Por que o calor piora as crises de enxaqueca? Entenda
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Com a chegada do verão, aumenta a preocupação com as altas temperaturas e seus efeitos no organismo, especialmente a enxaqueca. Nos dias muito quentes, o corpo desidrata mais rápido, o que pode desencadear ou intensificar as dores de cabeça. Além disso, a exposição excessiva ao calor dificulta a regulação da temperatura corporal, gerando um estresse extra que favorece as crises.
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Quando a temperatura do corpo sobe, especialmente em ambientes quentes, o organismo intensifica a transpiração para regular sua temperatura interna. Esse processo resulta na perda rápida de água, o que pode levar à desidratação, um dos fatores que desencadeia a enxaqueca. A perda de líquidos pode provocar alterações no volume sanguíneo e na pressão arterial, condições que favorecem o surgimento de uma crise.
Crises de enxaqueca impactam a rotina do paciente
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Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram que as altas temperaturas, intensificadas pelas mudanças climáticas, podem estar relacionadas ao aumento na frequência de enxaqueca em pessoas que já têm o diagnóstico. O estudo publicado em 2024 descobriu que, para cada aumento diário de temperatura de 10 graus Fahrenheit, houve um aumento de 6% na ocorrência de dores de cabeça.
A exposição ao calor também pode aumentar a hiperexcitabilidade de certas regiões do cérebro, isto é, há maior sensibilidade ao desencadeamento de crises de dor de cabeça. Não é possível afirmar que o calor tenha uma ação direta sobre o cérebro; é o conjunto de alterações provocadas pelas altas temperaturas no organismo — como desidratação e dilatação dos vasos sanguíneos — que torna o cérebro mais suscetível à ocorrência de crises.
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Como diferenciar a dor de cabeça?
Segundo a neurologista Renata Londero, a dor de cabeça é qualquer dor que ocorre na região dos olhos, testa e couro cabeludo.
A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça latejante, com duração entre quatro e 72 horas e que ocorre mais frequentemente em uma lado da cabeça — o lado pode mudar de uma crise para outra. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 30 milhões de brasileiros e cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com a enxaqueca.
Além da dor moderada a forte, a enxaqueca está associada ao menos um desses dois conjuntos de sintomas: náuseas e/ou vômito e intolerância à luz e/ou sons (ruídos). Existem alguns componentes que podem desencadear a dor:
— A enxaqueca tem um componente hereditário e um componente ambiental. Isso significa que há uma influência genética, mas que não é absoluta. Filhos de pessoas com enxaqueca têm mais chance de ter enxaqueca, mas não necessariamente terão — explica a neurologista.
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A cefaleia tensional é outro tipo de dor de cabeça bastante comum na população. É mais leve, com dor impressão e acomete os dois lados da cabeça. É frequentemente desencadeada por privação de sono, estresse e ficar sem se alimentar. Vale destacar que esses mesmos fatores também podem ser gatilhos para enxaqueca.
Dicas para evitar a enxaqueca em dias quentes
A hidratação é uma das principais formas de diminuir a incidência de crises de enxaqueca.
Evitar horários de pico de exposição solar, entre 10h e 16h
Utilizar chapéus, bonés e óculos escuros para proteção contra o sol, já que pessoas com enxaqueca costumam ser mais sensíveis à luz.
Bebendo água eu atleta
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Saiba quando buscar ajuda médica
Caso a dor de cabeça persista por mais de três dias por mês de forma repetida por mais de três meses, é necessário buscar ajuda. No caso do diagnóstico de enxaqueca, medicamentos específicos e orientações profissionais vão ajudar no controle dos sintomas e das crises.
Um tratamento inicial adequado previne o surgimento de complicações na vida do paciente. A neurologista Thaís Villa cita questões vasculares, alterações no sono, problemas cognitivos e outras consequências em caso de cuidados inadequados. Ela ainda ressalta que o tratamento deve ser realizado de forma individualizada e multidisciplinar, combinando terapias com medicamentos e ajustes no estilo de vida para proporcionar bem-estar por meio do controle da dor.
Fontes:
Renata Londero é neurologista, especialista em Cefaleia. É coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e da International Headache Society, Coordenadora do Ambulatório de Cefaleia do HCPA, Mestre e Doutora em Ciências Médicas pela UFRGS.
Thaís Villa é idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Neurologista, com Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). geRead More


