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Time de Paulo Baier no Gauchão se inspira no Mirassol e negocia parceria com clube alemão

Time de Paulo Baier no Gauchão se inspira no Mirassol e negocia parceria com clube alemão

Vitor Hugo, CEO e dono do Monsoon fala como o clube gaúcho se inspira no Mirassol
O caçula do Campeonato Gaúcho passou por drásticas mudanças nos últimos meses e superou uma possibilidade real de não conseguir disputar o estadual. O Monsoon, clube criado em 2021 e que estreou no Gauchão em 2025 retirou do escudo o nome de Dubai e colocou de Capão da Canoa, cidade no litoral gaúcho que será a nova sede. Comandado por Paulo Baier, o time tem o plano de no futuro próximo ter como jogar em Capão.
O Monsoon teve uma mudança de dono no segundo semestre deste ano e passou a ser comandado por Vitor Hugo Manique, artilheiro do Gauchão de 2007 e hoje empresário. O ex-jogador comprou o clube por meio da VX Capital, empresa da qual é um dos sócios, e assumiu como CEO. Antes da mudança de dono, havia a possibilidade da equipe não disputar o estadual.
– Foi cogitado (não jogar o Gauchão), mas através da gestão anterior. A partir do momento que a gente assumiu o clube, já foi informado na federação que jogaria. A gente já estava trabalhando antes mesmo de assinar a compra do clube, porque a gente sabia que ia ser nosso, o mundo da bola é muito pequeno, a gente soube de todas as pessoas que foi oferecido e ninguém quis abraçar.
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O Monsoon chamou atenção antes por contar com um investidor indiano e ser comandado por Lucas Pires, ex-presidente. No último ano, no entanto, depois de dois acessos seguidos, já se falava nos bastidores que o “dinheiro de Dubai” havia acabado.
– Em relação ao brasão, a gente precisava mostrar para as pessoas a realidade do clube. Essa situação de pôr a Dubai para início do projeto, eu acredito que até funcionou, mas conforme as coisas vão andando, a longo prazo, toda a verdade sempre aparece. A gente está criando esse slogan, digamos assim, de mais Rio Grande do Sul e menos Dubai.
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A administração anterior deixou o clube afundado em dívidas. Vitor Hugo agora busca reorganizar a casa e fazer da disputa do Gauchão um estímulo financeiro para conseguir honrar os compromissos e pagar cerca de R$ 7 milhões em dívidas, entre obrigações tributárias e trabalhistas. O plano é chamar os credores depois da disputa do estadual e realizar acordos. Além disso, a intenção é se adequar ao modelo SAF o mais rápido possível.
– Quando eu comprei o clube, eu te confesso que quando eu comprei o clube, eu recebi só uma folha de CNPJ, uma folha A4 com CNPJ do clube, e o histórico da péssima gestão que foi feita no passado então, só que eu preciso fazer o futebol acontecer, porque se o futebol não acontecer, o clube termina eu vou perder o meu dinheiro e automaticamente quem tem as dívidas vai ficar cobrando o resto da vida algo de uma empresa que vai estar fechada.
– Recebi o Monsoon com muita dívida, muita dívida. Inclusive pessoas sem contrato que ligavam dizendo: “o clube está me devendo”. Me prova, né, algum contrato, alguma coisa, ah não, eu só acertava com fulano e eu falei, infelizmente não é assim que funciona. Tem que ter um contrato. A gente sabe que passou mais de R$ 20 milhões nas contas do clube, e hoje eu fico pensando onde é que foi parar isso? Porque nós perdemos bons jogadores porque a gente estava na prancha e o pirata nos espetando.
Dono do Monsoon fala sobre as dívidas do clube
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O plano é ajustar as finanças do clube e conseguir uma ascensão inspirada no Próspera, clube de Santa Catarina no qual a VX Capital trabalhou. A equipe subiu de divisão estadual e disputou a Série D. Vitor Hugo também tem o Mirassol e o Barra, do interior catarinense, como exemplos de sucesso para o Monsoon.
Embora treine em Capão da Canoa, cerca de 130km distante de Porto Alegre, o Monsoon irá jogar no Estádio Francisco Novelletto, o Passo D’Areia, do São José, na capital gaúcha. Mas o CEO do clube já planeja jogar no litoral gaúcho em 2027, caso permaneça na elite estadual – e a confiança é de que será possível se manter.
Eu acredito que em 2027 a gente já deve jogar o Gauchão em Capão.
– Capão da Canoa é uma região muito rica, tem muitos empresários. A repercussão que teve na época que teve Inter e Grêmio no Sessinzão em Cidreira. Agora imagina tendo um time na elite do Campeonato Gaúcho já estabelecido, e com um projeto a médio e longo prazo. A gente não quer ser mais um clube que joga o Gauchão, para e depois fica apagando incêndio para poder manter o time ativo. Nosso projeto é bem ambicioso, já temos o desenho da arena, centro de treinamento, a gente tem todo o projeto. Em seguida vamos começar a botar em prática.
Paulo Baier em treino do Monsoon
William Ramos/RBS TV
Os estádios existentes no litoral gaúcho não comportavam, por questões estipuladas pela Federação Gaúcha de Futebol, os jogos da competição. O Estádio Mariscão é o maior da região, mas o Monsoon tem usado a estrutura do Caponense Futebol Clube para treinamentos.
Parceria de clube alemão
Aliás, o Barra é um exemplo também usado de maneira de fazer. O time de Santa Catarina tem estrutura elogiada e mantém uma parceria com o Hoffenheim, da Alemanha. Vitor Hugo afirmou que o Monsoon tem conversas em andamento com clubes da Alemanha e dos Emirados Árabes para firmar situação semelhante. Ter no Monsoon um polo captador de jogadores para o clube parceiro.
– A gente está em contato com alguns times de fora do Brasil dos Emirados, dois times da Alemanha que vêm em conversas com a gente em relação a um tipo de parceria. Vou dar um exemplo, não estou dizendo que são esses os números. Ao invés de comprar um jogador por R$ 35 milhões, compra um clube pela metade do preço, reestrutura e vai ter número infinito de jogadores. A ideia é essa, trazer parceiros fortes de fora do Brasil para que eles peguem a nossa matéria-prima, que é o jogador.
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Outro modelo citado é o do Mirassol, sensação da Série A em 2025 e confirmado na Conmebol Libertadores do próximo ano. A organização e a estrutura do clube paulista segue como norte para o pequeno clube gaúcho. Um dos pontos centrais da ascensão do Mirassol foi ter contado com recursos da venda de Luiz Araújo do São Paulo que geraram investimento em estrutura.
– A gente tem como um norte tudo que o Mirasol fez, a gente tem como um norte o que o Barra vem fazend. Tem como norte alguns clubes de divisões inferiores da Alemanha, que saíram da quarta, quinta, sexta divisão e hoje são uma potência a nível mundial em formação de jogadores. No leste europeu também, muitos clubes não são conhecidos, mas fazem muitas vendas de jogadores, fazem parcerias, ficam com percentuais de atletas. A gente está pegando um pouco de cada estrutura e trazendo para nossa realidade e tentando adaptar para o futebol brasileiro.
Aposta em Paulo Baier
Vitor Hugo e os sócios já haviam trabalhado junto com Paulo Baier no projeto do Próspera. E escolheram o ex-meia de Palmeiras e diversos outros clubes da Série A como comandante do time para o Gauchão. A intenção é criar um time competitivo.
– A gente começou na terceira divisão do Catarinense, subimos pra primeira divisão, botamos o time na Série D sem dever um real, e a gente tinha uma folha extremamente baixa, e essa pessoa que fazia a liderança era o Paulo Baier. É um cara que tu não precisa pesquisar quem é, tu já sabe quem ele é. A gente tem uma certa proximidade com o Paulo não só de amizade, mas também de profissionalismo, de entrega. Ele cobra da gente, a gente cobra e no final está tudo certo.
Vitor Hugo fala sobre sua relação com Paulo Baier
– Ele é um cara campeão. É um cara super simples, super trabalhador também, ele cobra demais, inclusive os mais novos, que são as sementes do clube, que a gente já está querendo começar a plantar a partir desse ano, ele não é um cara que abandona, ele vê alguns erros da gurizada mais nova e corrige, ele bota no principal. Ele tem uma aura de vencedor e quem está do lado dele e não entender isso vai ficar para trás. geRead More