Carros incendiados, bandeira rasgada e multidão nas ruas: VÍDEOS mostram caos no Irã com protestos contra regime Khamenei
Vídeos mostram caos nas ruas do Irã em manifestações contra o governo Khamenei
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o caos que tomou as ruas do Irã nos últimos dias em meio aos protestos generalizados contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. Uma multidão em diversas cidades iranianas gritou palavras de ordem contra o regime, incendiou carros e rasgou a bandeira do país (veja no vídeo acima)
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O líder supremo do Irã disse nesta sexta-feira (9) que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos generalizados, que escalaram em proporção e violência nos últimos dias. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, Ali Khamenei chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”.
“Na noite passada, em Teerã, um grupo de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertencia ao Estado, ao próprio povo, apenas para agradar o presidente dos Estados Unidos”, disse Khamenei. Ele acusou os manifestantes “estarem destruindo as próprias ruas para agradar o presidente de outro país”, em referência a Trump. O líder iraniano disse para o líder norte-americano “cuidar do seu próprio país”.
Os protestos eclodiram no final de dezembro em Teerã e foram motivados por uma crise econômica —a moeda do país, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no ano passado e a inflação ultrapassou os 40% em dezembro— no entanto, com o passar dos dias e com a repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia de Khamenei.
As manifestações se tornaram as maiores demonstrações contra o governo iraniano desde 2009 e protestos já foram registrados em 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da agência de notícias AFP. Até o momento, os protestos já deixaram mais de 40 mortos, incluindo membros das forças de segurança, segundo contagens de organizações de direitos humanos atuando no Irã. O número real de vítimas pode ser ainda maior porque há limitações na quantidade de informações que sai do país.
Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.
Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters
Os protestos também geraram uma nova escalada nas já comprometidas tensões entre os EUA e o Irã. Trump disse que não tolerará mortes de manifestantes pelo regime Khamenei e disse que “atingirá muito duramente” o país caso isso aconteça. Nesta sexta, o líder iraniano chamou o presidente dos EUA de “arrogante” e disse que suas mãos “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios feitos contra instalações nucleares em 2025.
Na quinta-feira, os protestos ganharam uma nova proporção após Khamenei ter ordenado um apagão da internet e da rede telefônica para tentar conter os manifestantes (leia mais abaixo). A quarta-feira foi considerada o “dia mais sangrento” dos protestos até o momento, em que foram registradas as mortes de 13 manifestantes.
Protestos no Irã
Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país
Fars via AP
O Irã intensificou a repressão contra manifestantes contrários ao regime nesta quinta-feira (8), no momento em que a onda de protestos chega ao 12º dia no país.
Também nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a situação do país asiático.
“Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente”, disse o presidente dos Estados Unidos durante uma entrevista ao apresentador de rádio conservador Hugh Hewitt.
Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso da moeda local, o rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Outras pautas foram incluídas por outros manifestantes.
Desde então, os atos se espalharam por 25 das 31 províncias iranianas, segundo uma contagem da AFP, e deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Imagens publicadas na rede social X mostram grandes manifestações nas ruas (veja abaixo).
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De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou “Seyyed Ali será destituído”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.
O Irã está “atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional”, afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em dados em tempo real.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, voltou a pedir nesta quinta-feira “a máxima moderação” frente aos manifestantes, bem como o “diálogo” e a escuta às “reivindicações do povo”.
Quarta-feira sangrenta
Ainda não se sabe o número de mortos nos protestos. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram nos atos.
A quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento, com 13 mortos, de acordo com esta organização, que também indicou que “centenas” de pessoas ficaram feridas e que mais de 2 mil foram detidas.
As manifestações são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022 presa por violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.
Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026.
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