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Seleção Brasileira jogou com esquema tático diferente do habitual na última DATA FIFA do ano

Seleção Brasileira jogou com esquema tático diferente do habitual na última DATA FIFA do ano

Nos últimos Amistosos da Seleção Brasileira 2025, a Seleção Brasileira de Futebol Masculino enfrentou as Seleções do Senegal e da Tunísia, ambas de matrizes africanas e já classificadas para participarem da Copa do Mundo 2026. Apesar de serem equipes de escolas diferentes, não trouxeram grandes elucidações ao trabalho de Carlo Ancelotti, embora tenham evidenciado algumas deficiências.
A Seleção de Senegal procura jogar nas transições, apostando em contra-ataques, e deu à Seleção Brasileira mais espaços para impor seu estilo de jogo. Já a Seleção da Tunísia tem sistema puramente conservador, com defesa forte e bem menos ofensiva. E foi aí que a Seleção Brasileira não passou no teste, pois teve dificuldades para se movimentar e encontrar espaços na defesa adversária.
Confesso que estava ansioso para verificar o comportamento tático da nossa seleção contra equipes mais retrancadas. O sistema utilizado, o 4-2-4, que prevê primeira linha de quatro jogadores formada por dois zagueiros e dois laterais, a segunda linha com dois volantes mais avançados e a terceira com quatro atacantes, deu certo contra o Senegal. A Seleção Canarinho foi ofensiva e vertical, aproveitando que a seleção adversária não ficou entrincheirada na defesa.
Essa atuação mostrou bom desempenho coletivo, culminando na vitória por 2 a 0, e evidenciou o sucesso do zagueiro Éder Militão jogando na função de lateral. A alteração trouxe maior segurança defensiva e proporcionou liberdade ao volante Bruno Guimarães para atuar mais adiantado, como um meio-campista mais criativo. A formação com quatro atacantes funcionou também porque o Senegal não utilizava as linhas extremamente compactas.
Mas, contra a seleção da Tunísia, que não se importa em ter a posse de bola e que ataca somente quando tem oportunidade real, a Seleção Brasileira se tornou estática, sem a movimentação necessária para quebrar linhas e ser controladora, como era esperado.
A falta do protagonismo tático e a dificuldade de movimentação, que aliás é um dos segredos para se transpor esse tipo de esquema trancado, deram à Seleção da Tunísia a oportunidade de criar as melhores chances de gol, mesmo tendo esquema simplório e supostamente fácil de ser anulado. Foram os tunisianos que estiveram mais próximos da vitória, aproveitando erros bisonhos da defesa brasileira.
Pior que o empate por 1 a 1 é a impressão de que ainda não existe um plano eficaz na Seleção Brasileira para neutralizar esse tipo de esquema tático. E o preocupante é que grande número de adversários na Copa do Mundo, na fase inicial, deverá adotar postura conservadora.
Acredito que faltou ao Brasil destravar o jogo, ter maior velocidade na troca de passes, a fim de encontrar os espaços e criar chances reais de gol. Faltou lucidez aos jogadores de meio-campo para distribuírem a bola corretamente para o setor ofensivo.
Rodrygo, na função de camisa 10, flutuando entre o meio-campo e o ataque, não conseguiu tomar as melhores decisões, gerando desorganização tática e tornando a nossa equipe dependente de atuações individuais. Na minha opinião, o atacante Estêvão, que tentou tirar a equipe do limbo, foi o único que se destacou individualmente.
A sensação pessoal é que estamos no caminho certo, saindo de um período longo de estagnação, mas, infelizmente, no momento a Seleção Brasileira demonstra só conseguir ter protagonismo tático contra equipes de menor expressão ou frente a seleções que jogam e deixam jogar, isto é, não tem a característica extremamente conservadora.
Com todas essas ressalvas feitas, o saldo do período de comando de Ancelotti ainda é positivo. Temos oito jogos, com quatro vitórias, dois empates e apenas duas derrotas. Um trabalho em estágio embrionário, mas que, provavelmente, terá muitas dificuldades para enfrentar os desafios na Copa do Mundo e precisará evoluir muito em termos táticos para se pensar em um hexacampeonato. geRead More