Da ginástica à Seleção Brasileira: Tainá Maranhã vive sonho após quase desistir do futebol
2025 está quase acabando e uma coisa é certa: a temporada dificilmente será esquecida pela atacante Tainá Maranhão, do Palmeiras. Após a primeira convocação para a Seleção Brasileira, a catarinense teve o contrato renovado com o time paulista até o fim do ano que vem.
Tainá Maranhão pela Seleção Brasileira Feminina
Lívia Villas Boas/Staff Images
– Quando eu entro em campo, coloco a mão no escudo e eu sinto o escudo, o estádio, eu me emocionei. Comecei a chorar no meio do campo. Foi muito emocionante para mim, porque era um sonho de criança. Ainda pequena eu sempre via na televisão os jogadores cantando o Hino e quando eu estava lá foi sensacional. Vieram várias memórias na minha cabeça, minha família, eu pequena jogando bola na rua. Um sonho de criança realizado – disse, em entrevista exclusiva ao ge.
Mas o caminho até chegar a vestir a Amarelinha não foi simples. Se hoje ela se destaca no futebol, foi com a ginástica que ela teve o primeiro contato com o mundo do esporte, com o objetivo de ‘gastar energia’ (veja o vídeo abaixo durante uma competição).
Tainá Maranhão quando era atleta de ginástica. Vídeo: Arquivo Pessoal
– Eu comecei com cinco anos e era muito serelepe, mais para uma distração. Fiquei oito anos e ganhei muitas coisas. Foi uma paixão que eu desenvolvi desde muito cedo, mas dentro de mim eu sempre tive uma paixão pelo futebol. Sempre que eu conseguia dar uma fugida de casa, ia para a rua de cima jogar bola. Minha mãe até brincava que sempre que eu fugia de casa ela sabia onde eu estava. Quando meu pai veio para o Brasil, eu tive a oportunidade de entrar pela primeira vez com ele em campo, foi onde virou minha chave e mudou a minha vida. Quando eu pisei no gramado, foi onde eu tive a primeira sensação, foi onde eu disse: é isso que eu quero – contou.
Filha do ex-jogador, Alex Maranhão (veja a foto dos dois abaixo), a a atacante começou sua carreira no futebol defendendo as Meninas Carvoeiras, time feminino do Criciúma. Na sequência, passou a defender o Internacional, quando ganhou a primeira oportunidade no profissional. Buscando mais minutos em campo, foi emprestada ao Cruzeiro, onde chegou a repensar a carreira.
Tainá Maranhão herdou o apelido do pai, Alex Maranhão
Manu Silva/ge
– Quando eu chego no Cruzeiro eu tenho um ano muito difícil, não jogo, não tenho minutagem. Foi um ano muito difícil mesmo de se lidar, principalmente sendo uma menina nova. […] Longe da minha família, da minha mãe, e eu não tinha condição financeira de levar todo mundo, porque era bem o início da minha carreira. […] Quando eu saio de lá, eu me pergunto: será que é isso que eu quero para mim?
– Eu já cheguei a dizer: vou desistir, vou parar, não é isso que eu quero. Falei com o meu empresário na época, não é isso que eu quero, eu não aguento essa pressão psicológica longe de casa. Quando eu cheguei no Santos e hoje chego no Palmeiras e vejo tudo que eu vivenciei, agradeço por ter a minha personalidade em ser casca grossa e pensar: eu vou mesmo desistir? Essa pessoa vai me fazer desistir? Eu sou uma pessoa que tenho uma personalidade muito forte e eu agradeço por ter ouvido meu coração e pensar: ninguém vai me derrubar, se eu cair vai ser por mim, não outra pessoa – revela ao ge.
‘Mamãe Cris’ e a virada de chave
Se teve uma pessoa que pode ser considerada ‘responsável’ pela Tainá não ter desistido do futebol ela se chama: Cristiane. Após a passagem frustrada pelo Cruzeiro, a catarinense chegou ao Santos, onde recebeu apoio e confiança do elenco para recomeçar.
– Eu cheguei lá sem confiança e assim que eu chego tem uma baita de uma referência do meu lado que é a Cristiane. Todo mundo fala que ela é casca dura e quando cheguei, pensei que ela seria muito brava. No primeiro treino, ela disse que já tinha me visto jogar. E falou ‘você joga muita bola, tem que ter confiança e ir para cima’. Ali eu já me senti em casa e quando eu recebo a motivação dela e foi quando eu disse ‘Se a Cristiane falou, está falado. Eu posso ir para cima, posso jogar e me divertir’.
Cristiane e Tainá Maranhão em treino pelo Santos
Arquivo Pessoal
A experiência na Seleção Brasileira
A criciumense viveu em 2025 a oportunidade de defender a equipe principal da Seleção Brasileira. Antes, acumulava convocações nas categorias de base, e foi chamada por Arthur Elias durante a Data Fifa.
Aos 3 min do 2º tempo – Tainá Maranhão recebe ótima bola em profundidade, mas cruz mal
– Eu olhava para a Seleção Brasileira como outro patamar. Nesse ano eu foquei, mas ainda não colocando toda expectativa para eu não me frustrar […] Quando eu cheguei lá eu não imaginei que eu teria oportunidade de jogar, achei que era para mais conhecer o ambiente. Tanto que eu vou para o jogo, estou aquecendo e quando começam as trocas, escuto meu nome e eu: tem certeza que sou eu? Vou meio travada, quando eu estou colocando a caneleira vai passando um filme na minha cabeça. Quando eu piso em campo com a amarelinha, me arrepio to. Eu lembro que eu estava tão nervosa que eu não escutava nada – relembra.
2026 batendo na porta e a Copa do Mundo também
Recentemente a atacante teve seu contrato renovado com o Palmeiras até o fim do ano que vem. Após acumular títulos na atual temporada, o desejo para 2026 é seguir fazendo história e, quem sabe, sonhar com a Copa do Mundo Feminina.
– Eu falo muito sobre o ano de Copa do Mundo, porque só de estar assistindo já é o suficiente. A gente sabe da importância, da visibilidade para o futebol feminino. Vou trabalhar muito para estar lá, por mais que eu ainda não me veja, é um sonho distante, só de estar aplaudindo as meninas já vai ser muito especial para mim – conclui.
Palmeiras; América-Mg; Tainá Maranhão; Brasileirão Feminino
Anderson Romão/AGIF
– A expectativa é sempre a maior. Esperamos conquistar o Brasileiro. Ano de Libertadores, vai ser meu primeiro ano, então é muito especial. Eu escolhi ficar, fazer uma história no clube, espero completar 100 jogos, que vai ser uma marca importante — planeja a catarinense.
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