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Armas de caça e suprimentos: Groenlândia publica orientações de ‘sobrevivência’ em caso de ‘crise’

Armas de caça e suprimentos: Groenlândia publica orientações de ‘sobrevivência’ em caso de ‘crise’

 Em Davos, Trump diz que ‘ninguém pode defender Groenlândia como os EUA’
O governo da Groenlândia apresentou nesta quarta-feira (21) uma nova brochura com orientações à população em caso de “crise” no território, alvo de interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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O documento, intitulado “Preparado para crises – seja autossuficiente por cinco dias”, inclui recomendações como estocar alimentos para cinco dias, três litros de água por pessoa por dia, papel higiênico, rádio a pilha, além de armas, munição e material de pesca.
“É uma apólice de seguro”, afirmou o ministro da Autossuficiência, Peter Borg, em entrevista coletiva na capital, Nuuk. “Não esperamos realmente precisar usá-la”, acrescentou.
Segundo o governo, a elaboração da brochura começou no ano passado, inicialmente voltada para cenários de cortes prolongados de energia.
A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, quase 90% deles Inuits, para quem caça e pesca são historicamente as principais formas de subsistência. “Preparar-se é melhor do que nada”, reforçou Borg.
Os Inuits são os povos indígenas do Ártico, habitantes tradicionais de regiões que hoje fazem parte do Canadá, do Alasca (EUA), da Groenlândia e de áreas do norte da Rússia.
Eles vivem há milhares de anos em ambientes extremamente frios e desenvolveram conhecimentos específicos para caçar, pescar e se deslocar na tundra e sobre o gelo, com técnicas adaptadas ao clima ártico.
O primeiro-ministro, Jens-Frederik Nielsen, avaliou na terça-feira que uma operação militar contra a ilha é “improvável”, mas disse que o território autônomo dinamarquês deve estar pronto para qualquer eventualidade.
O episódio ocorre em um contexto internacional tenso. Desde o retorno ao poder, Donald Trump afirma querer “adquirir” a Groenlândia, justificando a intenção como uma forma de conter avanços russos e chineses no Ártico.
Embora tenha afirmado em Davos que não usaria “força” para tomar a ilha, Trump defende “negociações imediatas” para obtê-la.
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Contexto geopolítico atual
Bandeira da Groenlândia em Nuuk
Evgeniy Maloletka/AP
Pesquisas recentes indicam forte oposição da população local. Segundo levantamento de janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses rejeitam a anexação aos Estados Unidos, enquanto apenas 6% se dizem favoráveis.
Analistas internacionais avaliam que a iniciativa do governo local funciona como uma medida de precaução diante do aumento das pressões externas e da crescente importância geopolítica do Ártico.
Autoridades groenlandesas e especialistas afirmam que, embora um conflito armado seja considerado improvável, não pode ser totalmente descartado.
Nesse cenário, o governo local tem promovido ações de preparação cívica como medida preventiva diante de um ambiente de competição geopolítica crescente no Ártico.
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