Rússia sai em defesa da China e diz que responderá ‘duramente’ caso Japão posicione mísseis em ilha próxima a Taiwan
Japão-China: entenda pior crise diplomática em anos entre as potências
A Rússia saiu em defesa da China, sua aliada, ao alertar nesta quinta-feira (27) que se reserva ao direito de responder “duramente” caso o Japão prossiga com seu plano de instalar mísseis em uma ilha próxima a Taiwan.
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O aviso do Ministério das Relações Exteriores russo ocorreu em meio à pior crise diplomática em anos entre a China e o Japão, iniciada após falas da nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre Taiwan.
A premiê Takaichi afirmou, no início deste mês, que um ataque hipotético chinês contra Taiwan representaria uma “situação que ameaça a sobrevivência” e, por isso, poderia desencadear uma resposta militar de Tóquio. A China considerou a fala “ultrajante” e pediu que o governo japonês se retrate.
No domingo, o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, anunciou que mobilizará uma unidade de mísseis superfície-ar de médio alcance em uma base militar em Yonaguni, uma ilha japonesa a cerca de 110 km da costa leste de Taiwan. O anúncio aprofundou ainda mais a crise com a China, que acusou Tóquio de tentativas deliberadas de “criar tensão regional e provocar um confronto militar”.
Vladimir Putin
Alexander KAZAKOV / POOL / AFP
A China reivindica Taiwan —ilha separatista com governo democrático próprio— como parte de seu território e não descarta o uso da força para tomar o controle do território. Taiwan rejeita as reivindicações de Pequim e afirma que apenas seu povo pode decidir o futuro da ilha.
Desde o início da crise diplomática entre os dois gigantes asiáticos, Pequim tem feito repúdios públicos diários ao Japão, exige que Takaichi retire suas declarações sobre Taiwan e pediu para que cidadãos chineses evitem viajar ao país vizinho. O porta-voz Jiang Bin, do Ministério das Relações Exteriores chinês, afirmou nesta quinta que o Japão pagará um “preço doloroso” caso dê qualquer passo em falso na atual escalada de tensões.
Também nesta quinta-feira, o ministério russo acusou Tóquio de agir sob ordens dos Estados Unidos, afirmando que o Japão está “lotando essas ilhas de armas” como parte de um esforço mais amplo de militarização.
Até o presidente dos EUA, Donald Trump, foi envolvido nesta crise. Em ligação telefônica nesta semana, ele pediu a Takaichi que não agrave a crise com o governo chinês, segundo a agência de notícias Reuters. (Leia mais abaixo)
Trump pede cautela a Takaichi
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma cerimônia de assinatura durante uma reunião bilateral com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no Palácio de Akasaka, em Tóquio, Japão, em 28 de outubro de 2025.
REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu à primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi que não intensificasse ainda mais uma disputa com a China durante uma ligação telefônica nesta semana, afirmaram fontes da agência de notícias Reuters.
Com a fala, Trump tenta preservar um frágil acordo comercial concluído com a China neste mês e prevenir uma escalada militar na Ásia.
Na ligação telefônica com Takaichi na terça-feira, Trump disse que não queria ver uma nova escalada, afirmaram duas fontes do governo japonês, que pediram anonimato por se tratar de um assunto sensível. A conversa ocorreu após um diálogo entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, que disse ao americano que o “retorno de Taiwan à China” é parte fundamental da ordem internacional.
No entanto, Trump não fez exigências específicas à primeira-ministra, disse uma das fontes, sugerindo que ele não repetiu o pedido de retratação feito por Pequim. O pedido do presidente dos EUA ocorreu de forma mais sutil, segundo a Reuters.
O governo do Japão negou nesta quinta-feira que Turmp tenha feito esse pedido a Takaichi e afirmou que os comentários da premiê refletem uma política de longo prazo.g1 > Mundo Read More


