Tuma diz que novo estatuto pode salvar o Corinthians e critica intervenção: “Muito equivocada”
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O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, criticou a possibilidade de intervenção judicial no clube, em debate no Ministério Público, e defendeu que a reforma do estatuto pode dar os caminhos para resolver as crises financeira, ética, política e administrativa.
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– Eu acho muito equivocada (a chance de intervenção judicial). Pessoas que não têm conhecimento acham que seria a grande solução, que vai chegar alguém lá, tirar todo mundo e tomar conta do clube. Um interventor judicial vai chegar e pagar as contas. Quem vai fazer fila na porta não serão os novos sócios, serão os novos credores. E a hora que acabar de pagar contas, se não sobrar nada, fecha o clube. Eu tenho muita preocupação – comentou Tuma, em entrevista exclusiva ao ge.
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– Obviamente, a gente tem confiança na Justiça, no Ministério Público e na Procuradoria-Geral. Não vão tomar atitude acelerada, porque nós não temos exemplo nenhum no Brasil. Ocorreu no Bahia, e a situação era muito diferente. É muito diferente do que está acontecendo. Eu tenho certeza de que a Justiça não vai acolher.
– O próprio Ministério Público vai ver que é uma situação muito diferente. Ela está muito mais sendo gerada por questões emocionais, vindas da internet. O promotor, equivocadamente, entrou nisso. Ele está fazendo um trabalho que gente considera sério no âmbito da atribuição dele, mas respondeu muito mais a apelos populares do que técnicos nesta questão.
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Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians
José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
Responsável por investigar supostas despesas indevidas de ex-presidentes com dinheiro do Corinthians no âmbito criminal, o promotor Cassio Conserino enviou uma representação à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social do Ministério Público para que seja avaliada a possibilidade de uma intervenção no clube.
No despacho, o promotor listou 25 motivos que justificariam uma intervenção. Um deles, sobre o impeachment do ex-presidente Augusto Melo, cujo processo teria descumprido o estatuto, é contestado pelo presidente do Conselho.
– A gente viu um membro do Ministério Público encaminhando uma proposta de intervenção no clube e apontando algumas coisas que não aconteceram. Isso é grave, porque responsabiliza os membros do Conselho de fatos que não são verdadeiros. A gente precisa reagir a isso.
– O ponto 18 é que o impeachment do ex-presidente Augusto não teria sido regular e que teve ordem judicial para entregar atas. Não teve nenhuma ordem judicial para entregar atas. Eu estou respondendo dez processos na Justiça. Temos ganhado as ações e não teve nenhum descumprimento judicial. Confesso que fiquei surpreso. Nós não cometemos nenhum equívoco dentro do estatuto.
Reforma do estatuto
Tuma acredita que a reforma estatutária, que será votada no Conselho Deliberativo na próxima segunda-feira, apesar da enorme resistência interna, pode apontar caminhos para salvar o Corinthians: modernizando o estatuto, fazendo adequações à legislação e criando mecanismos melhores de governança.
– Até o dia da votação, vamos construir caminhos para que a gente consiga alargar o debate e criar consenso. Eu tenho convicção de que o Conselho vai entender o seu papel histórico e relevante nesse momento de muita dificuldade do clube, não só financeira, mas de várias crises éticas e políticas. Agora é o momento de o Conselho mostrar para toda a sociedade corintiana, é a hora de fazer as mudanças e propor caminhos novos para tentar efetivamente salvar o Corinthians.
Durante a semana, o Conselho de Orientação (Cori) emitiu uma nota pedindo o cancelamento da votação da reforma, alegando ilegalidades no anteprojeto apresentado por Tuma, depois de dois anos de tramitação em uma comissão.
Parque São Jorge, sede social do Corinthians
Gabriel Oliveira
O presidente do Conselho reagiu com uma dura manifestação pública e, internamente, rebateu os apontamentos do Cori em um ofício.
– Eu precisava institucionalmente responder aos apontamentos do Cori, que foi muito deselegante, talvez duro, em falar que tinha ilegalidades. Não tem ilegalidade. O Cori, como orientador, tinha o papel de falar: isso aqui não está certo. Aponta os locais, os termos do artigo e qual é a correção – declarou Tuma ao ge.
– Tudo isso também enriquece o debate. Eu tenho certeza de que a gente vai construir um caminho para efetivamente melhorar o anteprojeto e fazer a deliberação necessária.
– A gente tem que se unir neste momento difícil para tentar encontrar e indicar caminhos para o Corinthians ter uma saída. A gente não pode só ficar nessa discussão pública e não ter nenhuma saída, porque, obviamente, se continuar nisso, nós vamos ter sérios problemas.
Tuma admite a possibilidade de as discussões no Conselho tomarem mais de um dia. Se a sessão se prolongar por vários dias, existe a chance de a assembleia geral de sócios, inicialmente marcada para 20 de dezembro, ficar para janeiro de 2026.
Voto de sócio-torcedor
O presidente do Conselho quer fazer a reforma ainda neste ano para que, no caso de o voto do Fiel Torcedor ser aprovado, haja o tempo de quatro anos de contribuição necessários para o sócio-torcedor adquirir o direito a voto. Ele poderia voltar na eleição de 2030.
Essa é uma das principais alterações do estatuto, que hoje prevê voto apenas a sócios com pelo menos cinco anos de associação e que estejam com a mensalidade em dia. No total, 4.184 sócios participaram da eleição de 2023.
– A gente sempre falou que tinha que alargar esse colégio eleitoral para conseguir sair dessa rotina de candidatos e candidaturas e oxigenar a gestão do clube, não só nos modelos, mas também nos nomes de candidatos.
– O Corinthians tem 35 milhões de pessoas corintianas. Nós temos que reconhecer, com muita humildade, que a gente perdeu o momento histórico de botar as coisas todas nos seus devidos lugares, por equívocos, má-fé ou boa-fé ou erros que a própria vida proporciona. O Corinthians perdeu a condição de decidir tudo sozinho lá dentro do Parque São Jorge. Está na hora de compartilhar as decisões mais importantes, que talvez seja a eleição de presidente, com os torcedores, até para dividir a responsabilidade.
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Preocupação com crises
Tuma demonstra preocupação com as crises financeira, política, ética e institucional que o Corinthians enfrenta.
– Tudo isso preocupa. Você imagina um clube como o Corinthians, que tem muita emoção, acabar ou ter um problema sério. É muito ruim.
– A maior preocupação é que eu sei que o Corinthians, unido, com as pessoas, a capacidade e a torcida que tem, é inabalável. Nós temos muita força para reagir e ser um dos maiores clubes do mundo. Temos uma marca que é uma das maiores do mundo e não pode estar na situação que está. É falta de união, é muito interesse pessoal sendo colocado acima dos interesses institucionais.
– E eu me sinto parte disso, sou presidente do Conselho. Como eu posso ver tudo isso? Eu vou embora amanhã, o clube acaba e eu estava lá com poder de presidente do Conselho e não consegui fazer nada? O que está a meu alcance, eu tenho que fazer. Por isso a pressa, a urgência, a necessidade de votar um estatuto. Eu vou até o fim, nós temos que votar esse estatuto.
– Eu vou apanhar, mas eu não vou deixar de fazer tudo que estiver ao meu alcance para tentar dar essa contribuição de tudo que eu sei que é possível, se o clube tiver um final triste. Eu não vou estar lá nem f*, desculpa a palavra, para ver isso acabar e eu podendo fazer alguma coisa.
Investigações no Conselho
Entre tantos casos polêmicos em tramitação no Conselho, dois chamam especial atenção: a investigação dos gastos de ex-presidentes e, mais recentemente, a auditoria que constatou irregularidades na gestão dos materiais esportivos da Nike.
Segundo Tuma, as apurações sobre os ex-presidentes ainda estão em andamento na Comissão de Justiça. O caso de Andrés Sanchez é o mais adiantado e deve ter um desfecho nos próximos dias, para ser encaminhado para análise na Comissão de Ética. Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo também são investigados no órgão do Conselho.
Já o caso dos materiais esportivos, que implica o vice-presidente Armando Mendonça, chegou recentemente ao Conselho. Ele terá o mesmo caminho, começando na Comissão de Justiça para depois ir à Comissão de Ética.
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