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Fruto de projeto social no Rio, campeã mundial pede apoio: “O boxe carece de patrocinadores”

Fruto de projeto social no Rio, campeã mundial pede apoio: “O boxe carece de patrocinadores”

Rebeca Lima, do boxe, é a ‘Atleta revelação’ do Prêmio Brasil Olímpico 2025
“O boxe ainda carece muito de patrocinadores comprometidos com a inclusão social pelo esporte. As empresas estatais e privadas são essenciais para ampliar o alcance de atuação e permitir que a modalidade faça o que sabe: transformar vidas”. Com essas palavras, Rebeca Lima encerrou seu discurso no palco do Prêmio Brasil Olímpico 2025 (PBO), esse mês. Eleita “Atleta Revelação” de 2025, a boxeadora não esquece as origens e quer que mais jovens tenham as oportunidades recebidas por ela no passado.
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Rebeca Lima, campeã mundial de boxe, venceu a categoria de “Atleta Revelação” no Prêmio Brasil Olímpico
Alexandre Loureiro/COB
Rebeca cresceu no Complexo da Maré, bairro que abrange um conjunto de comunidades na Zona Norte do Rio de Janeiro. Lá, conheceu o boxe por meio da ONG Luta Pela Paz. Fez do esporte sua profissão e, em 2025, se destacou no cenário internacional, conquistando o título mundial da categoria até 60kg. Por causa do sucesso nos ringues, a atleta de 25 anos já virou inspiração.
– O boxe me abriu muitas portas, transformou a minha vida. Tive muitas experiências. Sou grata e hoje tento devolver um pouco do que o esporte me deu. Quando estou de férias e passo mais tempo no Rio, entendo que me tornei exemplo para outros jovens. Fica mais palpável o impacto que tenho. As crianças perguntam: “tia, você que ganhou?”, “tia, quando vai ter boxe?”. Às vezes, perdemos noção do quão grande é isso. Mas, ao voltar e reacender minhas origens, percebo que virei referência – disse Rebeca, em entrevista ao ge, após a cerimônia do PBO.
Rebeca Lima recebe o prêmio de “Atleta Revelação” de 2025
Juliana Ávila/COB
Justamente por se ver como exemplo, a boxeadora tem consciência da responsabilidade que carrega. A cobrança que fez no palco do Prêmio Brasil Olímpico não foi da boca para fora. É fruto da observação e da preocupação de Rebeca com a formação de atletas.
– Alguns dos lugares que eu frequentei quando era mais nova e contribuíram para o meu desenvolvimento estão deixados de lado. Antes, tinham bons patrocínios. Agora, passo por lá, e as estruturas ainda existem, mas não têm o mesmo cuidado, o mesmo investimento. Esses espaços poderiam estar criando outras Rebecas, outras estrelas de várias modalidades – afirmou a campeã mundial.
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De acordo com Rebeca, seu mergulho no boxe não se ateve apenas a questões esportivas. Também permitiu que ela tomasse conhecimento de assuntos até então distantes das discussões das quais participava:
– O Luta Pela Paz sempre usou as atividades físicas como atrativo. Mas, uma vez que as crianças e adolescentes chegam para praticar esportes, o projeto aproveita para gerar inclusão social. Lá dentro, oferecem aulas de cidadania, algumas rodas de conversas que abordam temas como racismo, outros tipos de preconceito, pouca oferta de educação, falta de acesso a tecnologias. Problemas que os jovens, muitas vezes, nem sabem que existem. Eu não sabia – comentou Rebeca.
Enquanto usa sua voz para lutar pelo esporte como ferramenta social, a boxeadora também volta atenções aos combates que ocorrem dentro dos ringues. Com o primeiro título mundial garantido, tentará ampliar o número de conquistas nos próximos anos, de olho na primeira participação olímpica, em Los Angeles 2028. geRead More