Vice-campeã mundial de kitesurfe, cearense ganha destaque na modalidade
Íntegra – Globo Esporte CE – 20/12/2025
É quase uma regra entre os kitesurfistas: a prática vai muito além do esporte. É um encontro com a liberdade, uma relação que aflora com a natureza, tira da zona de conforto e leva a lugares e belezas inimagináveis. O início dessa relação para a cearense Kesiane Rodrigues não foi diferente. Há 12 anos, ainda na adolescência, ela descobriu o kitesurfe.
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A partir do incentivo de amigos, começou a velejar na praia do Guajiru, em Trairi. Do início despretensioso até as competições, foram cinco anos. A ligação com o mundo esportivo e o espírito competitivo ajudaram a despertar o desejo de ganhar o mundo velejando.
— O esporte é algo muito libertador, muito livre, né? Esse contato com a natureza traz essa sensação de liberdade. Aproveitar, fazer os downwinds, conhecer lugares incríveis…
Kesiane, kitesurfe, cearense
Enzo 360 fotos
Kesiane nasceu em Fortaleza, frequenta bastante a praia do Guajiru por conta das origens familiares e hoje mora em Jericoacoara. Três lugares que despertam fortemente sua relação com o mar.
As disputas do kitesurfe acontecem em diversas categorias. A atleta cearense compete na Kite Wave, na qual conquistou o segundo lugar no Mundial, vencendo a etapa “em casa”, na praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, no litoral cearense.
Ela chegou à última etapa do GKA Kite World Cup em terceiro lugar no ranking, atrás da francesa Capucine Delannoy (campeã da temporada) e da suíça Camille Losserand. Com a vitória na etapa decisiva, subiu na classificação e terminou o campeonato com o vice.
A modalidade consiste basicamente em surfar as ondas do mar com pipa e prancha específicas. Kesiane explica a escolha pela categoria e o que a levou à mudança, há oito anos.
Kesiane, kitesurfe, cearense
Arquivo Pessoal
— Para mim, o kite wave mudou completamente a estatística do velejo, do esporte, do kitesurfe, porque é algo que te deixa muito livre. É uma prancha de surf sem alça, onde dá para velejar descendo downwind, de boa, sem muito cansaço. Depois que mudei de categoria, me senti mais à vontade e mais feliz também por conhecer algo novo. Entrar nas ondas, descer, surfar… acho isso muito lindo.
Desde então, além do recente vice no Mundial, a kitesurfista já foi bicampeã mundial e conquistou quatro títulos nacionais.
Kesiane é mais uma mulher que mostra sua força em uma modalidade ainda amplamente dominada pelos homens. Ela reconhece as dificuldades, mas se mostra resiliente e determinada não só a conquistar mais espaço, como também a inspirar outras mulheres.
— A gente tem força, tem poder de chegar muito mais além do que parece impossível.
A rotina de atleta traz orgulho, e levar o nome do Ceará para o mundo acontece com frequência.
— A galera acha que aqui é um parque de diversão [do kite], né? O pessoal vem todo pra cá, desfruta e fala que é o melhor lugar do mundo pra velejar — e realmente é. A gente fica feliz em saber que essas pessoas vêm desfrutar do nosso paraíso. É muito legal poder aproveitar juntos.
Desde as Olimpíadas de Paris, no ano passado, o kitesurfe passou a integrar o programa olímpico. Apesar de ser em uma categoria diferente da que costuma competir — a Fórmula Kite —, Kesiane não esconde o sonho, a longo prazo, de disputar os Jogos. Ela pondera que não é uma meta imediata, já que seu patrocinador conta com uma atleta olímpica na modalidade, mas mantém a expectativa de que o programa de kite seja ampliado nas próximas edições e, enquanto isso, se organiza para também treinar nessa categoria.
Kesiane, kitesurfe, cearense
Arquivo Pessoal
Fora das competições, o dia a dia da cearense vai além das regatas. Ela trabalha com kite trips — viagens e expedições focadas na prática do esporte — e também com clínicas, que funcionam como centros de treinamento. Além disso, está estruturando um projeto social para inserir crianças e adolescentes no kitesurfe, com sede na praia do Guajiru.
Nos planos, está dividir essa iniciativa com a filha Jennifer, de 12 anos, que já se destaca nas águas. Praticante desde os cinco anos, a jovem acompanha a mãe em muitas competições pelo Brasil e deve ajudar a difundir o esporte entre os mais novos da região.
— Por isso quero que ela venha comigo nas competições, para sentir o clima, entender como funciona tudo e ter vontade de competir com as meninas. A semente já foi plantada.
Tradição familiar, encontro com pessoas e com a liberdade. O kitesurfe é tudo isso — e muito mais — na vida de Kesiane Rodrigues, que vive o auge da carreira aos 30 anos e pretende seguir competindo por, pelo menos, mais uma década, levando ainda mais longe o nome do Ceará.
*Especial para o ge geRead More


