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Jogador argentino vítima de racismo se revolta e cobra: “Cadê a polícia?”; veja o vídeo

Jogador argentino vítima de racismo se revolta e cobra: “Cadê a polícia?”; veja o vídeo

Jogador argentino é vítima de racismo em partida de vôlei
O ponteiro Manuel Armoa, do Guarulhos, se revoltou com o episódio de racismo sofrido na partida contra o Sesi-Bauru, em Bauru, no último sábado, em partida válida pela Superliga Masculina.
O argentino registrou um boletim de ocorrência contra o torcedor, que teria sido identificado pelo clube mandante.
O caso aconteceu logo após a vitória do Sesi-Bauru sobre o Guarulhos. Armoa chegou a pular a grade que isola a quadra de jogo para tirar satisfação com o torcedor, que fugiu do local.
Manuel Armoa, do Guarulhos, foi vítima de racismo
Felipe Wiira/Sesi-SP
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Logo em seguida, em imagens exclusivas da TV TEM, de Marco Previdello, o argentino cobrou providências da organização do evento (assista no vídeo acima).
– Todo mundo pode falar o que quiser? “Mono que chora, mono que chora”, e eu tenho só que falar que sim, tá bom? Onde está a polícia? Não tem polícia aqui.
Armoa cobra providências da organização da partida
Reprodução/TV TEM
O ge questionou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) sobre a presença e eventual ação da Polícia Militar no episódio. Em caso de resposta, esta reportagem será atualizada.
Os dois clubes envolvidos na partida, além da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), se manifestaram sobre o caso. Confira abaixo o que disse cada um:
Nota oficial do Guarulhos
“O Vôlei Guarulhos vem a público manifestar total repúdio ao ato de racismo sofrido pelo jogador Manuel Armoa, 23 anos, ponteiro da equipe, ao final da partida contra o Sesi Bauru, realizada na noite de sábado, 13, na Arena Paulo Skaf, na cidade de Bauru (SP).
Após o encerramento do jogo, um torcedor da equipe adversária dirigiu-se ao atleta proferindo ofensas racistas, com xingamentos e gestos, imitando macaco e gritando “mono chora”, que significa “chora macaco”, se referindo à derrota do time guarulhense para o time do Sesi Bauru. Membros da comissão técnica do Vôlei Guarulhos e jogadores tentaram conter o agressor, que se evadiu do local. A placa do veículo utilizado pelo autor do crime foi anotada e, imediatamente, nosso Supervisor Técnico, Daniel Jorge Jr., dirigiu-se à delegacia da cidade para o registro de um boletim de ocorrência.
O presidente do Vôlei Guarulhos, Anderson Marsili, já solicitou providências formais ao Sesi Bauru e à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), reforçando que atos de racismo não podem ser naturalizados nem tolerados em hipótese alguma, dentro ou fora das quadras. O clube está prestando todo o apoio necessário ao atleta Manuel Armoa, que se encontra profundamente abalado, e acompanhará o caso até que o responsável seja devidamente identificado e responsabilizado, conforme prevê a legislação brasileira.
O Vôlei Guarulhos reafirma seu compromisso inegociável com o combate ao racismo, à discriminação e a qualquer forma de violência, defendendo um esporte pautado pelo respeito, pela dignidade humana e pela justiça. Racismo é crime. Não haverá silêncio”.
Nota oficial do Sesi-Bauru
“O Sesi–SP repudia com veemência o episódio de racismo ocorrido neste sábado (13/12), na partida do Sesi Bauru, contra a equipe do Guarulhos BateuBet, realizada na Arena Paulo Skaf, em Bauru. O ato foi praticado por um torcedor contra um atleta da equipe adversária.
Lamentamos profundamente que manifestações racistas ainda aconteçam no esporte e expressamos nossa total solidariedade e apoio ao atleta ofendido, bem como à equipe e a todos os impactados pelo ocorrido. O racismo fere princípios fundamentais do esporte e da convivência em sociedade.
O responsável pelo ato está em processo de identificação. Uma vez confirmado seu envolvimento, será banido de jogos e impedido de acessar qualquer unidade, evento ou espaço do Sesi-SP, que está à disposição das autoridades policiais para colaborar com os esclarecimentos necessários.
O Sesi-SP é uma instituição educadora e mantém ações permanentes de letramento antirracista, entre elas o programa Família Joga Junto, que promove valores como respeito, empatia, diversidade e inclusão por meio do esporte, envolvendo atletas, famílias e comunidade.
Reafirmamos, portanto, nosso compromisso inegociável com o respeito, a inclusão e a igualdade racial, princípios que norteiam a atuação do Sesi-SP dentro e fora de quadra. Racismo é crime e não será tolerado”.
Nota oficial da CBV
“A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) repudia e não admite qualquer tipo de violência, preconceito ou ato discriminatório. O esporte é ferramenta para propagação de valores como tolerância, respeito e igualdade. A CBV está fazendo um levantamento de todo o material comprobatório da partida entre Sesi Bauru e Vôlei Guarulhos BateuBet, que aconteceu no último sábado (13/12), em Bauru (SP).
Relatório do delegado do jogo, imagens, manifestações de atletas, testemunhas, clubes envolvidos e demais documentos serão encaminhados aos órgãos competentes para que sejam tomadas todas as medidas cabíveis no âmbito esportivo, ético e perante o poder público e demais instâncias. A CBV acompanhará os desdobramentos do caso e não medirá esforços para que o responsável seja identificado e punido.
Em 2024, a CBV alterou os regulamentos das Superliga A e B para tornar mais duras as penalizações em casos de atos discriminatórios, que passou a ser considerado como infração gravíssima, e pode receber sanções que incluem multa, perda de três pontos, suspensão, perda de mando e até eliminação da competição. A CBV tem publicado em seu site o ‘Procedimento de prevenção e combate à prática de atos discriminatórios nas competições organizadas pela CBV’.
Em todas as partidas da Superliga, o clube mandante deve divulgar, em seu sistema de som, um alerta de que a prática de atos discriminatórios configura crime e que o torcedor que insistir na prática pode ser punido, assim como seu clube.” geRead More