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Agricultores despejam caminhão de batata em protesto contra acordo UE-Mercosul e são cobrados pela prefeitura de Bruxelas; VÍDEO

Agricultores despejam caminhão de batata em protesto contra acordo UE-Mercosul e são cobrados pela prefeitura de Bruxelas; VÍDEO

 Agricultores jogam batatas no parlamento contra acordo UE-Mercosul na Bélgica
Agricultores estão sendo investigados pelo Ministério Público da Bélgica após despejarem toneladas de batatas na praça principal de Bruxelas em protesto contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, aprovado provisoriamente pelos países europeus na sexta-feira (9).
Imagens divulgadas pela agência Reuters mostram tratores descarregando batatas no centro da cidade no dia 10 de janeiro, enquanto manifestantes exibiam cartazes com críticas ao acordo (veja no vídeo acima).
De acordo com o jornal local “The Brussels Times”, o líder dos agricultores responsáveis pelo despejo das batatas foi detido, e agora é alvo de investigação por diversas infrações, incluindo violações do Código Penal, das normas de trânsito e da legislação ambiental.
O Ministério Público propôs a ele uma medida que prevê que ele indenize a Cidade de Bruxelas pelos danos causados, arcando com os custos de reparo e cumprindo serviços comunitários.
Segundo os agricultores, o tratado com países sul-americanos abre espaço para importações que não obedecem aos mesmos padrões exigidos da agricultura europeia, o que criaria uma concorrência desleal.
“Consideramos isso um absurdo, não só pela questão da justiça para com os agricultores, mas também pela saúde do consumidor, já que esses produtos são de baixa qualidade”, disse um protestante à agência.
A manifestação que aconteceu no sábado (10) ocorre em meio a negociações avançadas para a ratificação do tratado, que prevê redução de tarifas e maior abertura comercial entre os blocos. O acordo ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor. A expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
Na França, agricultores franceses promoveram protestos alegando que o pacto favorece importações sul-americanas mais baratas, prejudicando a produção local. A mobilização, organizada pela FNSEA — principal sindicato rural do país — pede salvaguardas mais rígidas e tem pressionado o governo francês.
Agricultores jogam batatas no parlamento contra acordo UE-Mercosul na Bélgica
Reprodução/Reuters
O histórico acordo e próximos passos
Na última sexta-feira (9), o Comitê de Representantes Permanentes da UE aprovou, por maioria qualificada, o acordo após 26 anos de negociação — com 21 votos a favor, cinco contrários (França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria) e uma abstenção (Bélgica). A redução tarifária prevista é expressiva: cerca de 90% dos produtos — tanto agrícolas quanto industriais — terão barreiras alfandegárias zeradas entre os blocos.
Com a aprovação provisória, falta agora:
Formalização dos votos por escrito pelos governos da UE (prazo encerrado na sexta-feira)
Assinatura oficial, marcada para o dia 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, que exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul.
Ratificação interna: na UE, o Parlamento Europeu (e possivelmente parlamentos nacionais) ainda precisam autorizar o acordo; no Mercosul, cabe aos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Entrada em vigor: estimada para o segundo semestre de 2026, após aprovação no Congresso brasileiro e no Parlamento Europeu.
Brasil otimista com o calendário
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que espera assinatura neste sábado (17), com aprovação no Parlamento Europeu e no Congresso brasileiro até o primeiro semestre, permitindo a entrada em vigor no segundo semestre deste ano. Alckmin destacou que o acordo é “um exemplo para o mundo” em meio à instabilidade geopolítica, beneficiando uma população estimada em 700 milhões de pessoas
Salvaguardas e proteção
Para acalmar integrantes mais cautelosos da UE, o acordo prevê mecanismos temporários de ressurgimento de tarifas (salvaguardas) caso importações do Mercosul cresçam mais de 5% ou se mostrem mais de 5% mais baratas que produtos locais.
Há também cláusulas que permitem suspender as reduções tarifárias caso haja riscos sanitários ou ambientais, e exigência de padrões rigorosos para evitar entrada de produtos ligados a desmatamento ilegal.
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