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Presidente da SAF da Portuguesa faz balanço: “Não se muda em um ano o que não foi feito em 100”

Presidente da SAF da Portuguesa faz balanço: “Não se muda em um ano o que não foi feito em 100”

Alex Bourgeois: “Não vamos conseguir mudar em um ou dois anos, o que não foi feito em 100”
Desafiador, mas focado na reconstrução e já com algumas conquistas. Assim foi o primeiro ano como SAF da Portuguesa, de acordo com balanço de seu presidente, o empresário Alex Bourgeois. Ao ge, o gestor avaliou o trabalho da Lusa na temporada e estabeleceu metas para 2026.
Este ano foi de “arrumar a casa”, segundo ele. Para conseguir entrar na Lusa, a nova gestão teve que reestruturar dívidas, renegociar contratos com credores e montar um elenco em tempo recorde para disputar a temporada.
Estimada em R$ 560 milhões no fim do ano passado, a dívida do clube caiu em cerca de 66% após a aprovação de uma recuperação judicial, segundo Bourgeois. A oferta por 80% das ações rubro-verdes já previa isso.
— Nós fizemos uma renegociação com os credores, e a dívida hoje está em torno de R$ 190 milhões. É o que a gente vai pagar dentro do plano de recuperação judicial. Essa equação era importante para que a gente pudesse ter um clube sustentável — disse o gestor, que completou:
— A conquista mais importante do ano passado foi essa virada de chave na credibilidade perante o mercado futebol. Hoje, os clubes de futebol nos enxergam com credibilidade, pegam os nossos jogadores emprestado ou os compram, oferecem jogadores para a gente. Tem muitos empresários nos procurando. No ano passado, a gente procurava os empresários e eles nem queriam falar.
Já em pré-temporada, a Lusa anunciou quatro novos atletas: os meio-campistas Gabriel Pires e Zé Vitor, o zagueiro Eric Botteghin e o lateral-esquerdo Gustavo Salomão. A equipe conta ainda com o fim de empréstimo de alguns de seus jogadores. Mais nomes são previstos para a próxima semana.
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Alex Bourgeois, gestor da Portuguesa SAF
Divulgação / Portuguesa SAF
Em campo, porém, foi um período de frustrações. A Portuguesa tinha planos ambiciosos: a intenção era subir uma divisão nacional a cada temporada até ser capaz de disputar novamente a Série A em 2029. No entanto, eliminada em agosto na Série D, a Lusa ficou sem calendário desde então.
Antes disso, a equipe caiu precocemente no Campeonato Paulista. Com somente duas vitórias, foi a última colocada do seu grupo e sequer chegou a disputar o mata-mata. Fato semelhante aconteceu na Copa do Brasil, quando foi eliminada logo na primeira fase.
— No futebol, você faz o planejamento, mas não entra em campo. Os jogadores precisam também fazer a parte deles. Neste ano não deu certo, mas faz parte do processo. Pensando hoje com cabeça mais fria, teria sido incrível subir no primeiro ano com tudo que a gente teve que enfrentar. Muitos clubes passam três, quatro anos na Série D antes de conseguir subir. É um processo complexo — lamentou.
— Nem eu, nem meus sócios, nem os colaboradores que trabalham aqui na Portuguesa, vamos conseguir mudar em um ou dois anos, o que não foi feito em 100. As coisas precisam de tempo.
O desejo, porém, permanece o mesmo, com uma mudança somente nos prazos. Na visão do presidente, aspirar melhores resultados é o que faz com que uma programação vá longe.
— É um projeto que demanda muita coragem, mas isso não necessariamente quer dizer que a gente está sonhando com coisas impossíveis. Eu acho que é possível, nós só temos que, dentro da competição e dentro de cada ano, corrigir o tiro para chegar onde queremos.
Presidente da SAF da Portuguesa: “Você faz o planejamento, mas não entra em campo”
Reforma do Canindé
Estádio do Canindé, da Portuguesa
Dorival Rosa / Portuguesa
Antes prevista para começar em janeiro de 2026 e durar 40 meses, a obra no Canindé não tem uma nova data de início. Tanto que o clube já anunciou que jogará o Paulistão no estádio.
— A questão da reforma depende de trâmites e de regularização na prefeitura de São Paulo. Esse processo demora um pouco, tem muitas questões que a gente teve que se meter para resolver. Lembrando que, dentro do contrato de investimento que foi assinado com a associação, ela tinha que entregar para a SAF um terreno totalmente regularizado, e isso não aconteceu. Mas nós estamos trabalhando para regularizar isso — explicou.
O projeto de reforma apresentado em agosto prevê que o estádio passará a ter capacidade para 46.500 pessoas nas arquibancadas, camarotes com 4.685 lugares e uma arena ampliada para receber 84.500 pessoas em shows e eventos.
Portuguesa apresenta projeto de reforma do Canindé
Divulgação
Metas para 2026
Bourgeois pensa na próxima temporada com esperança, mas mantendo os pés no chão. Apesar de crer que foi implementada uma “cultura corporativa e de mentalidade vencedora” no time, o gestor não vê a Lusa sendo campeã do estadual em um futuro próximo.
— A gente não pode se iludir, estamos na Série D. Com exceção de talvez dois clubes, é o nível mais baixo do futebol brasileiro no Paulistão. A gente não pode achar que, estando no nível mais baixo, vai competir em grau de igualdade com os times que estão acima da gente.
Portuguesa x Mixto, no Canindé, pela Série D do Campeonato Brasileiro
Thiago Miyashiro | @miyashirofotografo
A intenção é permanecer na principal divisão paulista e, por meio do torneio, conquistar uma vaga na Copa do Brasil de 2027. No Brasileiro, ele não esconde a vontade de enfim alcançar a Série C.
— Em termos de SAF, a questão da regularização do Canindé é uma coisa muito importante, e posicionar a Portuguesa dentro do mercado brasileiro de futebol. Mostrar um pouco quem a gente é, qual é o nosso DNA, a nossa mentalidade, a nossa gestão, como a gente está trabalhando
*Colaborou sob supervisão de Leandro Canônico. geRead More