Lutador de Curitiba ganha cinturão em torneio de MMA da África; conheça a história
Yabna N’Tchalá: o novo Rei do MMA da África é paranaense
O lutador curitibano Yabna Ferreira N’Tchalá, o “Pantera Negra”, vai se tornando um dos principais nomes do MMA africano na atualidade. Descendente de imigrantes de Guiné-Bissau, ele conquistou na última semana o cinturão da PFL África na categoria meio-médio (até 77 kg), em Cotonou, Benim, vencendo o angolano Shido Esperança.
— Sou o Yabna Ferreira N’Tchalá, o Pantera Negra, nascido em Curitiba e descendente de Guiné-Bissau. Sou o campeão da PFL África. Agora estou com a coroa — comemorou o campeão, em entrevista ao ge.
Yabna tem 28 anos e nasceu em Curitiba. O pai, Francisco, era de Guiné-Bissau e veio para o Brasil buscar novos caminhos – ele faleceu em 2014. Com o título, Yabna reafirma a identidade como representante da escola de lutas com raízes africanas e também mantém viva a memória do pai.
— Hoje ele teria muito orgulho de me ver no cenário do MMA mundial, representando a nossa bandeira de Guiné-Bissau. Foi para isso que nasci, talvez seja para isso que meu pai veio para Curitiba, para eu me capacitar da melhor forma. Aqui é um dos melhores MMAs do mundo, estou em um celeiro, nasci aqui e vou fazer jus a minha existência — disse N’Tchalá.
Yabna N’Tchalá, lutador curitibano campeão de MMA na África
Reprodução/RPC
A conquista vai além do esporte. Para o lutador, que divide os treinos com trabalhos pesados no bairro Tatuquara, em Curitiba, o título é uma prova de persistência. Ele tenta conciliar os horários em meio aos trabalhos como segurança e também na função de descarregar materiais no comércio.
— O que aparece estou tentando para fazer uma grana a mais. De quinta a domingo, vou até 4h da manhã, trabalho como segurança, e venho para academia às 7h. É o primeiro treino, de jiu jitsu, tenho um intervalo, tomo meu café, vou para o treino de MMA, que é o treino principal, às 10h, vai até 12h. À tarde tenho a preparação física, às 15h, e à noite tenho o treino de muay thai, às 19h — contou.
No desembarque, Yabna celebrou o resultado que encerra uma rotina de jornada tripla e abre portas para o cenário mundial das lutas. A premiação no título da PFL África vai ajudar no sonho de poder se dedicar apenas ao esporte. Com o cinturão, ele ganhou também 100 mil dólares, aproximadamente R$ 550 mil na cotação atual.
— É minha recompensa nesses anos de trabalho. Meu auge profissional e financeiro. Esse cinturão é o meu xodó agora — afirmou.
Paranaense luta por título africano e chance de viver do esporte
A conquista
Após vencer duas lutas anteriormente (quartas de final e semifinal), o curitibano teve um teste de resiliência na luta principal da PFL África. O adversário, Shido Esperança, é conhecido pelo punch agressivo etentou definir o combate nos rounds iniciais, mas esbarrou na defesa de N’Tchalá.
A interrupção do combate ocorreu no intervalo para o quarto assalto, garantindo a vitória de Yabna por nocaute técnico (TKO).
— Eu sabia que não ia ser fácil. Meu oponente tem um primeiro round muito forte, finalizou todas as lutas no início. Segurei a pressão e fui crescendo no decorrer da luta. Do segundo round para frente, impus meu jogo e ele não conseguiu voltar para o quarto round — explicou o campeão.
Yabna N’Tchalá, campeão de MMA na África, trabalha como carregador de mercadorias
Reprodução/RPC
O foco de Yabna agora é a manutenção do título e a preparação para os próximos desafios da Professional Fighters League.
— Mesmo saindo de baixo, sem as melhores condições, a gente faz o invisível se tornar real. Minha persistência fez com que eu chegasse longe. É possível para todos os sonhadores. Tem que correr atrás mesmo quando parece que nada está acontecendo — avaliou o atleta.
Mais notícias do esporte paranaense no ge.globo/pr geRead More


