Análise: derrota para o Corinthians é o menor dos problemas da Ponte no início de 2026
Corinthians 3 x 0 Ponte Preta | Melhores Momentos | 1ª rodada | Campeonato Paulista
A Ponte Preta levou de 3 a 0 do Corinthians no último domingo, na estreia do Campeonato Paulista. E o pior de tudo é que não foi surpresa nenhuma – nem mesmo a diferença elástica. Mas a Macaca não perdeu apenas dentro de campo. A principal derrota da Alvinegra campineira neste início de temporada é fora das quatro linhas.
O resultado negativo na Neo Química Arena foi apenas uma consequência natural dos bastidores conturbados do clube. Desde 25 de outubro de 2025, quando comemorou o título da Série C (a primeira conquista nacional da história do clube em 125 anos), os problemas extracampo dominam o dia a dia pontepretano: ações de jogadores na Justiça cobrando dívidas, atletas que acabaram de chegar já deixando o clube, paralisação dos treinos por quase duas semanas durante a pré-temporada devido aos atrasos salariais e impossibilidade de inscrever as contratações por causa do transfer ban.
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+ Diogo Silva desabafa: “Dias difíceis, lutando conosco mesmo”
+ Marcelo Fernandes mostra preocupação com situação da Ponte
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Se em condições normais o desafio contra o Corinthians já era grande, a situação ficou ainda mais complicada diante do cenário da Ponte para a partida. Marcelo Fernandes não pôde contar com os 11 reforços em Itaquera.
Lance de Corinthians x Ponte Preta
Marcos Ribolli
A lista principal do clube para a primeira rodada teve apenas 10 jogadores inscritos. Foi preciso recorrer às categorias de base para completar o grupo, puxando atletas que estavam na campanha 100% da Copinha e até mesmo dois de apenas 17 anos (meia Lukinha e o atacante Damião, que foram acionados no segundo tempo).
O banco de reservas do time, por exemplo, com exceção do meia Serginho, foi formado exclusivamente por jovens jogadores. Após a partida, Marcelo Fernandes disse que vinha pensando a escalação com as contratações até quinta-feira, quando foi informado pela diretoria que não seria possível utilizá-las e teve de adaptar os planos nos dois últimos treinos antes da estreia.
Entre os titulares, remanescentes da Série C (Diogo Silva, Pacheco, Saimon, João Gabriel, Rodrigo Souza, Gustavo Telles, Elvis, Diego Tavares, Bruno Lopes e Jeh) e o jovem zagueiro Diego Leão, capitão da equipe da Copinha e que fez sua estreia como profissional.
O jogador de 20 anos vinha tendo uma atuação segura até sentir um problema físico no segundo tempo e ser substituído – provavelmente virando desfalque também para a sequência da Copinha.
Jogadores são os menos culpados pela derrota na estreia
Marcos Ribolli
A Ponte, armada para se defender e tentar surpreender no contra-ataque, resistiu até quando deu. Segurou o Corinthians até o intervalo (0 a 0) e também no início do segundo tempo – muito pela atuação de Diogo Silva, com pelo menos três grandes defesas.
Mas a porteira abriu aos nove minutos, quando Gustavo Henrique fez de cabeça após cobrança de escanteio. A partir daí, o time não teve forças para reagir, levou o segundo aos 18, com André aproveitando o rebote, e viu André Ramalho, já nos acréscimos, acertar uma bomba de longe para fechar o marcador.
A responsabilidade pelo placar na Neo Química Arena recai muito mais sobre a diretoria do que sobre quem esteve em campo – ou à beira, no caso da comissão técnica. Esses últimos, na verdade, são os menos culpados pela derrota. Eles já foram heróis ao passar por cima das mesmas dificuldades ao longo da última Série C. Só que nem sempre a superação será suficiente para conseguir os resultados.
Torrano e Eberlin antes de jogo da Ponte contra o Corinthians
Marcos Ribolli
As declarações pós-jogo também são sintomáticas sobre a situação alvinegra. Diogo Silva desabafou dizendo que o elenco tem passado por “dias difíceis” e está “lutando conosco mesmo para poder estar todo dia no clube”.
Já Marcelo Fernandes – o único representante do clube a falar sobre o transfer ban até aqui – citou que “todos estão chateados e bem preocupados” e que se a Ponte “não conseguir pagar o transfer ban, vai ser bem difícil” continuar o Paulistão com as opções limitadas de momento. São recados claros e diretos para a diretoria – que podem ser entendidos também como pedidos de socorro.
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O Paulistão, com o novo formato, é curto – e traiçoeiro. São apenas oito jogos na primeira fase para definir classificação ou rebaixamento. A Ponte já volta a campo na quarta-feira, contra o Velo Clube, às 21h, no Majestoso. Segundo as palavras de Marcelo Fernandes, foi passado pela diretoria que as contratações ficarão à disposição até lá.
Diante de todo o contexto, a derrota para o Corinthians é o menor dos problemas da Ponte neste começo de temporada. geRead More


