com a Argentina praticamente dividida. Mas isso é assunto que não acaba mais.
Estádio Monumental de Lima às vésperas de Palmeiras x Flamengo
Letícia Marques/ge
O fato é que Flamengo e Palmeiras vão realizar, sim, um jogo destinado a entrar na galeria dos grandes embates continentais. Depois, será preciso apenas aguardar algum tempo para saber em que lugar o filtro da história irá colocá-lo, mas é inegável que vai merecer uma prateleira de destaque. Porque são vários os componentes que alimentam a grandeza do confronto, e todos estarão todos expostos na carpeta do estádio Monumental.
Primeiro, há um peso simbólico indiscutível: teremos o primeiro tetracampeão brasileiro da Libertadores. Em um país que viu seus campeões revezarem-se através das décadas, alguns fazendo da busca pela supremacia o propósito da existência (como São Paulo e Grêmio), com muitos gigantes movendo montanhas para enfim conquistar o título inédito, será um carteiraço pesado demais poder exibir quatro taças da Libertadores. Assim, quase como uma mão que acena, dizendo que o debate acabou.
Veja o retrospecto de Palmeiras e Flamengo antes da final da Libertadores
Sem dúvida, no entanto, o aspecto que mais salta aos olhos é a potência técnica dos finalistas. Analisando as duas escalações, temos praticamente um combinado de selecionáveis para cada lado — conforme lembrou Carlos Eduardo Mansur dias atrás, dos 32 jogadores de Flamengo e Palmeiras que participaram das semifinais, 19 já haviam entrado em campo por suas seleções nacionais. É preciso retornar muito no tempo para lembrar de uma final que tenha envolvido tantos talentos individuais em campo, sem contar a potência coletiva instituída por Abel Ferreira e Filipe Luís.
Alviverdes e rubro-negros não vão dividir o país, ainda que o país vá parar para vê-los. E também grande parte do continente. O antagonismo entre os clubes mais vencedores do país cresceu tanto que foi preciso extrapolar as fronteiras. A crescente e acirrada rivalidade é esportiva, obviamente, mas passou a atingir o aspecto político e financeiro: além do título, Palmeiras e Flamengo disputam o posto de clube mais poderoso e influente no Brasil. Nesse sentido, o que acontecer em Lima provavelmente não ficará restrito ao campo. Será um jogaço e, ao mesmo tempo, um duelo de gabinetes. Esse é o tamanho da final da Libertadores.
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