Retrospectiva Manauara 2025: investimento alto, irregularidade no Estadual e novo freio no sonho da Série C
Os resultados do Manauara em 2025 certamente não corresponderam às expectativas do torcedor do Robô.
Primeira equipe do Amazonas a iniciar a pré-temporada, o clube planejou o ano embalado por um 2024 quase perfeito, quando bateu na trave pelo acesso à Série C e se consolidou como uma das forças emergentes do futebol local.
Com a base mantida, investimento elevado e calendário enxuto, disputando apenas o Campeonato Amazonense e a Série D, uma das principais competições da história do clube, o Manauara iniciou o ano mirando, acima de tudo, vagas nacionais para 2026.
Objetivo que, no entanto, não foi alcançado.
Manauara – pré-temporada
Laiza Balieiro/ Manauara EC
Estadual abaixo do esperado
Impulsionada pela campanha surpreendente na primeira participação na Série D em 2024, quando caiu nas oitavas de final para o Retrô, que posteriormente conquistaria o título, a diretoria decidiu manter 15 jogadores e toda a comissão técnica para 2025.
Entre as renovações estavam nomes importantes como os goleiros Gabriel Félix e Marlon, os zagueiros Diego Clemente e Paulinho, os laterais Jhonathan Moc, Vitinho e Caio Ribeiro, os volantes Giba, Carlinhos e Vini Ed, o meia Pablo Pardal, além dos atacantes Igor Quadrado, Romarinho e Wallace.
Apesar da manutenção do elenco, o futebol vistoso apresentado no Brasileiro do ano anterior não se repetiu no Campeonato Amazonense.
Logo nos dois primeiros jogos, o Robô empatou com o fragilizado Princesa do Solimões e perdeu para o Manaus.
Manaus x Manauara semifinal do returno do Amazonense
Laiza Balieiro/Manauara
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As primeiras vitórias só vieram nas duas últimas rodadas da fase de grupos do primeiro turno, contra Parintins e Sete FC, este último dono da pior campanha do estadual e rebaixado sem vencer nenhuma partida.
Classificando-se em segundo lugar no grupo, com sete pontos, o Manauara enfrentou o Nacional nos playoffs.
Em um jogo de pouca inspiração e atuando com um jogador a menos, segurou o empate em 0 a 0, resultado suficiente para avançar às semifinais.
Contra o Amazonas, novo confronto travado e sem gols. A decisão foi para os pênaltis, e o Robô acabou eliminado, vendo o primeiro turno escapar junto com a chance de título e de vagas nacionais.
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Segundo turno irregular e nova eliminação
Eliminado no primeiro turno, o Manauara teve tempo para ajustes visando o returno.
No entanto, a equipe voltou a campo com mais um empate sem gols, desta vez diante do São Raimundo, e chegou a passar mais de um mês sem vencer.
A quebra do jejum veio de forma surpreendente, com vitória por 1 a 0 sobre o Amazonas, gol solitário de Joelson. Na sequência, porém, o Robô voltou a oscilar e foi derrotado pelo Nacional por 2 a 1 no fechamento da fase de grupos, avançando novamente aos playoffs, agora com apenas quatro pontos.
No mata-mata, o Manauara não tomou conhecimento do Princesa do Solimões e aplicou uma goleada por 6 a 0, garantindo vaga na semifinal contra o Manaus. No tempo normal, empate em 1 a 1.
Nos pênaltis, mais uma eliminação diante do rival, encerrando a campanha estadual sem título e sem vagas nacionais, com quatro vitórias, cinco empates e duas derrotas.
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Mudança no comando para salvar a temporada
Após a eliminação no Estadual e com a temporada ameaçada, o Manauara decidiu mudar no comando técnico. Durante o Amazonense, o técnico Marcelo Vilar enfrentou problemas de saúde e não comandou a equipe à beira do campo, deixando a função para o auxiliar permanente Alan George.
Alan permaneceu até o início da Série D, quando, após empate em casa contra o Independência do Acre, deixou o clube.
Para o seu lugar, a diretoria apostou no experiente Luiz Carlos Winck, gaúcho e nome conhecido do futebol nacional, mudança que trouxe uma resposta imediata no Brasileiro.
Luis Carlos Winck, técnico do Manauara
João Normando
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Série D: bom desempenho, mesmo desfecho
Sob o comando de Winck e com o objetivo claro do acesso, o Manauara apresentou seu melhor futebol no ano. Na primeira fase da Série D, foram sete vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas.
O Robô terminou na segunda colocação do Grupo A1, com 26 pontos, um a menos que a líder Tuna Luso, além de ostentar o melhor ataque da chave, com 27 gols, e a defesa menos vazada, com apenas 11 sofridos.
Na segunda fase, o desafio foi o tradicional Sampaio Corrêa do Maranhão. No jogo de ida, fora de casa, o Manauara fez boa partida, chegou a abrir o placar, mas cedeu o empate em 1 a 1.
Na volta, na Colina, a diretoria promoveu uma ação para atrair o torcedor, com ingresso a R$ 10 e entrada gratuita para quem vestisse a camisa oficial do clube.
Manauara x Sampaio Corrêa
Laiza Balieiro/Manauara
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A resposta foi positiva, e o Robô não decepcionou. Em um jogo equilibrado, Peninha marcou o gol da vitória que garantiu a classificação às oitavas de final, fase em que o clube havia caído no ano anterior.
Nas oitavas, assim como em 2024, o Manauara encarou um nordestino, o ASA de Alagoas. No jogo de ida, em Manaus, o Robô não foi bem e acabou castigado nos minutos finais, sofrendo gol de Keliton.
Na volta, em Arapiraca, sob chuva intensa e com o estádio cheio, o Manauara mostrou outra postura, dominou as ações, mas não conseguiu balançar as redes.
O empate em 0 a 0 selou mais uma eliminação nas oitavas e frustrou novamente o sonho do acesso à Série C.
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Edson Cariús não corresponde
Pensando no acesso, o Manauara reforçou o ataque com jogadores experientes, como Tobinha e Edson Cariús, campeão da Série D pelo Ferroviário e com passagens por Remo e Fortaleza.
Tobinha não conseguiu entregar o esperado, mas a maior decepção foi Cariús. Contratado com status de referência ofensiva, acabou barrando Manoel, então artilheiro da equipe.
Em cinco partidas com a camisa laranja e preta, Cariús não marcou nenhum gol e deixou o clube sem justificar a aposta.
Edson Cariús é apresentado como novo reforço do Manauara.
Laiza Balieiro/ Manauara EC
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Manoel, o destaque do ano
Apesar da temporada irregular, o atacante Manoel foi um dos principais nomes do Manauara em 2025.
Depois de um início tímido no Campeonato Amazonense, onde marcou apenas um gol, o centroavante cresceu na Série D sob o comando de Luiz Carlos Winck.
Manoel terminou o Brasileiro com sete gols, três a menos que Ronaldy, da Tuna Luso, artilheiro da competição, e encerrou a temporada com 25 jogos, oito gols e três assistências, reafirmando sua importância no elenco do Robô.
Manoel marcou o segundo gol do Manauara contra o Trem-AP
Laiza Balieiro / MEC
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Ranking da CBF beneficia Manauara e garante calendário em 2026
Mesmo sem alcançar os objetivos dentro de campo em 2025, o Manauara terminou a temporada com uma notícia positiva nos bastidores.
A Confederação Brasileira de Futebol anunciou mudanças no calendário nacional a partir de 2026, e o futebol amazonense foi diretamente beneficiado pela reformulação.
Melhor representante do estado nas duas últimas edições da Série D, chegando às oitavas de final em ambas, o Robô acabou favorecido mesmo sem garantir vagas por meio das competições estaduais.
O Manauara é o único time da região Norte que ainda está na disputa da Série D.
Laiza Balieiro/ Manauara
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O desempenho recente dos clubes amazonenses em torneios nacionais pesou na redistribuição das vagas.
Além disso, a Federação Amazonense de Futebol avançou no ranking da CBF, subindo da 16ª para a 14ª posição entre as federações.
Esse crescimento assegurou ao Manauara presença tanto na Série D quanto na Copa do Brasil de 2026, mantendo o clube no cenário nacional apesar da temporada esportivamente abaixo do esperado.
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