Retrospectiva 2025: ano do centenário do Treze é apagado e expõe falhas de planejamento
O ano deveria ser de festa. O torcedor do Treze começou empolgado e querendo motivos para comemorar não apenas fora de campo, afinal o Galo comemorava 100 anos em setembro, mas também dentro das quatro linhas, nas disputas do Campeonato Paraibano e da Série D. Porém, o que se viu foi um 2025 cheio de decisões equivocadas, várias trocas de técnicos, elenco abandonando o barco no meio de um furacão e o calendário do segundo semestre de 2026 sendo salvo apenas pela mudança de formato do Brasileiro feita pela CBF. Apesar de tudo isso, na base o Alvinegro brilhou e levantou duas taças.
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Elenco do Treze durante treino no Estádio Presidente Vargas
Michele Aráujo / Treze
Fracasso na Pré-Copa do NE, Paraibano e Série D
O Treze teve três competições em seu calendário no ano do centenário, o que seria suficiente para coroar a temporada e fazer festa, caso conseguisse ter sucesso. Mas não rolou. O primeiro compromisso foi a Pré-Copa do Nordeste. O Galo começou criando expectativas no torcedor, após eliminar o Santa Cruz no primeiro compromisso, mas no duelo decisivo, valendo a vaga na fase de grupos, acabou caindo para o Ferroviário.
Marcar o centenário comum título estadual seria um lindo cenário para o Treze. Mas também não rolou. O Galo começou mal, teve a primeira troca de técnico após dois jogos e uma derrota no Clássico dos Maiorais por 2 a 0, saindo Renatinho Potiguar e chegando Marcelo Martelotte, que conseguiu uma recuperação na primeira fase, mas acabou tropeçando na semifinal para o Botafogo-PB, dando adeus ao sonho de mais um título. De quebra, ainda ficou sem a vaga na Série D via estadual, já que ficou na 4ª colocação e viu o Serra Branca, 3º colocado, garantir a competição para 2026.
Ferroviário x Treze
Lenilson Santos
A esperança de uma grande festa estava na disputa da Série D. Se não deu para levantar a taça no estadual, nada melhor que um acesso para abrilhantar o centenário. Mas também não rolou. A competição andou de forma turbulenta, com três técnicos passando em seu decorrer, um desmonte no time e não deu outra: eliminação na primeira fase e a vice-lanterna do Grupo 3, com 13 pontos.
Naquele momento o Treze estava finalizando suas competições oficiais no ano do centenário sem nenhum grande feito e ficando sem calendário para o segundo semestre de 2026.
América-RN x Treze pela Série D do Campeonato Brasileiro 2025
Gabriel Leite | América F.C.
Cinco técnicos na temporada
O ano começou com Renatinho Potiguar à frente do Treze, com a missão de conquistar o título do Campeonato Paraibano. O trabalho durou pouco, apenas os jogos da Pré-Copa do Nordeste, onde não conseguiu êxito e a vaga na fase de grupos, e dois jogos do Campeonato Paraibano, caindo após a derrota no Clássico dos Maiorais para o Campinense.
Marcelo Martelotte foi o escolhido para dar sequência à campanha do Galo no Campeonato Paraibano. Na fase inicial, o treinador conseguiu uma recuperação depois do início abaixo do esperado, mas o time acabou caindo na semifinal para o Botafogo-PB, perdendo a chance do título no ano do centenário e ainda ficando sem vaga na Série D através do estadual, afinal terminou na 4ª colocação. Acabou a participação na competição e também a passagem do técnico pelo Alvinegro.
Marcelo Martelotte se apresenta no Treze
Daniel Vieira / Treze FC
Para a Série D veio Felipe Surian. O começo do trabalho não foi nada animador, com as derrotas para Santa Cruz e América-RN, essa última por 4 a 0.
Depois o time até conseguiu se recuperar dentro da competição, vencendo Sousa e o Horizonte. No entanto, dois dias depois de vencer o time cearense, Surian decidiu aceitar uma proposta vinda do Capital-DF, que também disputa a Série D, e deixou o comando técnico do Galo da Borborema.
Marcelo Vilar durante treino do Treze no Estádio Presidente Vargas
Michele Araújo / Treze
Velho conhecido do torcedor, Marcelo Vilar foi o escolhido para dar sequência à Série D pelo Galo, sendo aquela sua terceira passagem pelo clube. Quando o assunto é Série D, Vilar é especialista, já que conta com dois acessos no seu currículo, mas dessa vez não rolou. Foram apenas quatro partidas, com uma vitória e três derrotas.
O último comandante foi outro velho conhecido: William De Mattia, o último campeão pelo Galo e que tirou o clube de uma situação difícil em 2023, conquistando o estadual e um calendário cheio para o ano seguinte. Mas essa passagem não foi tão vitoriosa. Pegando o time já em situação complicada e com as baixas no elenco acontecendo uma atrás da outra, Dema não levou o Treze para a segunda fase da Série D e se despediu mais uma vez do clube.
William De Mattia, técnico do Treze
Michele Araújo / Treze
Desmonte do elenco
O Galo começou o ano com um bom elenco. Capitaneado por Dione, com peças importantes como Jeam, além do remanescente Igor Rayan. Passou por uma reformulação após o Paraibano, chegando o experiente atacante Pipico e o ponta direita Lucas Venuto, mas no decorrer da competição a coisa desandou.
Os atletas começaram a deixar o clube e um verdadeiro desmonte aconteceu. Baixas entre escolhas da comissão técnica e diretoria, jogadores com propostas de clubes do exterior ou de divisões superiores, ou vontade dos próprios atletas. Ao todo foram nove, entre eles Dione, Pipico e Venuto. O planejamento realmente desandou, assim como a temporada.
Dione e Pipico durante treino do Treze no Amigão
Daniel Vieira / Treze
Crise política
A temporada conturbada dava sinais que as coisas não iam bem nos bastidores. A torcida cobrava, pressionava, até que em meio às disputas da Série D, o presidente Artur Bolinha resolveu renunciar ao cargo junto do restante da diretoria, ainda em junho. Acontece que essa renúncia não durou muito. Bolinha voltou atrás dois dias após o comunicado e afirmou que ficaria até o Conselho Deliberativo antecipar e convocar novas eleições.
Enquanto isso, a diretoria tentava negociar com os credores do Alvinegro. A intenção era deixar a casa em ordem para poder receber e analisar propostas para que o clube virasse SAF. Foram várias assembléias e tentativas, mas nada foi acertado.
Artur Bolinha ao lado de membros da diretoria do Treze
Gabriel Cirne / ge
Em setembro o Conselho Deliberativo decidiu antecipar as eleições do clube. Foram duas tentativas sem nenhuma chapa inscrita, até que na terceira, já em outubro, João Paiva decidiu inscrever chapa e no dia 19 foi eleito.
Calendário 2026 salvo pela CBF
Depois do insucesso no Campeonato Paraibano e na Série D, o Galo estava oficialmente sem calendário para o segundo semestre de 2026. Até que tudo mudou após o anúncio das mudanças da CBF para as divisões de base do futebol brasileiro, sendo uma delas o aumento do número de participantes na Série D, de 64 para 96 times.
A medida beneficiou diretamente os 32 times classificados para a segunda fase deste ano. Como quatro deles conseguiram o acesso (Barra-SC, Santa Cruz, Maranhão e Inter de Limeira), a CBF adotou uma solução para substituí-los: premiar mais quatro federações com uma segunda vaga, segundo o Ranking Nacional de Federações a ser divulgado no fim de ano. O Galo, que passará o Campinense no RNC ao fim deste ano, fica com uma vaga na competição, via ranking, salvando o segundo semestre de 2026.
Sucesso na base
Se no futebol profissional o Treze não fez um bom 2025, quem salvou o ano do centenário foi a garotada da base. O Alvinegro foi campeão em duas das quatro disputas do Campeonato Paraibano de base deste ano, levantando a taça no Sub-15 e no inédito Sub-13.
Treze x Tiradentes: Galo da Borborema é campeão do Paraibano Sub-13 2025
Marcos Siqueira/Jornal da Paraíba
De olho em 2026
Com a nova diretoria, o Galo está a todo vapor com a pré-temporada. O técnico é Roberto Fernandes, que vai em busca de fazer um ano diferente de 2025, nas disputas do Paraibano e da Série D do Brasileiro.
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