Retrospectiva 2025: Novorizontino aposta em escolhas questionáveis e decepciona pelo 3º ano seguido
Novorizontino investe alto, mas bate na trave pelo 3° ano seguido
O Novorizontino encerra o ano de 2025 com pouco a comemorar. O Tigre do Vale reviveu fantasmas recentes, se viu diante de desafios que não enfrentava há um bom tempo e, mais uma vez, ficou no quase na tentativa de chegar à elite nacional, frustrando a torcida.
Depois de dois anos batendo na trave, o Aurinegro teve um caminho mais irregular nesta temporada e “morreu na praia” antes mesmo da última rodada da Série B. O clube também passou por uma troca de comando conturbada e, mesmo com a melhor campanha de sua história na Copa do Brasil, chega ao fim de 2025 com a sensação de que poderia ter ido além.
O Novorizontino voltou a decepcionar na temporada 2025
Vinicius Silva/Agif
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Não por acaso, os números da equipe foram os mais modestos dos últimos três anos: em 55 jogos, foram 21 vitórias, 21 empates e 13 derrotas. O aproveitamento foi de pouco mais de 50%. A equipe marcou 60 gols e sofreu 47.
Com pouquíssimos – para não dizer nenhum – destaques individuais, o mais fanático torcedor do Novorizontino teria dificuldade para escolher o principal nome do time em 2025. Entre altos e baixos, Pablo Dyego e Waguininho dividiram a artilharia, com sete gols cada, enquanto Luís Oyama foi o recordista em número de jogos, com 50. Já personagens que chegaram com a expectativa lá em cima, como Matheus Frizzo e Rômulo, decepcionaram.
Relembre abaixo como foi a temporada 2025 do Novorizontino:
De cara nova
Depois de um fim de ano decepcionante em 2024, o Novorizontino apostou em uma boa reformulação no elenco. Nomes como Luisão, Geovane, Eduardo, Fabrício Daniel, Rodolfo e o artilheiro da temporada, Neto Pessôa, deixaram o clube.
Houve remanescentes, é claro, mas também muitas novidades: chegaram peças como Mayk, Luís Oyama, Jean Irmer, Fábio Matheus, Matheus Frizzo, Robson e Nathan Fogaça. Além disso, uns perderam e outros ganharam espaço na equipe. No gol, Jordi deu lugar a Airton e Dantas herdou a vaga de Luisão, negociado com o Santos.
À beira do gramado, Eduardo Baptista, que chegou a ser questionado, mas recebeu um voto de confiança e seguiu para o terceiro ano à frente do Tigre.
Airton Moisés e Robson foram caras novas no Tigre em 2025
Ozzair Jr./Novorizontino
Paulistão: honesto, mas sem brilho
O Novorizontino não fez feio no Paulistão. É claro que na comparação com 2024, quando fez história ao eliminar o São Paulo em pleno Morumbis para chegar à semifinal, uma campanha de quartas de final parando no próprio Tricolor acabou ficando mais ofuscada. Ainda assim, pode-se dizer que o time fez sua parte.
O Aurinegro não foi brilhante na primeira fase, mas sobrou no Grupo C que teve Noroeste e Água Santa muito abaixo, e terminou na segunda colocação com 18 pontos, um a menos que o São Paulo.
Havia a expectativa de repetir o feito do ano anterior contra o São Paulo, mas desta vez, o Tricolor não deu chance para o azar. Derrotado por 1 a 0, o Tigre se despediu do estadual sem brilho, mas também sem motivos para lamentar.
Aurinegro fez um Paulistão dentro das expectativas
Higor Basso/Novorizontino
Uma troca questionável
Um mês após a eliminação no Paulistão – e apenas três dias antes da estreia na Série B – o Novorizontino pegou todo mundo de surpresa ao demitir o técnico Eduardo Baptista. À época, ele ostentava a marca de quarto treinador mais longevo do Brasil.
O escolhido para o lugar foi Umberto Louzer, um desejo antigo do então diretor de futebol, Michel Alves. Sem Baptista, que havia elevado o patamar e dado uma nova identidade ao clube, o Tigre até fez um bom início de competição, mas patinou entre o fim do primeiro e o início do segundo turno.
O resultado foi uma nova troca, desta vez por Enderson Moreira, que até conseguiu colocar ordem na casa, mas não o suficiente para que o clube chegasse ao final do ano com o principal objetivo alcançado.
Umberto Louzer não deu certo e durou menos de cinco meses no Novorizontino
Josiel Amaral/Agif
Copa do Brasil: um alento
Ao menos na Copa do Brasil, o Novorizontino teve seu melhor desempenho em 2025. Em duas participações anteriores, o Tigre jamais havia passado da primeira fase. Desta vez, não só estreou com vitória sobre o Rio Branco-ES, como também eliminou o Operário VG em seguida.
Na etapa seguinte veio o futuro campeão Corinthians, que foi o responsável por encerrar a participação aurinegra na competição. A equipe do interior paulista perdeu os dois jogos por 1 a 0 e se despediu do campeonato. O seu melhor desempenho histórico, porém, rendeu mais de R$ 5 milhões em premiações.
Tigre chegou à 3ª fase em sua melhor Copa do Brasil
Ozzair Jr./Novorizontino
Série B: trancos e barrancos
Apesar da troca de comando repentina, o Novorizontino não acusou o golpe e fez um bom início de Série B, mantendo-se nas primeiras colocações ao longo de praticamente todo o primeiro turno. O Tigre virou a primeira metade do campeonato na terceira colocação, mas entrou em queda livre.
Em meio à um jejum de sete jogos, o técnico Umberto Louzer não resistiu. Enderson Moreira assumiu o posto e arrumou a casa, recolocando o time na briga pelo acesso. Mas a exemplo dos dois anos anteriores, a equipe voltou a falhar na reta decisiva.
Enderson Moreira assumiu o Novorizontino no lugar de Umberto Louzer
Gilson Lobo/AGIF
Nas últimas seis rodadas, apenas uma vitória e, desta vez, o Aurinegro chegou à última rodada já sem chances de brigar pela vaga na elite. O principal vilão do time, desta vez, foi o excesso de empates: foram nada menos que 15 em 38 rodadas. Apenas a rebaixada Ferroviária ficou à frente no quesito.
De maneira melancólica, o Novorizontino terminou a Série B apenas na sétima colocação e, mais uma vez, adiou o sonho do acesso.
Novorizontino “morreu na praia” antes mesmo da última rodada da Série B
Fernando Torres/Agif
Decepções em campo
Em uma equipe praticamente sem destaques individuais, sobraram as decepções. E, no Novorizontino, as duas principais vieram com jogadores de meio-campo, que chegaram em situações diferentes, mas cercados da mesma expectativa: Matheus Frizzo e Rômulo.
O primeiro desembarcou em Novo Horizonte após ótima passagem pelo Coritiba. Ele recebeu a camisa 10 e o maior salário da história do clube, mas não correspondeu em campo. Em 44 jogos, foram apenas cinco gols e quatro assistências, que renderam a perda da titularidade na reta final da Série B.
Matheus Frizzo decepcionou no Novorizontino
Gabriel Amaral/Agif
Já Rômulo, que havia sido negociado pelo próprio Novorizontino com o Palmeiras após o ótimo Paulistão de 2024, retornou por empréstimo e passou longe de repetir o sucesso da primeira passagem. O camisa 25 passou em branco nos 15 primeiros jogos e só marcou (duas vezes) na rodada final da Segundona, em jogo que já não valia mais nada para o Tigre.
Com contrato até o fim do ano, o meio-campista tem futuro incerto no Aurinegro. Ele dificilmente será aproveitado no Palmeiras no ano que vem, mas tem contrato com o Verdão até o fim de 2028.
Rômulo fez uma Série B discreta e tem futuro incerto no Tigre
Ozzair Jr./Novorizontino geRead More


