Como tragédia pessoal fez paratleta gaúcho mergulhar no esporte e ser campeão de fisiculturismo
Além de atleta, Luiz Gustavo encontrou na calistenia um estilo de vida
Alguns episódios têm potencial para impactar a vida para sempre. Luiz Gustavo perdeu as pernas ao ser amarrado por criminosos em um trilho e ser atropelado por um trem. Depois das dificuldades na recuperação, o atleta focou na calistenia, uma modalidade que usa o peso do próprio corpo, e passou a treinar para ser fisiculturista.
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Neste ano, veio o primeiro título na modalidade. Luiz Gustavo foi o campeão na categoria iniciante na competição da Federação Internacional de Bodybuilding (IFBB) em maio de 2025. A caminhada no esporte começou na verdade como um estilo de vida para o agora atleta.
Luiz Gustavo em competição de fisiculturismo
Reprodução/RBS TV
Durante o período de recuperação das amputações, o homem de 41 anos assistiu a vídeos de pessoas praticando a calistenia. E se propôs a aprender. O que era apenas uma rotina passou a ser uma obsessão. Na sequência, Luiz se interessou pelo fisiculturismo e colocou como objetivo participar de uma competição.
– Fui assaltado e amarrado nos trilhos do trem. Minha história começa aí. Passei por momentos muito difíceis, infecção nas minhas pernas, machucado nas costas, um ano e meio usando fraldas. Dormindo só de lado na cama, usando sonda. Estava em um estado bem crítico. E minha história de superação foi através do esporte – contou em entrevista para a RBS TV.
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Luiz Gustavo, paratleta gaúcho
Reprodução/RBS TV
Tragédia criminosa
As amputações de Luiz Gustavo ocorreram a partir de um crime em 2006. O atleta voltava do turno de trabalho em uma fornecedora de sementes em Cruz Alta. Havia feito compras em um mercado e caminhava ao lado dos trilhos do trem.
Um trio apareceu de um matagal no caminho, agrediu Luiz e o assaltou. Desacordado, só abriu os olhos de novo já sendo arrastado por um trem. A partir das lesões, o hoje campeão de fisiculturismo passou por um longo período de recuperação física e também de saúde mental.
– Um dos caras me deu uma pancada na cabeça, fiquei meio desacordado. Me acordei e o trem estava me arrastando. Nem sei como estou vivo. Fiquei pura graxa, tive que cortar o cabelo. Estava vindo embora com as comprinhas. No outro dia um caminhão trouxe três carrinhos de compras, eu morava com a minha vó – relatou Luiz Gustavo.
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Luiz Gustavo, paratleta
Reprodução/RBS TV
Treinos e sonho no fisiculturismo
Depois do período mais crítico, Luiz Gustavo passou a treinar. A calistenia consiste em exercícios físicos com o peso do próprio corpo, como flexões e barras. Aos poucos, progrediu no novo esporte. E avançou para outros. Em 2025, se aventurou, competiu e venceu a categoria iniciante da Federação Internacional de Bodybuilding (IFBB) em Porto Alegre em maio.
Luiz Gustavo chegou ao treinador Matheus Souza, que aceitou ajudar o gaúcho na iniciação com dieta e plano de treinos. Ali começava o sonho a se tornar realidade.
– Minha participação no fisiculturismo foi através de alguns amigos que eu via, cadeirantes, que participavam. Eu ficava admirado, pensava em um dia competir. Era um sonho. Mas não tinha dinheiro para treinador, dieta. Cheguei a pedir ajuda para pessoas do fisiculturismo, ninguém me ouviu, ninguém quis ajudar. Daí conheci um rapaz de Porto Alegre que foi meu treinador, passou os treinos e a dieta. Ele aceitou me ajudar, esteve comigo, nem me cobrou. Me ajudou no meu sonho – explicou Luiz Gustavo.
Luiz Gustavo, paratleta
Reprodução/RBS TV
Atualmente, o esporte virou profissão e o levou a dar palestras, falar em escolas e projetos sociais pelo Brasil. Compartilhar as experiências e a história como inspiração.
– Sou apenas um entre milhões. O cara adapta a forma de treinar, algum jeito de levar uma vida saudável. Com o passar do tempo, eu fiz coisas que eu nem imaginava nesse esporte. Viajei pelo Brasil, dei palestra até no Exército, apresentação de calistenia nas escolas, com crianças, com jovens. Fiz coisas que eu nem sonhava – destacou, antes de exaltar o esporte como desafio:
– O impossível está para quem pensa fraco, para quem pensa que está sempre derrotado, que não dá pra fazer as coisas. Tem outras pessoas que são mais exemplo que eu, cara. Funciona tudo da cintura pra cima. Mas tem gente que não tem um braço, não tem cintura. E os cara faz de tudo, cara, sabe? O esporte é para ter qualidade de vida. Para ter 60, 70, brincando feliz com teu neto – disse Luiz Gustavo.
Luiz Gustavo, paratleta gaúcho
Reprodução/RBS TV
Equipamentos de Luiz Gustavo em casa
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